Autarcas defendem que a região é um motor res industriais d país
Região de Leiria rejeita pareceres negativos do CCISP e CRUP à Universidade de Leiria e Oeste
2026-04-23 21:15:48
Os dez municípios da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria manifestaram, no dia 23 de abril, a sua firme discordância relativamente aos pareceres negativos emitidos pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) e pelo Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) contra a transformação do Politécnico em universidade, aprovada pelo Governo.
Os autarcas consideram que “a criação da Universidade de Leiria constitui um passo insubstituível para a reconstrução e o desenvolvimento sustentado de uma região que figura entre os principais motores económicos do país, especialmente num momento em que enfrenta os desafios acrescidos da reconstrução pós-tempestades.”
Uma região com escala que exige um motor de conhecimento equivalente
Fora das áreas metropolitanas, a região de Leiria e Oeste concentra 11,4% da população nacional, 11% do PIB e 12,3% do Valor Acrescentado Bruto (VAB), com exportações próximas de metade da riqueza gerada. Trata-se da mais elevada densidade industrial do país, construída ao longo de décadas através do saber-fazer industrial e com o contributo decisivo do Politécnico de Leiria na qualificação de gerações e no alinhamento da formação com as necessidades das empresas.
O resultado foi um modelo de proximidade entre ensino e indústria que fez desta região um território de referência. O Politécnico de Leiria cumpriu essa missão com mérito. Mas o desafio mudou, e com ele, a escala da resposta necessária. O diagnóstico é claro: eficiência já não basta.
Nos últimos 15 anos, face a outras regiões do litoral, Leiria e Oeste cresce menos, gera menor valor por hora de trabalho e apresenta salários 16% abaixo da média nacional. O problema não reside na capacidade empresarial, mas na incapacidade estrutural de atrair investimento externo diversificado e de incorporar tecnologia em sectores maduros para subir na cadeia de valor.
A competitividade depende hoje menos da eficiência e mais da inovação sustentada em conhecimento. Criar e transformar exige investigação, formação avançada e capacidade de suportar inovação contínua e disruptiva. Essa não é a missão, nem a escala, de um Politécnico, por mais bem-sucedido que seja.
Para os municípios da Região de Leiria, não se trata de melhorar o bom Politécnico que existe. Trata-se de dar o passo seguinte: criar uma Universidade com escala científica e foco no conhecimento, sem a qual o ecossistema regional continuará a divergir face aos restantes territórios do litoral.
Um projeto estratégico para a reconstrução regional
Num contexto marcado pelos efeitos devastadores das recentes tempestades, a transformação do Politécnico de Leiria em universidade assume uma dimensão ainda mais estratégica. A reconstrução da região exige não apenas infraestrutura física, mas um sistema de conhecimento capaz de orientar, acelerar e qualificar esse processo.
Uma Universidade com investigação e capacidade de formação avançada é o motor que permite ao território responder com maior resiliência a choques futuros e competir nas atividades de maior valor. Os dez municípios da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria reiteram a sua firme convicção: este é o caminho para convergir com as regiões mais dinâmicas do litoral, conclui a CIMRL

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