Alcobaça
AEB recupera memória dos soldados da Benedita que participaram na I Guerra Mundial gravada em pedra
2026-05-12 21:43:44

Placa de homenagem aos 44 soldados da Benedita que participaram na I Guerra Mundial
Na Igreja Paroquial da Benedita, uma placa antiga guarda um testemunho raro da história local, os nomes de 44 homens da freguesia que participaram na Primeira Guerra Mundial (1914–1918). Mais de um século depois, essa memória ganhou nova vida. A Associação Empresarial da Benedita, em parceria com a empresa Natstone, promoveu a recuperação da placa, procedendo à limpeza e à pintura dos nomes gravados, devolvendo-lhes a visibilidade e dignidade que o tempo havia esbatido. Trata-se de uma intervenção simples, mas profundamente simbólica. A placa assinala um caso pouco comum: os 44 soldados beneditenses mobilizados para o conflito regressaram todos a casa. Num cenário histórico marcado por perdas humanas significativas, este regresso coletivo assume um significado ainda mais relevante para a identidade local. Gravados em pedra, estes nomes representam uma geração de homens que deixou para trás o quotidiano da terra, o trabalho, a família, a comunidade, para cumprir um dever maior. E que, regressando, escolheu assinalar esse momento com um gesto de fé e gratidão. Com o passar dos anos, a inscrição foi perdendo legibilidade, afastando-se da atenção da comunidade. A intervenção agora realizada pretende precisamente o contrário, reaproximar a população desta memória, tornando novamente visíveis os nomes e aquilo que representam. Mais do que um elemento patrimonial, esta placa constitui um símbolo de coesão, resiliência e sentido de comunidade, valores que marcaram o passado da Benedita e que continuam a ser referências no presente. Segundo Nuno Catita, presidente da direção da AEB, “a iniciativa surge também como um convite à reflexão sobre a importância de preservar a memória coletiva, num tempo em que o imediato tende a sobrepor-se ao duradouro. Como se lê num texto de evocação recente, “há memórias que se escrevem em papel, e há memórias que se gravam em pedra”. Esta é uma delas. Os nomes permanecem. E, agora, voltam a poder ser lidos.”

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