Agenda de Transformação mobilizou mais de 1.200 participantes para construir uma universidade de nova geração
Universidade de Leiria e Oeste vai adotar modelo centrado nas Pessoas, Ecologia e Economia
2026-07-27 11:01:33

Agostinho Silva, pró-presidente do IPL para a Cooperação Interinstitucional nos domínios do Desenvolvimento Regional e da Coesão dos Territórios
A Universidade de Leiria e Oeste (ULO) apresentou, no dia 24 de julho, a Agenda de Transformação, um processo participado que mobilizará mais de 1.200 pessoas da comunidade académica, sociedade civil e instituições públicas e privadas para construir um projeto coletivo único em Portugal, centrado nas Pessoas, na Ecologia e na Economia. A sessão realizou-se em Leiria, reunindo centenas de docentes, estudantes, colaboradores e individualidades da região.
A Agenda de Transformação constitui o instrumento que orientará o processo de instalação da nova Universidade de Leiria e Oeste, definindo o seu modelo institucional, científico, formativo e territorial. Para o efeito, serão constituídos 21 grupos de trabalho multidisciplinares, que envolverão diretamente mais de 1.200 participantes. Ao longo de seis meses, docentes, investigadores, estudantes e técnicos trabalharão em conjunto com empresas, municípios, instituições públicas, organizações sociais, unidades de saúde, estabelecimentos prisionais, escolas, instituições culturais, alumni e cidadãos.
“Chegou o momento de reunirmos e discutirmos o que queremos para a ULO. Não queremos limitar-nos a ser mais uma universidade. Queremos ser uma universidade distinta, que melhora a qualidade de vida das pessoas deste território e que forma os estudantes para as necessidades das nossas empresas e entidades. Para isso, a ULO precisa de todos e será o que cada um de nós quiser. Apelo à união de todos neste desígnio de transformar a nossa instituição numa referência a nível regional, nacional e europeu”, afirmou Carlos Rabadão, presidente do IPLeiria, atual Universidade de Leiria e Oeste.
O processo participativo previsto na Agenda permitirá identificar prioridades, definir missões transformadoras e desenvolver projetos estruturantes para a ULO, resultando em propostas concretas para nove dimensões estratégicas: oferta formativa; investigação de fronteira; inovação e transferência de conhecimento; articulação com o ecossistema; coesão e impacto territorial; internacionalização; infraestruturas; gestão ágil e governança; e especialização e posicionamento.
Todo o processo será acompanhado por um Steering Committee constituído por cerca de 100 entidades nacionais e internacionais, reforçando o rigor, a qualidade e a relevância das propostas e integrando perspetivas científicas, empresariais, institucionais, sociais e territoriais.
“Mudar do regime politécnico para universitário não é transformar cursos práticos aplicados em cursos mais teóricos, como é geralmente associado às universidades clássicas. Nós vamos manter a nossa matriz de formação, de ciências aplicadas. É essa a nossa função. Mas, enquanto universidade, vamos também reforçar a aposta em cursos de doutoramentos e na investigação e produção científica e artística. Queremos criar conhecimento e queremos que esse conhecimento seja introduzido no nosso território, nas empresas e nas instituições, com o objetivo de criar valor acrescentado”, salientou Carlos Rabadão.
A ULO organizará a sua atividade através de três Comunidades de Conhecimento e Inovação (Knowledge and Innovation Communities), concebidas para potenciar as competências distintivas do território e promover uma maior articulação entre ensino, investigação, inovação e desenvolvimento económico e social.
Em Peniche, alicerçada na Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM), a Comunidade será dedicada à Economia Azul, Turismo Sustentável, Resiliência Costeira e Engenharia Alimentar.
Nas Caldas da Rainha, a partir da Escola Superior de Artes e Design (ESAD.CR), centrar-se-á nas Artes, Design, Indústrias Criativas e Especializações Emergentes.
Em Leiria, onde estão localizadas a Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS), a Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) e a Escola Superior de Saúde (ESSLei), a Comunidade abrangerá as áreas da Educação, Saúde, Engenharias, Ciências Sociais, Jurídicas e Empresariais e Inclusão pela Ciência.
De referir que, no âmbito da transição para universidade, a ESTM, a ESAD.CR, a ESECS e a ESTG passarão a constituir escolas universitárias, enquanto a ESSLei manterá a sua natureza politécnica.
A Agenda de Transformação prevê igualmente a exploração de oportunidades para a criação de novas Comunidades de Conhecimento e Inovação, designadamente em Leiria e Oeste Norte, dedicada à Natureza, Desporto, Bem-estar e Performance Humana, em Leiria e Oeste Sul, focada na Bioeconomia, Biotecnologia e Biomedicina, e na Serra de Aire e Candeeiros, orientada pelo conceito Triple Bottom Line, valorizando os recursos minerais e geológicos estratégicos do território.
O ecossistema da ULO integrará ainda duas novas estruturas: a Escola Politécnica ULO, dedicada à formação superior profissional de nível 5, reforçando a capacidade da universidade para responder às necessidades de qualificação das pessoas, das organizações e do território; e a ULO Leadership School, vocacionada para o desenvolvimento de competências de liderança, estratégia e aprendizagem ao longo da vida.
“A Agenda de Transformação ULO assenta nas conclusões do estudo Prospetiva 2035 – Três Cenários para Leiria e Oeste, desenvolvido com o contributo de mais de 850 participantes e de 24 grupos de trabalho municipais, que permitiu construir uma visão partilhada para o futuro da região, assente na identificação dos seus principais desafios, oportunidades e fatores críticos de desenvolvimento”, referiu Agostinho Silva, pró-presidente do IPLeiria para a Cooperação Interinstitucional nos domínios do Desenvolvimento Regional e da Coesão dos Territórios.
Realçando que o objetivo é que a Agenda de Transformação ULO seja também um “processo aberto, transparente e participado, capaz de mobilizar o conhecimento coletivo para construir uma universidade de nova geração”, Agostinho Silva adiantou que os grupos de trabalho multidisciplinares, que vão conduzir a transformação da ULO, deverão ficar constituídos até final de agosto.
Entre setembro e dezembro será aplicada a metodologia Strategic Thinking for Sustainability (ST4S), assente em cinco etapas: definição da Visão 2035, identificação dos Fatores Críticos de Sucesso, desenvolvimento de Missões Transformadoras, conceção de Projetos Estruturantes e definição dos modelos de Implementação, Governança e Impacto.
Os resultados deste trabalho darão origem ao Roteiro de Instalação da Universidade de Leiria e Oeste para o período 2027–2030, que será apresentado publicamente em janeiro de 2027. Esta será a base para a implementação da nova universidade e dos respetivos estatutos, concretizando um processo de transformação que se estenderá até 2030.
Fonte: CA|On-It!

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