Edição: 309

Diretor: Mário Lopes

Data: 2026/8/18

Bombeiros atendem em média mais de 30 emergências pré-hospitalares por dia

Bombeiros de Torres Vedras alertam para sobrecarga operacional e bloqueio nas urgências

Ambulância dos Bombeiros de Torres Vedras

A Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Torres Vedras alertou, no dia 17 de agosto, para a elevada carga operacional que o Corpo de Bombeiros tem vindo a enfrentar e manifesta preocupação perante um conjunto de constrangimentos que estão a ter impacto na resposta de emergência à população.

Aos constrangimentos verificados no Hospital de Torres Vedras, que obrigam a frequentes deslocações de ambulâncias e respetivas equipas para unidades hospitalares em Lisboa, juntam-se situações relacionadas com o sistema de triagem e acionamento do CODU/INEM, nas quais existem meios disponíveis no quartel dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras que não chegam a ser acionados, enquanto cidadãos permanecem a aguardar por uma ambulância.

Entre 28 de julho e 12 de agosto, os Bombeiros Voluntários de Torres Vedras registaram mais de 500 ocorrências, na sua maioria relacionadas com emergência pré-hospitalar. Atualmente, o Corpo de Bombeiros responde, em média, a mais de 30 emergências pré-hospitalares por dia, um número que tem vindo a aumentar de ano para ano.

É neste contexto de elevada atividade operacional que a Associação considera particularmente preocupantes situações em que cidadãos permanecem mais de uma hora à espera de uma ambulância, perante a indicação de inexistência de meios disponíveis, quando existem no quartel dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras ambulâncias e equipas em condições de responder à ocorrência, mas que não foram acionadas pelo CODU/INEM.

Para quem necessita de assistência, esta distinção não existe. A população vê uma ambulância que não chega e, naturalmente, associa a demora à incapacidade de resposta dos agentes de socorro locais: os Bombeiros de Torres Vedras. Estas situações, para além da preocupação que suscitam relativamente ao tempo de resposta à emergência, podem afetar a confiança que a população de Torres Vedras há muito deposita na Associação e nos seus bombeiros.

A Associação considera fundamental que, existindo meios de socorro disponíveis e operacionais no concelho, estes possam ser acionados de forma rápida sempre que sejam necessários, garantindo que os recursos existentes são utilizados em benefício da população.

Paralelamente, a este volume de ocorrências junta-se outra realidade que se tem agravado ao longo do tempo: os constrangimentos verificados no Hospital de Torres Vedras. Apesar de, em determinados períodos, se terem verificado melhorias no funcionamento daquela unidade hospitalar, nas últimas semanas voltaram a registar-se limitações com impacto direto na atividade dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras.

Entre as situações que mais preocupam a Associação encontra-se a indisponibilidade do serviço de TAC, não sendo atualmente conhecida uma previsão para a sua retoma, bem como os constrangimentos registados nos Serviços de Medicina e Cirurgia. Também a resposta de Pediatria tem sofrido limitações. Na última semana, o serviço esteve encerrado durante o período diurno em dois a três dias, mantendo-se, há já algum tempo, o seu encerramento durante o período noturno.

Estes constrangimentos obrigam a que diversos doentes tenham de ser encaminhados para unidades hospitalares em Lisboa.

Em vários períodos do dia e, sobretudo, durante a noite, esta situação leva a que os Bombeiros Voluntários de Torres Vedras possam ter quatro a cinco ambulâncias simultaneamente em deslocação para hospitais de Lisboa, representando a mobilização de oito a dez bombeiros durante períodos prolongados.

O problema não se limita apenas à distância entre Torres Vedras e Lisboa. Aos tempos de deslocação juntam-se os períodos de espera nas unidades hospitalares. Recentemente, uma ambulância dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras permaneceu cerca de 50 minutos no Hospital de Torres Vedras a aguardar que um doente fosse recebido, tendo posteriormente esse mesmo doente sido encaminhado para uma unidade hospitalar em Lisboa.

Uma ocorrência que implique o transporte de um doente para Lisboa pode significar a indisponibilidade de uma ambulância e da respetiva tripulação durante cerca de três horas, caso todo o processo decorra sem constrangimentos adicionais. Caso fosse possível assegurar a resposta no Hospital de Torres Vedras, esse período poderia, em muitas situações, ser reduzido para cerca de 30 a 45 minutos. Esta diferença tem um impacto significativo numa estrutura que responde diariamente a dezenas de emergências e que necessita de manter permanentemente meios disponíveis para novas ocorrências.

Preservar a capacidade de socorro à população

Até ao momento, o socorro à população tem sido garantido. A Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Torres Vedras e os seus bombeiros têm feito, diariamente, todos os esforços para assegurar que nenhum pedido de socorro fique sem resposta, mesmo perante uma atividade operacional cada vez mais exigente.

Esta capacidade de resposta é assegurada, em grande parte, pelo empenho e disponibilidade dos bombeiros, muitos deles voluntários e com uma atividade profissional fora do Corpo de Bombeiros.

São homens e mulheres que, muitas vezes, passam uma parte significativa da noite em deslocações a hospitais de Lisboa, acompanhando doentes que, perante os constrangimentos existentes no Hospital de Torres Vedras, não conseguem obter resposta hospitalar no concelho.

Terminado o serviço e regressados a Torres Vedras, muitos destes bombeiros têm, poucas horas depois, de se apresentar nos seus locais de trabalho e cumprir normalmente a sua atividade profissional. Esta realidade representa um enorme esforço humano, para além da sobrecarga que provoca nos meios de emergência. Quando quatro ou cinco ambulâncias se encontram simultaneamente em Lisboa, não estão apenas vários meios de socorro afastados do concelho: estão também oito a dez bombeiros mobilizados durante períodos prolongados, muitas vezes durante a noite.

A Associação e os seus bombeiros garante que tem conseguido responder a esta exigência e continuarão a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para proteger e socorrer a população, mas ressalva que não pode deixar de olhar para o futuro com preocupação. Essa preocupação não resulta apenas dos constrangimentos hospitalares. As situações relacionadas com o acionamento de meios pelo CODU/INEM, em que existem ambulâncias disponíveis no quartel mas estas não são mobilizadas para ocorrências em que a população aguarda por socorro, constituem igualmente motivo de preocupação para a Associação.

Os Bombeiros Voluntários de Torres Vedras consideram essencial que exista uma articulação eficaz entre todos os intervenientes no sistema de emergência, permitindo aproveitar os meios efetivamente disponíveis e garantindo à população a resposta mais rápida possível.

A preocupação da Associação é, acima de tudo, com a segurança dos torrienses e com a capacidade de continuar a garantir, no futuro, o mesmo nível de resposta que tem sido possível assegurar até hoje. Os Bombeiros Voluntários de Torres Vedras garantem que continuarão a cumprir a sua missão e a lutar, todos os dias, para que nenhum socorro fique por prestar. Mas consideram igualmente sua responsabilidade alertar para uma realidade que, se continuar a agravar-se, poderá colocar em causa a disponibilidade imediata dos meios e, consequentemente, a capacidade de resposta às emergências no concelho de Torres Vedras.

Com este alerta, a Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Torres Vedras pretende dar a conhecer à população a realidade atualmente vivida e sensibilizar as entidades competentes para a necessidade de encontrar soluções, tanto ao nível da resposta hospitalar como da articulação do socorro pré-hospitalar. A prioridade continuará a ser a mesma: garantir que, quando alguém precisa de socorro, existe uma resposta disponível, atempada e eficaz.

Uma atividade operacional que vai muito além da emergência médica

A elevada exigência das últimas semanas não se restringiu à emergência pré-hospitalar. Entre 27 de julho e 10 de agosto, o Corpo de Bombeiros respondeu, entre outras ocorrências, a quatro incêndios urbanos, industriais e em detritos, cinco incêndios rurais, quatro colisões rodoviárias e seis despistes rodoviários, em simultâneo com uma média superior a 30 emergências pré-hospitalares diárias.

A esta atividade juntou-se o apoio prestado no combate aos grandes incêndios que afetaram outras regiões do país. Entre 28 de julho e 1 de agosto, os Bombeiros Voluntários de Torres Vedras estiveram envolvidos nas operações de combate aos incêndios na Guarda e em Valpaços, com sete bombeiros e dois veículos.

Mesmo perante esta elevada carga operacional, o Corpo de Bombeiros continua a assegurar diferentes tipologias de emergência, algumas em circunstâncias particularmente exigentes.

No dia 31 de julho, uma das equipas prestou assistência ao nascimento da bebé Alice, numa ocorrência que demonstra a diversidade e a exigência das situações para as quais os bombeiros são diariamente mobilizados.

A assistência a partos tem, aliás, vindo a tornar-se uma realidade cada vez mais frequente para os operacionais dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras, existindo situações em que estas equipas têm de prestar assistência sem o apoio presencial de uma equipa diferenciada do INEM.

   Fonte: GC|BVTV

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