Edição: 310

Diretor: Mário Lopes

Data: 2026/9/4

Em cena dias 11 e 13 de setembro

Ópera bufa de Rossini 'A Cinderela' abre Festival de Ópera de Óbidos

Cartaz

O Festival de Ópera de Óbidos propõe “Luz e Trevas”, numa programação que cruza o repertório lírico com questões intemporais sobre o bem e o mal, o poder, a condição humana e a capacidade de transformação.

A primeira grande produção desta edição do Festival traz ao palco A Cinderela, ou o Triunfo da Bondade, ópera em dois atos de Gioachino Rossini, com libreto de Jacopo Ferretti, baseado no conto de fadas de Charles Perrault, em cena dias 11 e 13 de setembro. Nesta opera buffa, Rossini e o libretista Jacopo Ferretti retiraram os elementos mágicos da narrativa — substituindo a fada madrinha pelo filósofo Alidoro e o sapato de cristal por uma pulseira de prata — e transformaram-na numa comédia de aparências e poder.

A história clássica ganha situações profundamente humanas, numa escrita repleta de humor que dialoga de forma brilhante com o virtuosismo da música de Rossini. Na encenação criada para o Festival de Ópera de Óbidos, Pedro Ribeiro transporta a narrativa para a contemporaneidade, num universo visual marcado por cenários surpreendentes.

Uma narrativa clássica para pensar o presente

A obra faz jus à ideia de Luz e Trevas, explorando a tensão entre aquilo que se revela e o que permanece oculto, entre a humilhação e a possibilidade de transformação. Para a diretora artística Carla Caramujo, “em Cenerentola, a luz é a possibilidade de transformação, o instante em que alguém deixa de ser invisível”.

“A nossa Cinderela vive em 2026”, adianta o encenador Pedro Ribeiro. “As narrativas da Cinderela permanecem porque são, no fundo, a história de alguém que ninguém vê. Alguém que trabalha, serve, é humilhado, colocado ‘num canto’, mas que conserva aquilo que outros perderam: a capacidade de compreender o outro.”

É neste sentido que o “triunfo da bondade” ganha uma dimensão particularmente atual. Não se trata de passividade ou submissão, mas da capacidade de perdoar e compreender aqueles que nos fizeram mal. Quando temos a possibilidade de devolver aos outros aquilo que nos fizeram, escolhemos a vingança ou somos capazes de ser maiores do que a própria injustiça?

Uma ideia clássica mas que continua a interpelar o presente. E, embora esta não seja uma versão infantil, a universalidade da narrativa e a energia da música de Rossini tornam a produção uma proposta para diferentes gerações e também uma porta de entrada para quem nunca assistiu a uma ópera.

Julia Jones assume a direcção musical

A direcção musical desta produção está a cargo da maestra britânica Julia Jones, reconhecida pela clareza, precisão e sensibilidade das suas interpretações. Com uma sólida carreira internacional, é presença regular no Royal Opera House, Covent Garden, e na Oper Frankfurt, tendo dirigido também em importantes casas de ópera como a Den Norske Opera & Ballett, em Oslo, e a Royal Danish Opera.

À frente da Orquestra das Beiras, Julia Jones dirige um elenco de sete solistas portugueses: Cláudia Ribas, João Terleira, Tiago Matos, Luís Rodrigues, Tiago Amado Gomes, Sofia Marafona e Mariana Sousa, que dão vida às personagens desta história de aparências, poder, injustiça e redenção.

A Cinderela, ou o Triunfo da Bondade apresenta-se a 11 de setembro, às 20h00, e 13 de setembro, às 18h00, no Convento de São Miguel das Gaeiras. A sessão de 11 de setembro é antecedida, às 19h00, por “A Cappella – Breves palavras”, uma conversa de preparação para o espetáculo.

Os bilhetes estão à venda em blueticket.meo.pt, no Convento de São Miguel das Gaeiras, na ABA – Banda de Alcobaça Associação de Artes e nos locais habituais.

O Festival de Ópera de Óbidos 2026 é uma iniciativa da ABA – Banda de Alcobaça Associação de Artes, em parceria estratégica com a Câmara Municipal de Óbidos. Conta com o apoio da República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes, do BPI/Fundação ‘la Caixa’, com o mecenato da Égide – Associação Portuguesa das Artes e o apoio institucional da Turismo Centro de Portugal /Visit Portugal.

Programação

Inauguração da Exposição “LUZ & SOMBRA”
05 de setembro · sábado · 17h00
Museu Abílio de Mattos e Silva
*Antecedida por apresentação do Festival de Ópera Óbidos 2026

Concerto Inaugural · Gala Mozart, Weber e Beethoven – Encontro de Titãs
05 de setembro · sábado · 21h00
Praça da Criatividade · Óbidos
Excertos de Der Freischütz (Carl Maria von Weber), Fidelio (Ludwig van Beethoven) e La clemenza di Tito (Wolfgang Amadeus Mozart)

A Cinderela, ou o triunfo da bondade
La Cenerentola ossia Il Trionfo Della Bontá
Ópera de Gioachino Rossini com libreto de Jacopo Ferretti
11 de setembro · sexta-feira · 20h00*
13 de setembro · domingo · 18h00
Convento de São Miguel das Gaeiras
*Antecedido por “A Cappella” Breves palavras às 19h00

Caim, ou o Primeiro Homicídio
Cain overo Il Primo Omicidio
Oratória de Alessandro Scarlatti a 6 vozes, com libreto de Pietro Ottoboni
12 de setembro · sábado · 18h00
Igreja da Misericórdia de Óbidos
Co-produção: Fundação da Casa de Mateus

Recital “De Purcell a Britten: mais de dois séculos de paixão Shakespeariana”
16 de setembro · quarta-feira · 18h00
Museu Abílio de Mattos e Silva
Entrada livre

Orfeu e Eurídice
Orfeo ed Euridice, Wq.30
Ópera em 3 atos de Christoph Willibald Gluck com libreto de Ranieri de’ Calzabigi
19 de setembro · sábado · 20h00*
20 de setembro · domingo · 18h00
Convento de São Miguel das Gaeiras
*Antecedido por “A Cappella” Breves palavras às 19h00

Programação em https://festivaloperaobidos.

     Fonte: DM|GC|AMA

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