No estudo ‘Prospetiva 2035 - Três Cenários para o Futuro de Leiria e Oeste’
Politécnico de Leiria propõe uma Universidade para a Região de Leiria e para o País
2025-04-01 21:23:13

Carlos Rabadão
O Instituto Politécnico de Leiria (IPLeiria) divulgou esta terça-feira, dia 1 de abril, o estudo ‘Prospetiva 2035 – Três Cenários para o Futuro de Leiria e Oeste’, que apresenta três alternativas possíveis para o futuro do território, cada uma resultante de diferentes decisões estratégicas e investimentos estruturantes a serem adotados nos próximos anos. O cenário mais otimista aponta que o Produto Interno Bruto (PIB) per capita de Leiria e Oeste poderá atingir 30.100 euros em 2035, aproximando-se de 6% do PIB nacional, caso o território adote um modelo de transformação centrado no conhecimento. O evento de apresentação do estudo teve lugar na NERLEI/CCI – Associação Empresarial da Região de Leiria – Câmara de Comércio e Indústria, em Leiria.
Promovido com o objetivo de antecipar cenários futuros para o território, identificando os desafios e oportunidades que moldarão Leiria e Oeste até 2035, o estudo insere-se nos trabalhos desenvolvidos pela Estrutura de Missão para o Desenvolvimento do Ecossistema de Leiria & Oeste (EM@IPLeiria), criada pelo Politécnico de Leiria em 2023, numa iniciativa pioneira em Portugal, que envolve mais de 800 participantes – incluindo representantes de 24 municípios, comunidades intermunicipais, empresas, instituições socioculturais e cidadãos em geral -, com o propósito de fomentar uma aliança cívica e regional de longo prazo, promovendo um território mais coeso, sustentável e gerador de bem-estar.
O estudo demonstra que Leiria e Oeste ocupa uma posição estratégica no contexto nacional, funcionando como ponte entre a Área Metropolitana de Lisboa e a Região Centro. “Este território não pode ser visto como um conjunto fragmentado de municípios, mas sim como um ecossistema regional interligado. O sucesso de Leiria e Oeste até 2035 dependerá da capacidade dos seus atores para trabalharem em conjunto”, mencionou Agostinho Silva, pró-presidente do Politécnico de Leiria e coordenador da EM@IPLeiria, durante a apresentação do estudo.

Gonçalo Lopes
O Cenário I apresentado no estudo, intitulado ‘Continuidade e desafios do modelo atual’, reflete a manutenção das dinâmicas vigentes, com uma evolução ancorada em tendências passadas e sem alterações estruturais significativas, que poderá levar a um cenário de divergência crescente, marcado pela estagnação da produtividade, dificuldade em captar talento e incapacidade de valorização da força de trabalho. Baseado na continuidade do modelo atual, o PIB per capita crescerá para 25.163 euros em 2035, o que, embora represente um crescimento moderado, manterá a região abaixo da média nacional.
Por sua vez, o Cenário II – ‘Transformação centrada na modernização e captação de talento’ baseia-se na modernização da economia regional e na captação de talento como motores de crescimento e competitividade, com os indicadores a demonstrarem melhorias na produtividade, salários, qualificação da força de trabalho e poder de compra. Neste cenário, o PIB per capita poderá atingir 27.938 euros em 2035, um acréscimo de 11% face ao cenário base, resultado da digitalização dos setores produtivos, da valorização da qualificação e da captação de talento.
Por fim, o Cenário III – ‘Transformação centrada no conhecimento’ propõe que Leiria e Oeste evolua para um verdadeiro ecossistema de inovação, ancorado numa universidade de excelência, que funcione como o motor de uma nova economia regional baseada na ciência, criatividade e colaboração interinstitucional. O PIB per capita poderá atingir 30.100 euros em 2035, representando um aumento de 19,6% em relação ao Cenário I e de 7,7% face ao Cenário II.
No Cenário III, os ganhos estimados anualmente para a região, face ao cenário de continuidade, variam entre 3,18 mil milhões de euros, em contexto de declínio populacional moderado, e 3,52 mil milhões de euros, em situação de crescimento populacional moderado, com um valor intermédio de 3,35 mil milhões de euros sob hipótese de estabilidade demográfica. Com este incremento, Leiria e Oeste aproximar-se-á de 6% do PIB nacional.
Segundo o estudo, este salto competitivo seria ancorado na criação de uma universidade de excelência, articulada com um Instituto Europeu de Inovação e Ciência, capaz de ligar conhecimento, talento e indústria, permitindo acelerar a digitalização das empresas, estimular a formação avançada, atrair investigadores e empreendedores e potenciar a emergência de setores de elevado valor acrescentado.

Agostinho Silva, coordenador do EM@IPLeiria
“Atualmente, um dos principais constrangimentos deste território é a ausência de ensino universitário na região. Sem uma universidade plena, torna-se difícil desenvolver um ecossistema de inovação robusto, capaz de gerar conhecimento, transferi-lo para o tecido económico e posicionar a região nas cadeias de valor de maior intensidade tecnológica. Este facto encontra-se plasmado no estudo”, salientou Carlos Rabadão, presidente do Politécnico de Leiria.
Para o responsável, “a criação de uma universidade pública em Leiria e Oeste é um elemento estruturante desta estratégia, funcionando como um motor de desenvolvimento científico e académico, e como alavanca para a retenção de talento e agente catalisador da produção de conhecimento local e internacional”.
Presente no evento, o ministro da Educação, Ciência e Inovação referiu que, “olhando para este território, faz sentido ter uma universidade”. “Os politécnicos têm tido um papel fundamental no nosso sistema de educação superior. Hoje, estão menos constrangidos, porque já podem conferir o grau de doutor, mas continuam limitados, porque, em termos de financiamento e de carga horária, têm um conjunto de limitações que condicionam o impacto que podem ter na região e na economia. E, por isso, percebo que se olhe para esta região e se diga: se queremos qualificação, talento e inovação, precisamos de uma instituição que tenha mais meios, opções e instrumentos para qualificar, criar conhecimento e gerar inovação.”
Sobre o estudo desenvolvido pela EM@IPLeiria, Fernando Alexandre afirmou que “não é possível mudar o país e as regiões se este tipo de exercícios não for feito”. “Mais do que uma previsão, este estudo é um objetivo para uma estratégia. Este tipo de exercícios é importante e tenho pena que não haja mais instituições e entidades a fazê-lo.”
Pedro Folgado, presidente da Comunidade Intermunicipal do Oeste, realçou que “o desenvolvimento de Leiria e Oeste exige uma visão estratégica alicerçada em dados e na antecipação de desafios”, pelo que o estudo ‘Prospetiva 2035’ é uma “ferramenta essencial para construirmos um território inteligente e preparado para responder às exigências do futuro”.
Já o presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, Gonçalo Lopes, defendeu que “a região merece e está preparada para evoluir para a dimensão universitária”. “É uma questão de justiça e de visão nacional. Somos uma das poucas regiões e capitais de distrito sem universidade. Temos centros de investigação reconhecidos e projetos de vanguarda e um tecido económico inovador e com forte expressão a nível nacional.”
Também Jorge Portugal, diretor-geral da COTEC Portugal, sustentou que “a universidade, quando ligada ao tecido empresarial, permite o desenvolvimento de formação de nível superior, a criação de conhecimento, a relação com empresas, o desenvolvimento de áreas tecnológicas avançadas e é tudo isso que, neste momento, é necessário para desenvolver a economia e o território”.
Na mesma linha, Luís Febra, presidente da NERLEI/CCI, salientou que a criação da Universidade de Leiria e Oeste é uma “evolução natural estratégica para o território, alinhando-se perfeitamente com as necessidades da região”.
O estudo ‘Prospetiva 2035 – Três Cenários para o Futuro de Leiria e Oeste’ representa a síntese da primeira fase dos trabalhos da EM@IPLeiria, que se centrou na identificação das variáveis sistémicas e dos fatores críticos de mudança, permitindo a construção dos cenários prospetivos. A segunda fase, atualmente em curso, está focada na operacionalização e monitorização de um conjunto estruturado de projetos-piloto que permitirão testar e validar soluções inovadoras para os desafios identificados.
Por fim, a terceira fase será dedicada à escala dos resultados dos projetos-piloto bem-sucedidos, consolidando as soluções validadas e promovendo a sua expansão para outros contextos dentro do território. Para isso, será potenciada a criação de um Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia, que atuará como suporte ao desenvolvimento de Parques de Ciência e Tecnologia em Leiria e Oeste.
Mais informações sobre o estudo e a EM@IPLeiria estão disponíveis em https://em.ipleiria.pt/missao-e-objetivos/.
Fonte: CA|On-It!
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