Edição: 303

Diretor: Mário Lopes

Data: 2026/2/7

Câmara Municipal de Leiria e Juntas de Freguesia do concelho partilham carta aberta à empresa

Autarcas de Leiria exigem informação detalhada das intervenções da E-Redes

Poste de alta tensão

A Câmara Municipal de Leiria e as Juntas de Freguesia do concelho partilharam este sábado uma carta aberta dirigida ao presidente do Conselho de Administração da E-REDES, exigindo informação detalhada das intervenções da E-Redes, face ao cansaço e â frustração de muitos dos seus munícipes. Recorde-se que no dia anterior, autarcas e população de várias freguesias do concelho de Pombal também manifestaram a sua insatisfação, junto aos paços do Concelho de Pombal, face ao trabalho da E-Redes, empresa que ainda mantém milhares de famílias e empresas privadas de eletricidade.

Carta aberta dirigida ao presidente do Conselho de Administração da E-REDES

“A Câmara Municipal de Leiria e as Juntas de Freguesia do concelho, reunidas hoje, dia 07 de fevereiro de 2026, dirigem-se publicamente a V. Exas. num momento particularmente exigente para o nosso território e para milhares de cidadãos que continuam privados de um serviço essencial.

Passaram já 11 dias desde o fenómeno meteorológico extremo que atingiu o concelho de Leiria e, à data de hoje, permanecem ainda mais de 20 mil contadores sem acesso a energia elétrica, sobretudo nas zonas mais rurais.

Falamos de famílias, de produtores agrícolas, de empresas locais, de lares, de pessoas isoladas e vulneráveis que continuam numa situação de grande fragilidade, muitas vezes sem qualquer informação clara sobre quando será reposta a normalidade.

Reconhecemos o esforço técnico das equipas no terreno e temos plena consciência da dimensão excecional dos danos causados. Contudo, a preocupação que hoje expressamos vai além da reposição física do serviço. Prende-se com a ausência de informação clara, regular e territorializada, mas também com a insuficiência de medidas de mitigação que permitam minimizar o impacto prolongado da interrupção do fornecimento de energia elétrica.

Num contexto de emergência, sendo a E-REDES um operador de serviço público essencial, a comunicação, a proximidade e o respeito pelas populações são responsabilidades tão relevantes quanto a intervenção técnica.

As populações têm o direito de saber:

Qual o ponto de situação concreto em cada freguesia;

Que prazos previsíveis estão a ser considerados para a reposição do serviço;

Que critérios orientam as prioridades de intervenção;

Que constrangimentos técnicos subsistem e que soluções estão a ser adotadas para os ultrapassar;

Que medidas de mitigação estão a ser acionadas para apoiar as populações enquanto a reposição não é possível, designadamente no que respeita à disponibilização de geradores ou a outras soluções temporárias.

A falta de informação objetiva, atualizada e acessível, associada à inexistência de respostas visíveis de compensação em muitas situações, tem vindo a gerar ansiedade, indignação e um sentimento crescente de abandono.

Para além dos prejuízos causados pela interrupção do fornecimento de energia elétrica, que originou perdas significativas junto de empresas e de particulares, impõe-se que os lesados sejam devidamente ressarcidos pelos danos sofridos, em moldes a clarificar pela entidade responsável, de forma justa, célere e transparente.

Enquanto autarquia e enquanto juntas de freguesia, somos o primeiro rosto institucional junto das populações. Somos nós que recebemos diariamente as chamadas, as queixas, o cansaço e a exaustão de quem já não consegue suportar mais dias sem eletricidade. É, por isso, nossa responsabilidade institucional exigir que a informação circule com transparência, regularidade e previsibilidade, e que existam mecanismos claros de articulação e apoio no terreno.

A confiança constrói-se com verdade, com dados, com presença no território e com respostas concretas às necessidades imediatas das pessoas.

Nesse sentido, consideramos indispensável:

A divulgação diária de informação pública, por freguesia, com indicação do número de contadores repostos e estimativas de normalização;

A criação de um canal direto, permanente e operacional de comunicação com o Município e com as Juntas de Freguesia, que permita partilha de informação em tempo útil e resposta coordenada às situações mais críticas;

A definição e comunicação clara de medidas de mitigação, nomeadamente a disponibilização de geradores ou outras soluções temporárias, priorizando as situações de maior vulnerabilidade;

A presença regular de responsáveis da E-REDES no território, para esclarecimento público e articulação com os representantes locais.

As populações de Leiria merecem respeito.

Merecem informação clara.

Merecem respostas.

Merecem previsibilidade.

A Câmara Municipal de Leiria e as Juntas de Freguesia mantêm-se totalmente disponíveis para colaborar, como sempre estiveram. Mas não podem aceitar que, passados 11 dias, milhares de pessoas continuem sem eletricidade, sem respostas claras e sem medidas de mitigação adequadas a um serviço absolutamente essencial à sua vida quotidiana.

É tempo de reforçar a comunicação, assumir responsabilidades, mitigar impactos e devolver confiança às populações.”

Câmara Municipal de Leiria

Juntas de Freguesia do Concelho de Leiria

Fonte: DCRP|CML

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