Edição: 304

Diretor: Mário Lopes

Data: 2026/3/14

Após declarações do ministro Nuno Melo

Câmara de Leiria agradece cooperação com as Forças Armadas enquadrada com o dispositivo da proteção civil.

Paços do Concelho de Leiria

Na sequência das declarações esta quinta-feira proferidas pelo ministro da Defesa Nacional na Assembleia da República, Nuno Melo, o Município de Leiria considera importante esclarecer, com rigor factual, a sequência de acontecimentos ocorrida durante os dias mais críticos da tempestade Kristin.

Durante esse período, o concelho registou milhares de ocorrências e mobilizou um dispositivo operacional de grande dimensão, que chegou a integrar mais de 700 operacionais no concelho, que, nesse período, ficou privado de eletricidade e comunicações.

Todas as decisões relativas ao empenhamento de meios foram tomadas exclusivamente com base em critérios operacionais e em articulação permanente com as entidades presentes no Posto de Comando. A cooperação com as Forças Armadas existiu desde o primeiro momento e foi sempre enquadrada na gestão do dispositivo de proteção civil. Para que não subsistam dúvidas, importa esclarecer a cronologia dos acontecimentos.

Linha temporal da cooperação operacional

28 de janeiro

Instalação do Posto de Comando no concelho de Leiria.

Início da coordenação operacional com todas as entidades de proteção e socorro.

Início do fornecimento de refeições a operacionais e militares nas instalações do Seminário de Leiria, assegurado pelo Município e por voluntários.

Realização de briefings operacionais diários às 08h00 e às 18h00, com presença de oficiais de ligação das diversas entidades.

28 e 29 de janeiro

O Município de Leiria estabeleceu contactos diretos com as unidades militares sediadas no concelho – Regimento de Artilharia n.º 4 (RA4) e Base Aérea n.º 5 (BA5), bem como através do Comando Sub-Regional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.

Esses contactos tiveram como objetivo avaliar a possibilidade de mobilização de meios militares.

Devido aos danos provocados pela tempestade nas próprias instalações militares e às dificuldades de comunicação registadas nesses dias, não foi possível mobilizar meios dessas unidades.

Desde os primeiros dias da operação

A primeira força militar a entrar no concelho foi a Marinha, através de fuzileiros, mobilizados na sequência de contacto direto entre o Estado-Maior da Armada e o Município de Leiria.

Posteriormente, representantes dos diferentes ramos das Forças Armadas integraram o dispositivo de coordenação através de oficiais de ligação no Posto de Comando.

1 e 2 de fevereiro

Foi avaliada a possibilidade de empenhamento de militares para vigilância de geradores devido a furtos registados.

O dispositivo operacional entendeu não ser necessário esse reforço, uma vez que PSP e GNR tinham sido reforçadas desde 29 de janeiro e mantinham capacidade de resposta no concelho.

Considerou-se que esses meios poderiam ser mais úteis noutros territórios afetados.

2 de fevereiro

Foi equacionada a disponibilização de drones aéreos.

Nesse momento, o dispositivo já dispunha de meios próprios e equipamentos da Unidade Especial de Proteção e Socorro da GNR, pelo que essa capacidade adicional não foi considerada necessária nesse dia, tendo vindo a ser utilizada posteriormente.

3 de fevereiro

Foi proposta a instalação de uma cozinha de campanha.

A proposta não foi considerada necessária, uma vez que desde 28 de janeiro o Município assegurava o fornecimento regular de refeições a operacionais e militares nas instalações do Seminário de Leiria, sem qualquer constrangimento logístico.

Importa referir que vários militares empenhados no concelho e em concelhos vizinhos realizaram as suas refeições nesse espaço.

Foi também proposta a mobilização de um reforço adicional de mais de 90 militares da Marinha.

Nessa data, o dispositivo já contava com cerca de 90 fuzileiros integrados nas operações, inseridos num contingente global superior a 700 operacionais no terreno.

Considerou-se, por isso, que esse reforço poderia ser mais útil noutros concelhos afetados, o que veio a acontecer.

O município de Leiria refere igualmente que os meios militares que vieram a ser empenhados entraram num concelho onde o dispositivo de coordenação já se encontrava plenamente montado e em funcionamento, com Posto de Comando ativo, comunicações estabelecidas e capacidade logística assegurada pelo Município, incluindo combustível, alimentação e equipamentos disponibilizados para apoio às missões que vieram a ser executadas.

Durante toda a operação, o Município de Leiria manteve uma articulação permanente com as Forças Armadas, tendo recebido no Posto de Comando representantes dos diferentes ramos militares, incluindo elementos do Estado-Maior.

Nessas ocasiões, o Município fez questão de expressar o seu reconhecimento e agradecimento pelo empenhamento dos militares no apoio às populações.

O Município de Leiria reafirma o profundo respeito institucional pelas Forças Armadas e pelo contributo que prestaram durante este período particularmente exigente.

Num momento em que o concelho continua empenhado na recuperação do território e no apoio às populações afetadas, o essencial deve permanecer na cooperação institucional que sempre caracterizou a resposta a esta emergência.

Fonte: DCRP|CML

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