{"id":11612,"date":"2021-12-06T16:48:31","date_gmt":"2021-12-06T16:48:31","guid":{"rendered":"https:\/\/tintafresca.net\/?p=11612"},"modified":"2021-12-06T23:15:30","modified_gmt":"2021-12-06T23:15:30","slug":"coordenadora-do-be-garante-que-novo-hospital-da-cuf-vai-debilitar-o-hospital-de-leiria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/2021\/12\/06\/coordenadora-do-be-garante-que-novo-hospital-da-cuf-vai-debilitar-o-hospital-de-leiria\/","title":{"rendered":"Coordenadora do BE garante que novo hospital da CUF vai debilitar o Hospital de Leiria"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_11614\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11614\" class=\"wp-image-11614 size-full\" src=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Leiria_BE_CATARINA_MARTINS10.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"402\" srcset=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Leiria_BE_CATARINA_MARTINS10.jpg 500w, https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Leiria_BE_CATARINA_MARTINS10-300x241.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><p id=\"caption-attachment-11614\" class=\"wp-caption-text\">Catarina Martins<\/p><\/div>\n<p>A coordenadora do Bloco de Esquerda esteve presente, no dia 1 de dezembro, em Leiria, na apresenta\u00e7\u00e3o dos candidatos do partido \u00e0s elei\u00e7\u00f5es parlamentares de 30 de janeiro. Ricardo Vicente volta a ser o cabe\u00e7a de lista, criticando a forma como o Governo PS deixou arrastar os problemas do distrito, da sa\u00fade ao ambiente, dos transportes \u00e0 agricultura. Contudo, coube a Catarina Martins dirigir as cr\u00edticas mais contundentes ao Governo PS, a quem acusou de estar ref\u00e9m dos interesses privados na sa\u00fade e alertou que o anunciado Hospital da CUF na capital de distrito ir\u00e1 retirar mais recursos ao Centro Hospitalar de Leiria, que j\u00e1 enfrenta s\u00e9rias dificuldades a n\u00edvel de profissionais de sa\u00fade e de equipamentos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, e do cabe\u00e7a de lista, Ricardo Vicente, intervieram na sess\u00e3o, que teve lugar num hotel de Leiria, Rafael Henriques (M\u00e9dico e mandat\u00e1rio), Lu\u00eds Silva (Gestor de Leiria) e Lina \u00a0Oliveira (Professora de Pombal).<\/p>\n<p>Na sua interven\u00e7\u00e3o, Ricardo Vicente garantiu que \u201cPortugal \u00e9 um dos pa\u00edses do mundo onde as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas se far\u00e3o sentir mais fortemente. Segundo o Portal do Clima, as previs\u00f5es indicam uma subida de 14 para 18\u00baC na regi\u00e3o de Leiria at\u00e9 ao final do s\u00e9culo. No distrito de Leiria e no Pa\u00eds crescem fen\u00f3menos extremos como a seca, as ondas de calor, os tornados e os dil\u00favios, mas tamb\u00e9m a subida dos n\u00edveis m\u00e9dios das \u00e1guas do mar, a eros\u00e3o costeira, a frequ\u00eancia e a perigosidade dos inc\u00eandios rurais, entre outros.\u201d<\/p>\n<p>Para o deputado do Bloco de Esquerda, \u201ceste n\u00e3o \u00e9 um desafio apenas para o futuro, as gera\u00e7\u00f5es atuais s\u00e3o as primeiras a sofrer as consequ\u00eancias das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e a \u00fanicas que podem atrasar este desastre. O Parlamento aprovou agora a Primeira Lei do Clima em Portugal e o Bloco teve um papel essencial na sua constru\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma lei mais recuada do que o que propusemos, nas suas metas, mas o movimento social ganhou esta guerra. A nova lei consolida essa vit\u00f3ria, orgulhamo-nos disso, fizemos um bom trabalho e contamos com todas as pessoas.\u201d<\/p>\n<p>No setor dos transportes, Ricardo Vicente acusou o Partido Socialista e o seu Governo de prezarem \u201cmais o neg\u00f3cio rodovi\u00e1rio da empresa privada Barraqueiro do que o transporte p\u00fablico ferrovi\u00e1rio. S\u00f3 isso justifica o desprezo pela Linha do Oeste. Neste momento decorrem obras na linha entre Sintra e Torres Vedras. Concretiza-se um plano med\u00edocre do Governo que mant\u00e9m a linha mais lenta que os autocarros da Barraqueiro e, por isso, ficar\u00e1 sem passageiros.\u201d<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 requalifica\u00e7\u00e3o de Torres Vedras at\u00e9 Caldas da Rainha, o candidato assegura que segue o mesmo plano. J\u00e1 teve concurso p\u00fablico h\u00e1 mais de um ano, mas n\u00e3o se conhecem resultados. \u201cPelo andar da carruagem, ainda se perdem os fundos comunit\u00e1rios e a obra fica por fazer porque o prazo de execu\u00e7\u00e3o termina em 2023\u201d, alertou.<\/p>\n<p>Ricardo Vicente garante que \u201cn\u00e3o faltou or\u00e7amento ao Governo do Partido Socialista para tratar deste assunto\u201d, arrastado v\u00e1rios anos consecutivos. \u201cFoi mesmo falta de vontade: enquanto a Barraqueiro aplaude, o PS tapa o sol com a peneira e anuncia TGV\u2019s para Leiria. Os an\u00fancios e as promessas fazem muitas not\u00edcias, s\u00e3o at\u00e9 frequentemente previstas em lei, mas as inten\u00e7\u00f5es n\u00e3o passam disso mesmo, quanto mais de uma solu\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Relativamente \u00e0s matas nacionais do distrito que arderam em 2017, Ricardo Vicente recorda que \u201cvieram ministros plantar \u00e1rvores que n\u00e3o pegaram, secret\u00e1rios de Estado anunciar investimentos que n\u00e3o se concretizaram, uma comiss\u00e3o cient\u00edfica constitu\u00edda a convite do Governo para produzir recomenda\u00e7\u00f5es que foram ignoradas pelo pr\u00f3prio. Um observat\u00f3rio do Pinhal do Rei cunhado pelo Governo e dirigido pela C\u00e2mara Municipal da Marinha Grande que n\u00e3o sabemos se observa alguma coisa, mas sabemos que n\u00e3o reage\u201d e, \u201cquatro anos depois do inc\u00eandio, o Plano de Gest\u00e3o Floresta da Mata Nacional de Leiria ainda \u00e9 o de 2010.\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_11615\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11615\" class=\"wp-image-11615\" src=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Leiria_BE_Ricardo_Vicente.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Leiria_BE_Ricardo_Vicente.jpg 500w, https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Leiria_BE_Ricardo_Vicente-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-11615\" class=\"wp-caption-text\">Ricardo Vicente<\/p><\/div>\n<p>O candidato do BE conclui que, \u201cpor isso, os trabalhos decorridos e os an\u00fancios de investimento de milh\u00f5es de euros s\u00e3o inconsistentes, incoerentes e sem vis\u00e3o de conjunto.\u201d N\u00e3o obstante, \u201co Parlamento aprovou v\u00e1rias propostas do Bloco de Esquerda suportadas por recomenda\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. Durante todos estes anos n\u00e3o faltou or\u00e7amento ao Governo, faltou mesmo foi vontade pol\u00edtica para construir o necess\u00e1rio compromisso de longo prazo para recuperar este patrim\u00f3nio.\u201d<\/p>\n<p>Ainda sobre os inc\u00eandios de 2017, segundo Ricardo Vicente, \u201ch\u00e1 um memorial inteiro \u00e0 incompet\u00eancia do Governo no que diz respeito \u00e0 pol\u00edtica florestal e \u00e0 preven\u00e7\u00e3o de inc\u00eandios. Trata-se de um mar de eucaliptos que reconquistou as terras aren\u00edticas e expandiu a sua \u00e1rea mantendo a natureza invasora desta esp\u00e9cie. O Governo n\u00e3o construiu pol\u00edtica p\u00fablica para lhe responder. Os planos regionais de ordenamento florestal foram atualizados em 2019 com base estat\u00edstica de 2015, ignorando as \u00e1reas destru\u00eddas pelos grandes inc\u00eandios.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u201cas popula\u00e7\u00f5es dos concelhos mais afetados, como s\u00e3o exemplo Pedr\u00f3g\u00e3o Grande e Castanheira de Pera correm novos riscos de inc\u00eandio que resultam da grande acumula\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis em vastas \u00e1reas que n\u00e3o tiveram qualquer interven\u00e7\u00e3o desde ent\u00e3o. Os pequenos agricultores e produtores florestais precisam de apoio para garantir a diversifica\u00e7\u00e3o da floresta atrav\u00e9s da gest\u00e3o coletiva, precisam de apoio para n\u00e3o abandonar os campos agr\u00edcolas que protegem as popula\u00e7\u00f5es contra inc\u00eandios, precisam de apoio para manter pr\u00e1ticas agroflorestais e de pastor\u00edcia que prestam servi\u00e7os essenciais.\u201d<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m neste setor, \u201cn\u00e3o foi por falta de or\u00e7amento que estas medidas ficaram por tomar. Ali\u00e1s, hoje o Governo tem em consulta p\u00fablica o plano estrat\u00e9gico da nova pol\u00edtica agr\u00edcola comum e j\u00e1 se percebeu para onde v\u00e3o os mais de 10 mil milh\u00f5es de euros que est\u00e3o dispon\u00edveis at\u00e9 2027. V\u00e3o novamente para grandes latifundi\u00e1rios a sul do Tejo, onde se entregam 10 vezes mais subs\u00eddios por trabalhador agr\u00edcola do que nas regi\u00f5es mais afetadas pelos grandes inc\u00eandios\u201d, acusou.<\/p>\n<p>Ricardo Vicente sublinhou que \u201co abandono da atividade agr\u00edcola e \u00a0pastor\u00edcia e a uniformiza\u00e7\u00e3o da paisagem pela monocultura do eucalipto e pinheiro bravo s\u00e3o os principais fatores de risco estrutural para a ocorr\u00eancia de m\u00e9dio inc\u00eandios. A proposta do Governo dedica apenas 60 milh\u00f5es de euros para as \u00e1reas afetadas e, para termo de compara\u00e7\u00e3o, trata-se de um valor equivalente aos subs\u00eddios previstos para os poucos, mas grandes, produtores de vinho.\u201d<\/p>\n<p>Assim, \u201cn\u00e3o foi nem ser\u00e1 por falta de or\u00e7amento que n\u00e3o se previnem inc\u00eandios. O que temos mesmo \u00e9 um enorme hist\u00f3rico de neglig\u00eancia e de permeabilidade dos governos aos grandes interesses privados. No Bloco, temos constru\u00eddo e at\u00e9 aprovado propostas s\u00f3lidas para mudar isto, mas precisamos de mais for\u00e7a para que sejam executadas\u201d, frisou.<\/p>\n<p>\u201cPor fim, mas n\u00e3o menos importante\u201d, referiu o deputado, \u201caprov\u00e1mos recentemente no Parlamento um projeto de resolu\u00e7\u00e3o para despoluir toda a bacia hidrogr\u00e1fica do Lis, para travar as contamina\u00e7\u00f5es provenientes das suiniculturas, da ind\u00fastria e dos res\u00edduos urbanos. Neste caminho, como em tempos o Governo e o pr\u00f3prio PS reconheceram, \u00e9 necess\u00e1rio construir uma esta\u00e7\u00e3o de tratamento de tratamento e valoriza\u00e7\u00e3o de res\u00edduos suin\u00edcolas de propriedade e gest\u00e3o p\u00fablicas que cobre aos suinicultores os custos de tratamento numa solu\u00e7\u00e3o coletiva que cubra a totalidade das suas necessidades.\u201d<\/p>\n<p>Para tal, \u201co Governo atribuiu um milh\u00e3o de euros \u00e0 empresa \u00c1guas de Portugal para fazer os estudos pr\u00e9vios, mas os mesmos nunca foram conhecidos, apesar do Bloco os ter requerido. Depois de ter colocado autarcas e suinicultores de acordo com a solu\u00e7\u00e3o, o Governo desistiu da solu\u00e7\u00e3o. Vieram a Leiria anunciar que o problema tinha de ser resolvido pela iniciativa privada e que haveria 20 milh\u00f5es de euros em apoios p\u00fablicos para esse projeto. Valor equivalente ao estimado para construir a esta\u00e7\u00e3o de tratamento na regi\u00e3o, mas depois viemos a saber que esse apoio era para todo o pa\u00eds e para toda a produ\u00e7\u00e3o animal. Numa reuni\u00e3o na semana passada, soubemos que as inten\u00e7\u00f5es da iniciativa privada n\u00e3o superaram sequer as poucas verbas dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>Ricardo Vicente terminou recordando que, durante estes dois anos, participou de um grupo parlamentar que esteve na rua em contacto com a popula\u00e7\u00e3o e as organiza\u00e7\u00f5es locais. Identificou problemas, estudou e construiu solu\u00e7\u00f5es para al\u00e9m das fronteiras de um partido. \u201cFizemos um caminho de que nos orgulhamos, somos um partido de raz\u00f5es fortes e compromissos claros, \u00e9 nessa base que nos apresentamos agora a elei\u00e7\u00f5es, \u00e9 dessa forma que convidamos agora os leirienses e todo o distrito para fazer esse caminho connosco. Estamos prontos, vamos \u00e0 luta\u201d, concluiu.<\/p>\n<p><strong>\u00a0 \u00a0 Catarina Martins: &#8220;N\u00e3o aceitamos a chantagem para que tudo fique na mesma&#8221;<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_11625\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11625\" class=\"wp-image-11625 size-full\" src=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Leiria_BE10.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Leiria_BE10.jpg 500w, https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Leiria_BE10-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><p id=\"caption-attachment-11625\" class=\"wp-caption-text\">Sess\u00e3o contou com cerca de uma centena de militantes<\/p><\/div>\n<p>Catarina Martins iniciou a sua interven\u00e7\u00e3o recordando que na semana anterior esteve em Guif\u00f5es, no Parque Oficinal da CP, que est\u00e1 a reparar carruagens para haver mais comboios a circular, fruto tamb\u00e9m do trabalho do ex-deputado Heitor de Sousa. Estre trabalho \u201cpode ainda n\u00e3o ter chegado \u00e0 Linha do Oeste mas o Bloco n\u00e3o desiste. Aquele Plano Ferrovi\u00e1rio Nacional que o BE fez e de que o Heitor de Sousa foi autor como ningu\u00e9m, debatendo em todo o Pa\u00eds, j\u00e1 se v\u00ea na vida concreta de tanta gente e na ferrovia em Portugal.\u201d<\/p>\n<p>Relativamente \u00e0 prospe\u00e7\u00e3o de hidrocarbonetos, que motivou protestos de populares nos \u00faltimos anos no concelhos de Leiria (Bajouca) e Batalha, a coordenadora do Bloco de Esquerda recordou que \u201cRicardo Vicente esteve na luta ativista contra a prospe\u00e7\u00e3o aqui no Distrito de Leiria, esteve como deputado a levantar-se pela Lei do Clima que pro\u00edbe toda a prospe\u00e7\u00e3o futura e que diz aquilo que tem de ser dito: (o g\u00e1s) deve ficar no ch\u00e3o. A urg\u00eancia clim\u00e1tica est\u00e1 aqui, n\u00e3o precisamos de explorar mais combust\u00edveis f\u00f3sseis, o que precisamos \u00e9 de alternativas.\u201d<\/p>\n<p>Catarina Martins recordou que esta sess\u00e3o se realizou no feriado 1\u00ba de Dezembro, retirado durante o Governo da coliga\u00e7\u00e3o PSD\/CDS. Nessa altura, \u201cparecia tudo t\u00e3o dif\u00edcil. N\u00e3o era poss\u00edvel acabar com os cortes da Troika, n\u00e3o era poss\u00edvel repor feriados, n\u00e3o era poss\u00edvel fazer nada. Empobrecer e cortar era o \u00fanico futuro para o Pa\u00eds e foi poss\u00edvel fazer diferente quando a Esquerda teve for\u00e7a para impor essa diferen\u00e7a. Foi poss\u00edvel fazer diferente, n\u00e3o s\u00f3 a desfazer boa parte dos cortes da Troika, mas tamb\u00e9m naquilo que se avan\u00e7ou contra o que o PS tinha no seu programa.\u201d<\/p>\n<p>E exemplificou: \u201cEm 2015, quando fomos debater solu\u00e7\u00f5es para o Pa\u00eds, o que o PS queria era operar cortes nas pens\u00f5es atrav\u00e9s de um congelamento permanente que tiraria um m\u00eas de pens\u00e3o a cada pensionista ao longo da legislatura. Isso n\u00e3o aconteceu porque a esquerda teve for\u00e7a para o contrariar e isso faz toda a diferen\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>Catarina Martins defendeu que \u201cprecisamos de mudar o que \u00e9 estrutural para que a vida das pessoas seja respeitada\u201d e questionou: \u201cQuantas pessoas em Portugal n\u00e3o ganham um sal\u00e1rio que \u00e9 inferior \u00e0 renda da casa? Precisamos de medidas corajosas de combate \u00e0 especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, de combate ao neg\u00f3cio que torna as casas em pre\u00e7os proibitivos e retira o direito fundamental \u00e0 habita\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>A deputada questionou: \u201cPodemos n\u00f3s sem dizermos aos patr\u00f5es que est\u00e1 na altura de equilibrar a balan\u00e7a, que n\u00e3o tem sentido que o sal\u00e1rio m\u00e9dio seja cada vez mais colado ao sal\u00e1rio m\u00ednimo?\u201d, acrescentando que \u201co sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e9 de mis\u00e9ria, n\u00e3o podemos esquecer nunca. Uma m\u00e3e que trabalha a tempo inteiro e ganha o sal\u00e1rio m\u00ednimo e tem um filho vive em situa\u00e7\u00e3o de pobreza. O sal\u00e1rio m\u00ednimo em Portugal n\u00e3o tira quem trabalha da pobreza.\u201d<\/p>\n<p>Contudo, \u201co sal\u00e1rio m\u00ednimo precisa de subir e os outros sal\u00e1rios tamb\u00e9m. Tem sentido quem trabalha h\u00e1 d\u00e9cadas ter o seu sal\u00e1rio congelado? Gera\u00e7\u00f5es fizeram tudo para que os seus filhos pudessem estudar e ter uma vida melhor, agora vivem com o cora\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os porque, mesmo com todas as qualifica\u00e7\u00f5es e todo o esfor\u00e7o, os seus filhos n\u00e3o saem do sal\u00e1rio de mis\u00e9ria e da precariedade que lhes adia a vida. Um em cada tr\u00eas jovens pensa emigrar porque s\u00f3 assim ser\u00e1 respeitado no seu trabalho\u201d, sublinhou.<\/p>\n<p>Relativamente \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o, Catarina Martins recordou que \u201c30 mil alunos e alunas em Portugal est\u00e3o neste momento sem aulas por falta de professores. Porque os sal\u00e1rios s\u00e3o t\u00e3o baixos e a carreira \u00e9 t\u00e3o maltratada que gera\u00e7\u00f5es mais jovens desistiram de ser professores. Quando se diz que h\u00e1 vagas de professores que ficam por preencher, talvez ningu\u00e9m diga que a vaga oferece t\u00e3o pouco dinheiro que n\u00e3o paga a renda na terra para onde o professor teria de se deslocar para a\u00ed dar aulas.\u201d<\/p>\n<p>A coordenadora do BE lembrou que, \u201cem 2019, o PS fez a chantagem m\u00e1xima sobre a carreira dos professores, dizendo que se uma lei que respeitava os professores fosse aprovada o Governo se demitiria e haveria elei\u00e7\u00f5es antecipadas. Na altura, o PSD fez uma cambalhota e desdisse o que tinha votado antes para fazer a vontade ao PS e a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 hoje termos 30 mil alunos sem professores.\u201d<\/p>\n<p>E conclui que \u201ca chantagem da pol\u00edtica que paralisa o Pa\u00eds n\u00e3o nos serve. E \u00e9 por isso que n\u00f3s sabemos que, vivendo um momento dif\u00edcil e indo a umas elei\u00e7\u00f5es que n\u00e3o desej\u00e1mos, vamos com esta convic\u00e7\u00e3o e determina\u00e7\u00e3o m\u00e1xima de que n\u00e3o desistimos de Portugal. N\u00e3o adiamos as nossas vidas. E a chantagem de que fique tudo na mesma n\u00e3o pode nunca ser aceite.\u201d<\/p>\n<p>Relativamente \u00e0 pol\u00edtica salarial em Portugal, defendeu que \u201dtoda a gente sabe que o problema n\u00e3o \u00e9 se o Pa\u00eds pode pagar melhores sal\u00e1rios, o problema \u00e9 que est\u00e1 desequilibrado e os rendimentos do trabalho valem menos na riqueza do nosso pa\u00eds que no resto dos pa\u00edses da Europa.\u201d<\/p>\n<p>O setor da Sa\u00fade foi o \u00faltimo, mas foi aquele em que Catarina Martins mais se debru\u00e7ou, admitindo que \u201c\u00e9 preciso ter contas certas na sa\u00fade, as contas de saber onde se investe. Por isso, o BE recusa \u201ca mentira da Direita de que tanto faz quem presta o cuidado, seja p\u00fablico ou privado, o que interessa \u00e9 que haja o cuidado de sa\u00fade\u201d, recordando que muitos hospitais privados fecharam no in\u00edcio da pandemia ou enquanto n\u00e3o negociaram os pre\u00e7os dos tratamentos, tendo de ser o SNS a responder em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Catarina Martins recordou a \u201cproposta generosa de Ant\u00f3nio Arnaut, pai do SNS, e Jo\u00e3o Semedo, ex-coordenador do BE\u201d, que se \u201cjuntaram para propor ao Pa\u00eds uma nova Lei de Bases da Sa\u00fade. E n\u00e3o o fizeram porque estava tudo bem e queriam dar uma coisa nova, fizeram-no porque estava j\u00e1 tudo mal. No or\u00e7amento da Sa\u00fade, boa parte do dinheiro n\u00e3o vai para o SNS, vai para os privados.&#8221; A deputada recusa a ideia de que o sistema de sa\u00fade privado tenha como primeiro objetivo tratar da sa\u00fade dos portugueses, recordando que j\u00e1 algu\u00e9m disse que \u201cmelhor neg\u00f3cio que a sa\u00fade, s\u00f3 o armamento. Sempre que podem chantagear com os pre\u00e7os fazem-no.\u201d<\/p>\n<p>A coordenadora do Bloco de Esquerda adiantou que, \u201cantes da Lei de Bases da Sa\u00fade, j\u00e1 40% do or\u00e7amento do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade ia para os privados. Contudo, desde que a Lei foi aprovada em 2019 nada foi feito e n\u00e3o foi por causa da da pandemia porque a pandemia s\u00f3 fez mais press\u00e3o sobre o SNS. Em 2020, no pior ano da pandemia, ficaram por executar na sa\u00fade 700 milh\u00f5es de euros. No ano pior da pandemia, o PS decidiu poupar 700 milh\u00f5es de euros na sa\u00fade! E \u00e9 por isso que o BE disse que n\u00e3o era poss\u00edvel continuar a fechar os olhos, nunca fech\u00e1mos, como poder\u00edamos n\u00f3s aceitar or\u00e7amentos que n\u00e3o eram para valer e n\u00e3o tinham as regras de que o SNS precisava?, questionou.<\/p>\n<p>A oradora sublinhou ainda que \u201ca Lei de Bases da Sa\u00fade previa internalizar meios complementares de diagn\u00f3stico no SNS, mas todos anos o Governo gasta 500 milh\u00f5es de euros com servi\u00e7os privados porque n\u00e3o se compram os equipamentos de que o SNS precisa. No Hospital de Set\u00fabal, gasta-se a cada dois anos em resson\u00e2ncias magn\u00e9ticas encomendadas aos privados o que daria para comprar uma m\u00e1quina nova, que n\u00e3o deixam o hospital de Set\u00fabal comprar.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u201cenquanto n\u00e3o se contratam m\u00e9dicos ou n\u00e3o se d\u00e1 carreiras aos m\u00e9dicos para que eles queiram ficar no SNS, gastam-se 130 mil\u00f5es de euros em recibos verdes de empresas prestadoras de servi\u00e7os. A ministra da Sa\u00fade j\u00e1 veio reconhecer no Parlamento que aquilo que gasta com as empresas prestadoras de servi\u00e7os dava para contratar 3500 m\u00e9dicos, que podiam estar dedicados ao SNS! 54% do or\u00e7amento dos hospitais privados s\u00e3o pagos pelo Estado. 70% da fatura\u00e7\u00e3o das cl\u00ednicas de an\u00e1lises e meios complementares de diagn\u00f3stico s\u00e3o pagos pelo Or\u00e7amento de Estado.\u201d<\/p>\n<p>Para Catarina Martins, \u201c\u00e9 aqui que estamos, um SNS a ser drenado para os privados porque o PS se recusa a mudar as regras. E n\u00e3o \u00e9 porque n\u00e3o haja dinheiro, porque os milh\u00f5es que saem todos os dias do OE para os hospitais privados, para os laborat\u00f3rios e empresas de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os dava perfeitamente para oferecer carreiras dignas, de exclusividade, a todos os profissionais de sa\u00fade e assim oferecer os melhores cuidados de sa\u00fade.\u201d<\/p>\n<p>Relativamente \u00e0 cidade de Leiria, \u201conde j\u00e1 h\u00e1 tanta press\u00e3o do setor privado da sa\u00fade\u201d, recordou que \u201ca CUF vai abrir uma cl\u00ednica para fazer an\u00e1lises j\u00e1 para o ano e um hospital em 2025\u201d, concluindo que \u201cquando eles dizem que v\u00e3o fazer um investimento de 50 milh\u00f5es de euros, o que est\u00e3o a dizer \u00e9 que o Estado lhes vai pagar muito mais do que aqueles 50 milh\u00f5es de euros e deix\u00e1-los drenar os recursos do Hospital de Leiria, que j\u00e1 tem t\u00e3o poucos recursos neste momento.\u201d<\/p>\n<p>Para Catarina Martins, \u201c\u00e9 por isso que \u00e9 preciso mudar as regras. N\u00e3o podemos aceitar que no Hospital de Leiria n\u00e3o haja m\u00e9dicos suficientes para todos os turnos, n\u00e3o podemos encolher os ombros quando os enfermeiros assinam termos de desresponsabiliza\u00e7\u00e3o porque t\u00eam trabalho a mais para o que podem fazer. Ao mesmo tempo que n\u00e3o damos carreiras a estes m\u00e9dicos e estes enfermeiros para poderem trabalhar, contratualizamos com os privados, que assim enriquecem os bolsos e v\u00e3o abrir unidades exatamente ao lado dos hospitais p\u00fablicos, que ficam degradados por n\u00e3o haver o investimento necess\u00e1rio.\u201d<\/p>\n<p>A coordenadora do BE aponta o dedo a l\u00f3bis da sa\u00fade privada dentro do PS: \u201cSabemos bem o que est\u00e1 em jogo, sabemos que o neg\u00f3cio privado da sa\u00fade est\u00e1 \u00e0 espera que a pandemia provoque uma degrada\u00e7\u00e3o do SNS para depois contratualizar cada vez mais servi\u00e7os ao Estado e ficar maior, enquanto o SNS definha. E na verdade o PS tem sido c\u00famplice desta estrat\u00e9gia de preda\u00e7\u00e3o do SNS pelo setor privado. E n\u00e3o h\u00e1 nisto nenhuma surpresa. Sabemos que \u00d3scar Gaspar, o representante dos hospitais privados, foi secret\u00e1rio de Estado da Sa\u00fade num dos governos do PS. Sabemos que um dos nomes grandes do PS, Germano de Sousa, ter\u00e1 ganho muito dinheiro em laborat\u00f3rios tamb\u00e9m com a pandemia. Mas sabemos tamb\u00e9m que h\u00e1 um povo em Portugal que n\u00e3o dispensa o seu SNS e que h\u00e1 muitos socialistas que se batem tamb\u00e9m pelo SNS.\u201d<\/p>\n<p>A concluir, Catarina Martins assegurou que \u201cn\u00e3o desistimos de nada do nosso programa, mas aqui estaremos para todas as maiorias que melhorem a vida do Pa\u00eds. Como sempre fizemos, com toda a exig\u00eancia. O que n\u00e3o aceitamos \u00e9 a chantagem para que tudo fique na mesma. O Pa\u00eds sabe que nada vai mudar se tiver uma maioria absoluta do PS, que sabe que com a Direita nunca haver\u00e1 nenhuma solu\u00e7\u00e3o para nada do que conta porque a Direita tem sido a destrui\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds e que sabe que vai ser a for\u00e7a da Esquerda e do BE que vai ser capaz de criar solu\u00e7\u00f5es no Pa\u00eds. N\u00e3o desistimos, estamos aqui lado a lado a construir as solu\u00e7\u00f5es que se imp\u00f5em todos os dias. N\u00e3o adiamos Portugal, temos pressa\u201d, concluiu.<\/p>\n<p><strong>Lista de candidatos do Bloco de Esquerda pelo C\u00edrculo Eleitoral de Leiria<\/strong><\/p>\n<p>1- Ricardo Vicente, 37 A, engenheiro agr\u00f3nomo, deputado do BE<\/p>\n<p>2- Lina Oliveira, 53 A, professora, de Pombal<\/p>\n<p>3- Carlos Ubaldo, 57 A, professor, das Caldas da Rainha,<\/p>\n<p>4- Telma Ferreira, 34 A, artista pl\u00e1stica, da Nazar\u00e9<\/p>\n<p>5- Lu\u00eds Silva, 31 A, gestor de clientes, de Leiria<\/p>\n<p>6- C\u00e9lia Carvalheiro, 50 A, engenheira civil, de Pombal<\/p>\n<p>7- Pedro Luzio, 23 A, t\u00e9cnico de inform\u00e1tica, da Marinha Grande<\/p>\n<p>8- Ana Rita Vieira, 28 A, psic\u00f3loga, de Leiria<\/p>\n<p>9- Ant\u00f3nio Moniz, 64 A, professor universit\u00e1rio, de Peniche<\/p>\n<p>10- Ana Bernardes, 64 A, economista, de Leiria<\/p>\n<p>11- Jorge Ribeiro, 55 A, professor, da Nazar\u00e9<\/p>\n<p>12- Manuela Pereira, 65 anos, gestora comercial, de Leiria<\/p>\n<p>13- Francisco Matos, 45 A, professor, das Caldas da Rainha<\/p>\n<p>14- Leopoldina Manteigas, 60 A, professora, de Peniche<\/p>\n<p>15- Jorge Ferreira, 44 A, t\u00e9cnico de audiovisuais, de Pombal<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0M\u00e1rio Lopes\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A coordenadora do Bloco de Esquerda esteve presente, no dia 1 de dezembro, em Leiria, na apresenta\u00e7\u00e3o dos candidatos do partido \u00e0s elei\u00e7\u00f5es parlamentares de 30 de janeiro. Ricardo Vicente volta a ser o cabe\u00e7a de lista, criticando a forma como o Governo PS deixou arrastar os problemas do distrito, da sa\u00fade ao ambiente, dos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11616,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,6,11],"tags":[],"class_list":["post-11612","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ambiente","category-saude","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11612","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11612"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11612\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11646,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11612\/revisions\/11646"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11616"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11612"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11612"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11612"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}