{"id":13633,"date":"2022-02-10T23:24:11","date_gmt":"2022-02-10T23:24:11","guid":{"rendered":"https:\/\/tintafresca.net\/?p=13633"},"modified":"2022-02-10T23:24:35","modified_gmt":"2022-02-10T23:24:35","slug":"a-luta-continua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/2022\/02\/10\/a-luta-continua\/","title":{"rendered":"A Luta Continua"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_13635\" style=\"width: 339px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-13635\" class=\"wp-image-13635 size-full\" src=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Angelo_Alves.jpg\" alt=\"\" width=\"329\" height=\"335\" \/><p id=\"caption-attachment-13635\" class=\"wp-caption-text\">\u00c2ngelo Alves<\/p><\/div>\n<p>Os resultados das recentes elei\u00e7\u00f5es legislativas conduzem-nos a v\u00e1rias reflex\u00f5es que v\u00e3o muito pra l\u00e1 da simples contabilidade eleitoral.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio em primeiro lugar aprofundar a ess\u00eancia e o conte\u00fado das op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que estiveram em confronto nestas elei\u00e7\u00f5es, algo que infelizmente esteve muito arredado da discuss\u00e3o medi\u00e1tica durante a campanha eleitoral e que foi centrada numa mera discuss\u00e3o de \u201ccen\u00e1rios\u201d partid\u00e1rios despidos de op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas concretas.<\/p>\n<p>E para analisar essa quest\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio voltar a Outubro de 2015, na noite eleitoral, quando o Secret\u00e1rio-Geral do PCP afirmou \u201co PS s\u00f3 n\u00e3o ser\u00e1 governo se n\u00e3o quiser\u201d. A postura do PCP que deu express\u00e3o \u00e0 vontade da maioria dos portugueses, permitiu a interrup\u00e7\u00e3o da ac\u00e7\u00e3o do Governo PSD\/CDS de Passos e Portas. Mas fez mais, tentou, a partir dessa premissa, usar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as institucional alcan\u00e7ada nessas elei\u00e7\u00f5es a favor dos trabalhadores e do povo, obrigando o PS, que estava pronto para atirar a toalha ao ch\u00e3o, a actuar n\u00e3o poucas vezes contra a sua pr\u00f3pria matriz e op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi o PS que nos salvou da terr\u00edvel ac\u00e7\u00e3o de um Governo que tinha a austeridade, os cortes salariais, a regress\u00e3o de direitos laborais e sociais e o ataque directo \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o, como sua matriz de actua\u00e7\u00e3o, foram o PCP e a CDU que \u201cviraram o tabuleiro do jogo\u201d. Se os feriados e os sal\u00e1rios foram repostos, se volt\u00e1mos a ter o subs\u00eddio de f\u00e9rias e de natal por inteiro e se foram travadas ou revertidas algumas das privatiza\u00e7\u00f5es isso deve-se \u00e0 iniciativa e proposta do PCP e do PEV e n\u00e3o do PS. Tal como se deve \u00e0 sua iniciativa alguns avan\u00e7os, insuficientes \u00e9 certo, como o aumento do Sal\u00e1rio M\u00ednimo Nacional, o aumento das reformas, os transportes p\u00fablicos mais baratos, os manuais escolares gratuitos e mais recentemente as creches gratuitas, entre v\u00e1rias outras.<\/p>\n<p>Foi com base em princ\u00edpios e no seu inquestion\u00e1vel compromisso com os trabalhadores e o povo que o PCP e PEV actuaram tentando levar o mais longe poss\u00edvel o alcance da solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica encontrada lutando por respostas a v\u00e1rios problemas que resultam de d\u00e9cadas de pol\u00edticas de direita. Mas o PS n\u00e3o quis ir mais longe. Quando as propostas do PCP come\u00e7aram a determinar um maior grau de confronto com os interesses dos grandes grupos econ\u00f3micos e com as directivas da Uni\u00e3o Europeia, quando a Uni\u00e3o Europeia deixou claras as condi\u00e7\u00f5es de aplica\u00e7\u00e3o dos fundos do PRR, e quando, ap\u00f3s 2019, o PS sentiu que poderia tentar libertar-se da press\u00e3o do PCP e do PEV, decidiu criar uma \u201ccrise pol\u00edtica\u201d rejeitando as propostas do PCP para o Or\u00e7amento do Estado.<\/p>\n<p>O PS sabia e sabe que o PCP age sempre com base em princ\u00edpios e que, portanto, nunca poderia viabilizar um Or\u00e7amento que n\u00e3o iria dar respostas necess\u00e1rias e urgentes, que iria aprofundar problemas, como no SNS, e que estava desenhado para o favorecimento de interesses que n\u00e3o os dos trabalhadores (veja-se por exemplo a reac\u00e7\u00e3o da CIP e dos Banqueiros a esse Or\u00e7amento e \u00e0 maioria absoluta do PS), nomeadamente no plano fiscal, dos rendimentos do trabalho, e dos crit\u00e9rios de investimento p\u00fablico. Ou seja, o PCP sabia que a decis\u00e3o de, mais uma vez, agir com base em princ\u00edpios e no conte\u00fado concreto do que se vota, lhe poderia ser prejudicial em termos eleitorais, mas agir de outra forma seria destruir o patrim\u00f3nio de seriedade e coer\u00eancia que caracteriza este Partido centen\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em suma, foi o PS que decidiu terminar com a solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica encontrada em 2015 e libertar-se daquilo que Augusto Santos Silva apelidou de \u201cl\u00f3gica da chantagem\u201d, termo elucidativo do \u201ccarinho\u201d com que no seu interior o PS tratava a solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica encontrada em 2015. Acabar com a \u201cgeringon\u00e7a\u201d interessava ao PS e ao seu calculismo eleitoral, mas tamb\u00e9m aos grandes interesses econ\u00f3micos, e aos seus defensores, incluindo alguns partidos de direita e ao Presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>O resto foi p\u00fablico e not\u00f3rio. A campanha eleitoral foi uma sucess\u00e3o de manipula\u00e7\u00f5es perigosas para a democracia. Desde a mentira das responsabilidades do PCP e a dramatiza\u00e7\u00e3o da crise pol\u00edtica, ao agigantamento do perigo da direita, passando pela vitimiza\u00e7\u00e3o do PS, a promo\u00e7\u00e3o de for\u00e7as com menor implanta\u00e7\u00e3o, o \u201cmuro de sil\u00eancio\u201d e de menoriza\u00e7\u00e3o medi\u00e1ticos montados em torno da CDU, a manobra manipuladora do \u201cempate t\u00e9cnico\u201d, as sondagens di\u00e1rias, a discrimina\u00e7\u00e3o dos debates, tudo serviu para recuperar o que em 2015 se tinha derrotado: a bipolariza\u00e7\u00e3o e a ideia de uma elei\u00e7\u00e3o para primeiro ministro, associada desta vez \u00e0 ideia da \u201cestabilidade\u201d e da \u201cinevit\u00e1vel penaliza\u00e7\u00e3o\u201d dos \u201ccriadores da instabilidade\u201d, ou seja o PCP e outras for\u00e7as de esquerda.<\/p>\n<p>N\u00e3o escamoteando insufici\u00eancias pr\u00f3prias, \u00e9 uma evid\u00eancia que as perdas da CDU se deveram de forma esmagadora ao voto \u201c\u00fatil\u201d no PS para impedir o \u201cregresso da Direita\u201d, altamente agigantado pelas sondagens e \u201caditivado\u201d com o \u201cperigo\u201d da extrema-direita participar no Governo do Pa\u00eds. O principal problema, como a CDU sempre alertou, \u00e9 que esse voto \u00e9 tudo menos \u201c\u00fatil\u201d, pois o PS com maioria absoluta ir\u00e1 embarcar num novo per\u00edodo de pol\u00edticas de direita. Ao contr\u00e1rio o voto na CDU teria sempre contado para derrotar o PSD e seus suced\u00e2neos, mas tamb\u00e9m derrotar as pol\u00edticas de direita, nomeadamente aquelas que levaram o PS a criar uma crise pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Com estes resultados eleitorais, Portugal n\u00e3o ficou melhor e os trabalhadores e o povo n\u00e3o ficam com mais garantias de respeito e compromisso com os seus direitos, interesses e aspira\u00e7\u00f5es. Basta ver as declara\u00e7\u00f5es do patr\u00e3o dos patr\u00f5es, e dos banqueiros, para perceber que se algo mudou n\u00e3o foi no seu interesse. O PS poder\u00e1 at\u00e9 aparecer, como j\u00e1 o est\u00e1 a fazer, como um feroz advers\u00e1rio da extrema-direita, mas essa determina\u00e7\u00e3o pode funcionar como uma cortina de fumo para pol\u00edticas de favorecimento do grande capital. Mas como sempre afirm\u00e1mos, e como foi vis\u00edvel nestas elei\u00e7\u00f5es, a extrema-direita alimenta-se de problemas, injusti\u00e7as e retrocessos nos direitos. Portanto o verdadeiro combate a estas for\u00e7as est\u00e1, mais uma vez, na ess\u00eancia das pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Os resultados da CDU n\u00e3o s\u00e3o positivos, apesar de demonstrar uma capacidade de resist\u00eancia, nomeadamente no Distrito de Leiria, superior a outras for\u00e7as de esquerda. Isso n\u00e3o \u00e9 deslig\u00e1vel do facto de as for\u00e7as da CDU terem uma organiza\u00e7\u00e3o e uma influ\u00eancia social que para l\u00e1 da sua influ\u00eancia eleitoral.\u00a0 \u00c9 por isso que, apesar dos resultados, o PCP est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de prosseguir e mesmo intensificar a interven\u00e7\u00e3o em defesa das aspira\u00e7\u00f5es e dos interesses dos trabalhadores e do povo.<\/p>\n<p>Usaremos a nossa for\u00e7a institucional como sempre fizemos, articulando-as com a luta de massas, em cada rua, cada f\u00e1brica, cada bairro, onde seja necess\u00e1rio estar ao lado dos trabalhadores e das popula\u00e7\u00f5es e combater, na linha da frente, os projectos reaccion\u00e1rios e antidemocr\u00e1ticos. Os trabalhadores e o povo do Distrito de Leiria e do nosso Pa\u00eds podem contar, como sempre, com este Partido centen\u00e1rio, Partido da resist\u00eancia ao fascismo durante meio s\u00e9culo, Partido da Revolu\u00e7\u00e3o de Abril, Partido das conquistas democr\u00e1ticas e dos avan\u00e7os sociais. A luta continua.<\/p>\n<p><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0\u00c2ngelo Alves<\/strong><br \/>\nMembro da Comiss\u00e3o Pol\u00edtica do Comit\u00e9 Central do PCP<br \/>\nRespons\u00e1vel pela Organiza\u00e7\u00e3o Regional de Leiria do PCP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os resultados das recentes elei\u00e7\u00f5es legislativas conduzem-nos a v\u00e1rias reflex\u00f5es que v\u00e3o muito pra l\u00e1 da simples contabilidade eleitoral. \u00c9 necess\u00e1rio em primeiro lugar aprofundar a ess\u00eancia e o conte\u00fado das op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que estiveram em confronto nestas elei\u00e7\u00f5es, algo que infelizmente esteve muito arredado da discuss\u00e3o medi\u00e1tica durante a campanha eleitoral e que foi [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13636,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-13633","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13633","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13633"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13633\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13637,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13633\/revisions\/13637"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13636"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13633"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13633"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13633"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}