{"id":15755,"date":"2022-04-19T18:39:44","date_gmt":"2022-04-19T18:39:44","guid":{"rendered":"https:\/\/tintafresca.net\/?p=15755"},"modified":"2022-04-19T18:39:44","modified_gmt":"2022-04-19T18:39:44","slug":"jorge-pereira-de-sampaio-publica-livro-de-memorias-dedicado-a-sua-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/2022\/04\/19\/jorge-pereira-de-sampaio-publica-livro-de-memorias-dedicado-a-sua-mae\/","title":{"rendered":"Jorge Pereira de Sampaio publica livro de mem\u00f3rias dedicado \u00e0 sua m\u00e3e"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_15770\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-15770\" class=\"wp-image-15770\" src=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Maria_Do_Ceu_Sampaio10.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"493\" \/><p id=\"caption-attachment-15770\" class=\"wp-caption-text\">Capa do livro<\/p><\/div>\n<p>O historiador e colecionador Jorge Pereira de Sampaio publicou um livro de mem\u00f3rias dedicado \u00e1 sua m\u00e3e, Maria do C\u00e9u Pereira de Sampaio, recentemente desaparecida. \u201cPode assumir-se como uma fotobiografia por um lado, mas, por outro, tem testemunhos de uma s\u00e9rie de pessoas que conheceram a minha m\u00e3e e que com ela conviveram\u201d, revela. Maria do C\u00e9u Sampaio e o seu marido, Lu\u00eds Pereira de Sampaio, foram propriet\u00e1rios durante cerca de meio s\u00e9culo do caf\u00e9 Tert\u00falia e colecionadores de faian\u00e7a, tendo fundado, com o filho, a Galeria Conventual e o Museu da Faian\u00e7a de Alcoba\u00e7a.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 bastante abrangente, mas est\u00e1 longe de retratar toda a vida da homenageada, segundo Jorge Pereira de Sampaio. \u201cTive uma prima que me disse que eu era o \u00fanico que conhecia tudo o que estava neste livro, mas n\u00e3o conhe\u00e7o. N\u00e3o conhe\u00e7o tudo o que est\u00e1 para tr\u00e1s antes de ter nascido. Conhecia os meus av\u00f3s muito bem, mas n\u00e3o conhe\u00e7o o que est\u00e1 para tr\u00e1s\u201d, admite.<\/p>\n<p>\u201cPor outro lado coloquei l\u00e1, e saliento, um texto de um intelectual do Porto, chamado Alexandre Subtelo S\u00e1, que \u00e9 s\u00f3 meu amigo nas redes sociais h\u00e1 muitos anos, mas que vinha muitas vezes ao Tert\u00falia. Era amigo da minha m\u00e3e e conversava muitas vezes com ela. Chegou a dizer-me que a minha m\u00e3e era uma embaixadora da Virg\u00ednia Victorino extraordin\u00e1ria. Nunca tinha pensado nisso, mas a minha m\u00e3e, quando vinha a Alcoba\u00e7a algu\u00e9m interessado na autora de \u201cNamorados\u201d (1918), falava com as pessoas sobre ela e salientava na Virg\u00ednia Victorino, com muito gosto, os seus lados transgressores, como, por exemplo, o fumar \u00e0 janela. O que mostra e comprova uma toler\u00e2ncia que ela e o meu pai sempre tiveram e que vai na sequ\u00eancia de terem permitido fazer reuni\u00f5es que eram clandestinas antes de 1974\u201d, revela<\/p>\n<p>\u201cNunca soube destas reuni\u00f5es, os meus pais nunca falaram neste assunto. S\u00f3 vim a saber numa tert\u00falia h\u00e1 uns anos, porque algu\u00e9m o referiu. Na altura, perguntei \u00e0 minha m\u00e3e se n\u00e3o tinham medo e ela disse que n\u00e3o e que para n\u00f3s era importante ter todas as pessoas porque eram todos clientes. Essa toler\u00e2ncia, a abertura que sempre teve ao mundo, sendo uma mulher com a 4\u00aa classe e vinda do campo, foi excecional, com tudo o que foram criando os dois no Tert\u00falia, enquanto espa\u00e7o de tert\u00falia e conversas pol\u00edticas\u201d, adianta.<\/p>\n<p>\u201cEm 1975, era a casa onde iam os grandes pol\u00edticos\u201d, revela, \u201ccomo depois as sess\u00f5es que se vieram a fazer nos \u00faltimos 20 anos. A minha m\u00e3e foi a grande impulsionadora da Galeria Conventual. Com o g\u00e9nio que ela tinha, se n\u00e3o se tivesse entusiasmado com a ideia &#8211; que fui eu que propus-, aquele projeto nunca teria acontecido. O Ricardo Assis Cordeiro, que foi o primeiro artista que recebemos, referiu no texto que inaugurou a exposi\u00e7\u00e3o, que a minha m\u00e3e acolhia extraordinariamente os artistas que n\u00e3o conhecia. Muitos vinham de Lisboa, n\u00e3o os conhecia, mas tocava as pessoas como um tiro, apesar de ser uma mulher autorit\u00e1ria\u201d, revela.<\/p>\n<p>\u201cSe tivesse que definir a minha m\u00e3e, definia-a como autorit\u00e1ria mas tamb\u00e9m muito generosa. Um gesto de que eu terei muito orgulho em toda a minha vida, \u00e9 que durante a pandemia, quando fazia muita falta ter um espa\u00e7o para acolher os profissionais de sa\u00fade, a minha m\u00e3e foi logo perempt\u00f3ria a aceitar colocar os dois edif\u00edcios da Casa Amarela \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, mesmo havendo quem lhe dissesse que era um disparate e que iria ficar com as casas contaminadas. Por acaso, n\u00e3o veio ningu\u00e9m, mas s\u00f3 ela ter lembrado que os profissionais de sa\u00fade precisam de n\u00f3s e que n\u00f3s precisamos deles a toda a hora, \u00e9 algo que me orgulha muito\u201d, sublinha.<\/p>\n<p>\u201cTal como me orgulha quando em Alcoba\u00e7a se p\u00f4s a Prociss\u00e3o do Senhor dos Passos na rua, 100 anos depois de ter sido interrompida ap\u00f3s a implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, tamb\u00e9m a m\u00e3e ajudou oferecendo o P\u00e1lio, no ano a seguir o Pend\u00e3o, dois anos depois as Capas. Ofereceu tudo, aparelhou a prociss\u00e3o para esta poder ir para a rua. Tudo isto \u00e9 muito revelador de uma toler\u00e2ncia e de uma maneira de estar pr\u00f3prias\u201d, acrescenta<\/p>\n<p>Recordo tamb\u00e9m, quando eu era adolescente, que um rapaz muito bem vestido que frequentava os nossos espa\u00e7os gastava todo o dinheiro que o pai lhe dava, e era bastante, nas drogas. Uma dia, eu estava sentado na cozinha e chegou o rapaz a pedir uma sopa e uma bifana, mas a empregada alertou que ele h\u00e1 tr\u00eas dias que n\u00e3o pagava e perguntou se o devia servir. A minha m\u00e3e levantou-se, pegou numa bifana e aqueceu a sopa. Entretanto, o meu pai entrou, tiveram uma conversa e a minha m\u00e3e disse: \u201cpodia ser o teu filho\u201d, o que fez o meu pai ficar de l\u00e1grima no olho.\u201d<\/p>\n<p>&#8220;Sendo uma mulher autorit\u00e1ria, que dizia tudo o que pensava, n\u00e3o tinha tabus de nada, n\u00e3o tinha medo de ningu\u00e9m, sobretudo nos \u00faltimos anos, tinha essa parte muito generosa. No fundo, ela deixou um tra\u00e7o, com o meu pai, de uma vertente cultural muito interessante, que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 local. O meu pai recebeu a t\u00edtulo p\u00f3stumo, em 2018, o pr\u00e9mio de colecionador do ano. Tamb\u00e9m o Museu \u00e9 reconhecido a n\u00edvel nacional e os meus pais sempre permitiram que os investigadores consultassem o acervo&#8221;, conclui.<\/p>\n<p>De referir ainda que o livro n\u00e3o se encontra \u00e0 venda, sendo distribu\u00eddo apenas a familiares e amigos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O historiador e colecionador Jorge Pereira de Sampaio publicou um livro de mem\u00f3rias dedicado \u00e1 sua m\u00e3e, Maria do C\u00e9u Pereira de Sampaio, recentemente desaparecida. \u201cPode assumir-se como uma fotobiografia por um lado, mas, por outro, tem testemunhos de uma s\u00e9rie de pessoas que conheceram a minha m\u00e3e e que com ela conviveram\u201d, revela. 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