{"id":17135,"date":"2022-06-03T09:47:23","date_gmt":"2022-06-03T09:47:23","guid":{"rendered":"https:\/\/tintafresca.net\/?p=17135"},"modified":"2022-06-03T10:03:23","modified_gmt":"2022-06-03T10:03:23","slug":"projeto-valorejet-valoriza-especies-de-peixe-rejeitadas-e-de-baixo-valor-comercial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/2022\/06\/03\/projeto-valorejet-valoriza-especies-de-peixe-rejeitadas-e-de-baixo-valor-comercial\/","title":{"rendered":"Projeto VALOREJET valoriza esp\u00e9cies de peixe \u201crejeitadas\u201d e de baixo valor comercial"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_17137\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17137\" class=\"wp-image-17137 size-full\" src=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/IPL_Amostragem-de-ruivos10.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"376\" srcset=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/IPL_Amostragem-de-ruivos10.jpg 500w, https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/IPL_Amostragem-de-ruivos10-300x226.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><p id=\"caption-attachment-17137\" class=\"wp-caption-text\">Amostragem de ruivos em laborat\u00f3rio<\/p><\/div>\n<p>Ceviche de choupa, pat\u00e9 de carapau fumado, lira desidratada, past\u00e9is de serr\u00e3o e mini-saia frito. Estes foram os produtos que resultaram do VALOREJET, um projeto que pretendia avaliar o potencial de tr\u00eas esp\u00e9cies de peixe com baixo valor comercial (carapau-negr\u00e3o, choupa e ruivos) e duas esp\u00e9cies de peixe rejeitadas (mini-saia e serr\u00e3o-alecrim), cujo conhecimento biol\u00f3gico era baixo ou inexistente, e desenvolver produtos alimentares com base nessas esp\u00e9cies e com valor acrescentado e estrat\u00e9gias para a extens\u00e3o de <em>shelf-life<\/em> de preparados de peixe fresco.<\/p>\n<p>O projeto foi promovido pela Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa (FCUL) e o polo de Lisboa do MARE &#8211; Centro de Ci\u00eancias do Mar e do Ambiente, em parceria com o Polit\u00e9cnico de Leiria, atrav\u00e9s do polo de Peniche do MARE, e com a colabora\u00e7\u00e3o das empresas transformadoras Nigel e Omnifish e o apoio da Cooperativa de Pesca Geral do Centro (Opcentro).<\/p>\n<p>\u00abAs rejei\u00e7\u00f5es diminu\u00edram cerca de 30% nos \u00faltimos 40 anos, no entanto, representam ainda 27 milh\u00f5es de toneladas. Economicamente, traduzem perda de valor para a administra\u00e7\u00e3o e pescadores e, em termos nutricionais, \u00e9 uma importante fra\u00e7\u00e3o de prote\u00edna que \u00e9 desperdi\u00e7ada. As rejei\u00e7\u00f5es resultam\u202fdo facto das v\u00e1rias artes de pesca apresentarem graus de seletividade diferentes podendo capturar\u202fmuito mais esp\u00e9cies do que aquelas que s\u00e3o alvo da pesca, resultando em valores elevad\u00edssimos de outras esp\u00e9cies que s\u00e3o rejeitadas\u00bb, explica a equipa do projeto.<\/p>\n<p>Entre os v\u00e1rios des\u00edgnios do VALOREJET contavam-se, assim, a valoriza\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies rejeitadas ou de fraco valor comercial atrav\u00e9s do desenvolvimento de novos produtos com valor acrescentado, usando t\u00e9cnicas e processos novos ou melhorados; a avalia\u00e7\u00e3o do potencial dessas esp\u00e9cies, que hoje s\u00e3o rejeitadas quer do ponto de vista biol\u00f3gico quer em termos de estrat\u00e9gia face \u00e0 explora\u00e7\u00e3o pesqueira; o fomento das liga\u00e7\u00f5es entre a comunidade cient\u00edfica e os v\u00e1rios agentes do setor, nomeadamente associa\u00e7\u00f5es de pescadores e industriais; e o aumento da oferta de produtos alimentares, no sentido de revitalizar o mercado.<\/p>\n<p>Considerando que, em termos de avalia\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de recursos,\u202fas esp\u00e9cies de maior valor comercial s\u00e3o frequentemente objeto de acompanhamento biol\u00f3gico, ao contr\u00e1rio das esp\u00e9cies de menor valor ou sem valor comercial, o projeto levou a cabo uma caracteriza\u00e7\u00e3o nutricional e sensorial do pescado em estudo, assegurada pela equipa do MARE \u2013 Polit\u00e9cnico de Leiria.<\/p>\n<p>\u00abEm termos nutricionais e sensoriais, obtivemos resultados muito promissores, considerando que o pescado com baixo valor, ou mesmo sem valor comercial, demonstrou-se nutricionalmente rico e livre em metais pesados\u00bb, explica Filipa Pinto, uma das investigadoras do Polit\u00e9cnico de Leiria envolvidas no projeto.<\/p>\n<p>A caracteriza\u00e7\u00e3o nutricional e sensorial demonstrou que todas as esp\u00e9cies estudadas apresentam, em geral, bons teores de prote\u00edna, compar\u00e1veis aos que se encontram em esp\u00e9cies mais consumidas, como o salm\u00e3o e a pescada, e um teor de gordura que as classifica como peixes magros.<\/p>\n<p>Frederica Silva, investigadora do MARE \u2013 Polit\u00e9cnico de Leiria, acrescenta: \u00abTamb\u00e9m em termos sensoriais, todas as esp\u00e9cies foram muito bem aceites pelos consumidores. Obtivemos resultados que nos indicam que em termos de sabor e textura estes peixes ser\u00e3o aprovados pela comunidade, dando-nos uma maior seguran\u00e7a para os tentar inserir no mercado.\u00bb<\/p>\n<p>O carapau-negr\u00e3o e a mini-saia foram as esp\u00e9cies que apresentaram, em m\u00e9dia, um maior teor em \u00e1cidos gordos. A concentra\u00e7\u00e3o de elementos foi semelhante, ou mesmo melhor, que a encontrada nas esp\u00e9cies de peixe mais consumidas e\/ou mais capturadas em Portugal.<\/p>\n<p>Os resultados do VALOREJET demonstraram ainda que, entre as esp\u00e9cies de baixo valor comercial, o carapau-negr\u00e3o \u00e9 o que apresenta a melhor perspetiva de aproveitamento potencial como recurso futuro. Apresenta uma elevada abund\u00e2ncia (cerca de 3.500 toneladas\/ano), uma elevada fecundidade e uma taxa de crescimento moderada, fatores muito favor\u00e1veis a uma capacidade de resili\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As cabras, lira e vermelha, apresentam por sua vez uma abund\u00e2ncia muito menor (cerca de 150 toneladas\/ano), uma fecundidade moderada e uma taxa de crescimento r\u00e1pida, fatores tamb\u00e9m favor\u00e1veis a uma capacidade de resili\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o. Por sua vez, a choupa regista uma abund\u00e2ncia semelhante \u00e0 das cabras (cerca de 180 toneladas\/ano), uma fecundidade elevada, mas uma taxa de crescimento lenta, fator menos favor\u00e1vel a uma capacidade de resili\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre as esp\u00e9cies n\u00e3o comerciais e consequentemente rejeitadas, a mini-saia \u00e9 a \u00fanica que apresenta uma abund\u00e2ncia significativa, o que, associada a uma elevada fecundidade, a faz afirmar-se como uma esp\u00e9cie com imenso potencial. O serr\u00e3o-alecrim apresenta uma fecundidade e taxa de crescimento moderada, mas a sua fraca abund\u00e2ncia faz com que n\u00e3o seja uma esp\u00e9cie recomendada pelos investigadores, em termos de explora\u00e7\u00e3o alternativa \u00e0s esp\u00e9cies comerciais.<\/p>\n<p>\u00abEste projeto \u00e9 um exemplo da import\u00e2ncia da investiga\u00e7\u00e3o na valoriza\u00e7\u00e3o dos recursos alimentares marinhos para uma utiliza\u00e7\u00e3o eficiente e sustent\u00e1vel, nomeadamente pela utiliza\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies sem valor comercial, no desenvolvimento de produtos alimentares com valor acrescentado\u00bb, considera Maria Manuel Gil, coordenadora do MARE \u2013 Polit\u00e9cnico de Leiria e investigadora respons\u00e1vel pelo projeto no Polit\u00e9cnico de Leiria.<\/p>\n<p>O projeto foi financiado pela Dire\u00e7\u00e3o Geral de Recursos Naturais, Seguran\u00e7a e Servi\u00e7os Mar\u00edtimos (DGRM) no \u00e2mbito do Programa Operacional MAR 2020.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre o projeto podem ser consultadas em <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3kDy7gP\">https:\/\/bit.ly\/3kDy7gP<\/a>.<\/p>\n<p><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Fonte: Midlandcom<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ceviche de choupa, pat\u00e9 de carapau fumado, lira desidratada, past\u00e9is de serr\u00e3o e mini-saia frito. 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