{"id":19334,"date":"2022-08-12T23:42:30","date_gmt":"2022-08-12T23:42:30","guid":{"rendered":"https:\/\/tintafresca.net\/?p=19334"},"modified":"2022-08-12T23:42:30","modified_gmt":"2022-08-12T23:42:30","slug":"o-que-temos-de-mudar-na-abordagem-do-doente-agudo-ou-agudizado-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/2022\/08\/12\/o-que-temos-de-mudar-na-abordagem-do-doente-agudo-ou-agudizado-em-portugal\/","title":{"rendered":"O que temos de mudar na abordagem do doente agudo ou agudizado em Portugal?"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_19336\" style=\"width: 360px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-19336\" class=\"wp-image-19336 size-full\" src=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Medica_Maria-da-Luz-Brazao10.png\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"341\" srcset=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Medica_Maria-da-Luz-Brazao10.png 350w, https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Medica_Maria-da-Luz-Brazao10-300x292.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><p id=\"caption-attachment-19336\" class=\"wp-caption-text\">Dr.\u00aa Maria da Luz Braz\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Apesar do mediatismo \u00e0 volta dos servi\u00e7os de urg\u00eancia (SU) ser um fen\u00f3meno crescente desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, j\u00e1 desde o s\u00e9culo passado, mais propriamente a partir da d\u00e9cada de 50, que muitos autores se dedicaram ao estudo de problemas \u00e0 volta dos SU em todo o mundo, tendo desde ent\u00e3o surgido na literatura v\u00e1rios artigos sobre esta tem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Um facto curioso, sobre a revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica que fiz a prop\u00f3sito da minha tese de doutoramento, e que merece aqui ser salientado, \u00e9 que a maioria desses artigos, faz refer\u00eancia ao fen\u00f3meno \u201csobrelota\u00e7\u00e3o\u201d, como fator determinante da disfuncionalidade dos SU estudados.<\/p>\n<p>Num inqu\u00e9rito feito h\u00e1 tr\u00eas anos a 11 hospitais do nosso pa\u00eds, aleatoriamente distribu\u00eddos de norte a sul, apur\u00e1mos que, independentemente do tipo de equipas que l\u00e1 trabalham, todos t\u00eam sobrelota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A sobrelota\u00e7\u00e3o dos SU \u00e9 de facto um problema de \u00e2mbito mundial, sendo um tema complexo e desafiante, que assume particular import\u00e2ncia, atendendo \u00e0s consequ\u00eancias que lhes est\u00e3o associadas. Para os profissionais de sa\u00fade (redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de satisfa\u00e7\u00e3o e da produtividade m\u00e9dica, problemas com a rotatividade de pessoal, <em>burnout<\/em>, falta de comunica\u00e7\u00e3o, erros de decis\u00e3o e aumento do erro m\u00e9dico); para os pr\u00f3prios SU que se tornam disfuncionais (aumento do tempo de espera, atrasos na admiss\u00e3o hospitalar, aumento do tempo de internamento e da mortalidade global e a curto prazo), e para o doente, com redu\u00e7\u00e3o da acessibilidade, da qualidade e mau progn\u00f3stico.<\/p>\n<p>A causa da sobrelota\u00e7\u00e3o, \u00e9 apontada pelos autores como sendo multifatorial, mas o problema reside essencialmente a montante, e a jusante.<\/p>\n<p>Relativamente ao problema a montante, dados recentes mostram que em Portugal, desde 2013, ocorreram em m\u00e9dia seis milh\u00f5es de atendimentos de urg\u00eancia hospitalar por ano, sendo que cerca de 45% destes epis\u00f3dios n\u00e3o s\u00e3o priorit\u00e1rios, segundo a triagem de Manchester, e que estes n\u00fameros t\u00eam tido uma tend\u00eancia crescente, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o do ano de 2020.<\/p>\n<p>Mas, outro fator que afeta a sobrelota\u00e7\u00e3o dos SU, apontado pelos autores, \u00e9 a disponibilidade de camas de agudos no internamento, a qual depende n\u00e3o s\u00f3 do seu n\u00famero f\u00edsico, como tamb\u00e9m da sua gest\u00e3o.<\/p>\n<p>A gest\u00e3o do acesso e dos percursos nos cuidados em doen\u00e7a aguda, ou agudizada, \u00e9 um problema identificado h\u00e1 d\u00e9cadas em Portugal. As tentativas de resolu\u00e7\u00e3o, abrindo servi\u00e7os, e realocando os mesmos recursos existente, n\u00e3o t\u00eam sido eficazes, pois ao criarem mais oferta, geram maior procura, satura\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, e entrada num c\u00edrculo vicioso de refor\u00e7o cont\u00ednuo e nunca suficiente.<\/p>\n<p>\u00c9 urgente p\u00f4r em marcha uma estrat\u00e9gia para a resolu\u00e7\u00e3o deste problema, que tem de passar obrigatoriamente pela reestrutura\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de sa\u00fade, hospitais e Cuidados de Sa\u00fade Prim\u00e1rios (CSP), que permitam alternativas v\u00e1lidas ao recurso indiscriminado \u00e0s urg\u00eancias, atuando nos determinantes que a montante e a jusante condicionam a acessibilidade, e na adequa\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os oferecidos, numa perspetiva de investimento estrat\u00e9gico, promovendo a melhoria efetiva da qualidade dos servi\u00e7os e da sa\u00fade dos portugueses.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o de futuro para os SU hospitalares tem de passar de uma vis\u00e3o centrada na hipertrofia dos SU, para uma vis\u00e3o integradora, focada na otimiza\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o e natural redu\u00e7\u00e3o da procura de cuidados no SU.<\/p>\n<p><strong>\u00a0 \u00a0 Maria da Luz Braz\u00e3o<\/strong><br \/>\nCoordenadora do N\u00facleo de Estudos de Urg\u00eancia e do Doente Agudo da SPMI<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar do mediatismo \u00e0 volta dos servi\u00e7os de urg\u00eancia (SU) ser um fen\u00f3meno crescente desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, j\u00e1 desde o s\u00e9culo passado, mais propriamente a partir da d\u00e9cada de 50, que muitos autores se dedicaram ao estudo de problemas \u00e0 volta dos SU em todo o mundo, tendo desde ent\u00e3o surgido na [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":19338,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,1],"tags":[],"class_list":["post-19334","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19334","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19334"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19334\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19337,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19334\/revisions\/19337"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19338"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19334"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19334"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19334"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}