{"id":24856,"date":"2023-02-17T19:20:14","date_gmt":"2023-02-17T19:20:14","guid":{"rendered":"https:\/\/tintafresca.net\/?p=24856"},"modified":"2023-02-17T19:20:41","modified_gmt":"2023-02-17T19:20:41","slug":"um-executivo-fragilizado-sem-o-rumo-e-a-coragem-do-autarca-de-alfeizerao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/2023\/02\/17\/um-executivo-fragilizado-sem-o-rumo-e-a-coragem-do-autarca-de-alfeizerao\/","title":{"rendered":"\u201cTodos, sem exce\u00e7\u00e3o, t\u00eam direito a cuidados de sa\u00fade\u201d"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_24857\" style=\"width: 360px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-24857\" class=\"wp-image-24857\" src=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Medica_IsabelFonseca10.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"519\" srcset=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Medica_IsabelFonseca10.jpg 500w, https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Medica_IsabelFonseca10-202x300.jpg 202w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><p id=\"caption-attachment-24857\" class=\"wp-caption-text\">Dr\u00aa Isabel Fonseca<\/p><\/div>\n<p>O Dia Mundial do Doente, criado em 11 de fevereiro de 1992, \u00e9 dedicado \u00e0s pessoas doentes e a todos aqueles que lhes prestam assist\u00eancia. \u00c9 um dia para relembrar que todos, sem exce\u00e7\u00e3o, t\u00eam direito a cuidados de sa\u00fade e para reconhecer que tratar o doente \u00e9 da responsabilidade de todos, que n\u00e3o se limita aos profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u00c9 a nossa miss\u00e3o contribuir para um servi\u00e7o nacional de sa\u00fade mais organizado, pr\u00f3ximo do doente, acess\u00edvel, ajustado \u00e0s novas necessidades e anseios, que dignifique o doente e o profissional.<\/p>\n<p>Neste contexto, devemos recordar a capacidade que tivemos para nos reorganizarmos em tempos de pandemia e que ultrapass\u00e1mos com dignidade. Devemos tamb\u00e9m reconhecer os progressos que o nosso sistema de sa\u00fade tem conseguido, evoluindo para novas formas de organiza\u00e7\u00e3o e de presta\u00e7\u00e3o de cuidados de sa\u00fade, que compreendem as necessidades e as prefer\u00eancias do doente. Exemplo disso \u00e9 a hospitaliza\u00e7\u00e3o domicili\u00e1ria, que permite ao doente internado um regresso mais precoce ao domic\u00edlio mantendo os cuidados cl\u00ednicos. Do mesmo modo, as unidades de cuidados paliativos, com ou sem equipas ao domic\u00edlio, e as unidades de cuidados continuados com as suas diferentes tipologias, transformaram nos \u00faltimos anos a assist\u00eancia aos doentes, sobretudo aos mais fr\u00e1geis. H\u00e1 tamb\u00e9m novas formas de consulta, chamando a aten\u00e7\u00e3o as ferramentas inform\u00e1ticas que facilitam a comunica\u00e7\u00e3o entre doentes e m\u00e9dicos. Certamente que tudo isto ainda \u00e9 insuficiente, como podem comprovar, nomeadamente os internistas na sua atividade cl\u00ednica di\u00e1ria.<\/p>\n<p>Se a doen\u00e7a fragiliza e nos torna vulner\u00e1veis, ela agiganta-se quando envelhecemos e por isso n\u00e3o posso deixar de aproveitar ainda este dia, para relembrar a necessidade de melhorarmos os cuidados aos idosos e de quem deles cuida. Constatamos que muitas fam\u00edlias querem cuidar do seu familiar idoso doente, mas n\u00e3o conseguem. Poucas s\u00e3o as fam\u00edlias que n\u00e3o querem prestar esses cuidados e em menor n\u00famero s\u00e3o aquelas que os abandonam, contudo infelizmente, h\u00e1 quem n\u00e3o tenha ningu\u00e9m. Imp\u00f5e-se por isso que os cuidados prestados aos idosos, desde o centro de sa\u00fade ao hospital, passando pelos lares e unidades de cuidados continuados, tenham os recursos humanos dispon\u00edveis, ajustados e qualificados para dignificarem quem envelhece.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo e porque \u00e9 not\u00edcia frequente, n\u00e3o posso deixar de falar do trabalho em urg\u00eancia. Tendo tido a oportunidade de dirigir um servi\u00e7o de urg\u00eancia durante 10 anos, conhe\u00e7o bem os desafios que estes encerram. A atividade cl\u00ednica em urg\u00eancia \u00e9 sentida como um esfor\u00e7o pouco reconhecido, causa desgaste nos profissionais e deixa pouco tempo para outras \u00e1reas da atividade cl\u00ednica. Quando tentamos perceber os motivos para o insucesso dos servi\u00e7os de urg\u00eancia verificamos que os problemas est\u00e3o a montante e a jusante o que n\u00e3o \u00e9 nada de novo, nem nada que n\u00e3o seja conhecido h\u00e1 muito tempo. O que queremos quando estamos doentes? Conseguir agendar rapidamente uma consulta, sermos tratados e orientados em tempo \u00fatil. Se garantirmos isto aos doentes, o servi\u00e7o de urg\u00eancia ficaria limitado ao seu objetivo: o atendimento do doente com risco iminente de vida ou perda de fun\u00e7\u00e3o vital. \u00c9 para estes doentes que as equipas m\u00e9dicas que a\u00ed trabalham est\u00e3o dimensionadas e preparadas.<\/p>\n<p>A conjuga\u00e7\u00e3o e a coordena\u00e7\u00e3o dos esfor\u00e7os entre os cuidados de sa\u00fade prim\u00e1rios e os cuidados hospitalares, referindo em particular os M\u00e9dicos de Medicina Geral e Familiar e os M\u00e9dicos de Medicina Interna, ambos com capacidade para gerir o doente adulto nos seus diferentes n\u00edveis de cuidados, determinar\u00e1 uma melhor e mais adequada orienta\u00e7\u00e3o dos doentes. Apesar das defici\u00eancias estruturais e organizacionais que existem e que s\u00e3o sentidas por todos, acreditamos pelo que j\u00e1 conseguimos, que estas ser\u00e3o certamente ultrapassadas.<\/p>\n<p><strong> \u00a0 \u00a0Isabel Fonseca<\/strong><br \/>\nVice-presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Dia Mundial do Doente, criado em 11 de fevereiro de 1992, \u00e9 dedicado \u00e0s pessoas doentes e a todos aqueles que lhes prestam assist\u00eancia. \u00c9 um dia para relembrar que todos, sem exce\u00e7\u00e3o, t\u00eam direito a cuidados de sa\u00fade e para reconhecer que tratar o doente \u00e9 da responsabilidade de todos, que n\u00e3o se [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":24859,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-24856","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24856","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24856"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24856\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24862,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24856\/revisions\/24862"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24859"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24856"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24856"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24856"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}