{"id":26137,"date":"2023-04-07T11:28:17","date_gmt":"2023-04-07T11:28:17","guid":{"rendered":"https:\/\/tintafresca.net\/?p=26137"},"modified":"2023-04-07T11:35:49","modified_gmt":"2023-04-07T11:35:49","slug":"leiria-medieval-chega-a-cidade-de-20-a-23-de-julho-sob-um-ceu-de-peixes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/2023\/04\/07\/leiria-medieval-chega-a-cidade-de-20-a-23-de-julho-sob-um-ceu-de-peixes\/","title":{"rendered":"Leiria Medieval chega \u00e0 cidade de 20 a 23 de julho \u201cSob um C\u00e9u de Peixes\u201d"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_26139\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26139\" class=\"wp-image-26139 size-full\" src=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Leiria-Medieval20.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"291\" srcset=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Leiria-Medieval20.jpg 500w, https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Leiria-Medieval20-300x175.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><p id=\"caption-attachment-26139\" class=\"wp-caption-text\">Leiria Medieval<\/p><\/div>\n<p>A d\u00e9cima edi\u00e7\u00e3o do Leiria Medieval est\u00e1 agendada para decorrer entre os dias 20 e 23 de julho, que este ano ser\u00e1 dedicado ao ano de 1496 e sob o tema \u201cSob um C\u00e9u de Peixes\u201d, em refer\u00eancia \u00e0 chegada da tipografia \u00e0 cidade de Leiria.<\/p>\n<p>Foi na tipografia de Abra\u00e3o d\u2019Ortas que, a 25 de fevereiro de 1496, foi impressa a primeira publica\u00e7\u00e3o, com o nome de <em>Almanach Perpetum<\/em>, da autoria de Abra\u00e3o Zacuto, a qual compilava e explicava as suas t\u00e1buas de orienta\u00e7\u00e3o celeste, fundamentais nas demandas mar\u00edtimas por altura dos Descobrimentos, nomeadamente nas viagens at\u00e9 \u00e0 \u00cdndia (1498) e ao Brasil (1500).<\/p>\n<p>Na \u00faltima linha da \u00faltima p\u00e1gina, Abra\u00e3o Zacuto menciona a impress\u00e3o \u201csob um c\u00e9u de peixes\u201d, frase que serviu de inspira\u00e7\u00e3o para o tema deste ano, num momento em que o pa\u00eds vivia ainda em plena conviv\u00eancia pac\u00edfica entre crist\u00e3os, judeus e mu\u00e7ulmanos.<\/p>\n<p>A programa\u00e7\u00e3o do 10.\u00ba Leiria Medieval ser\u00e1 divulgada brevemente e, de 3 a 28 de abril, estar\u00e3o abertas as inscri\u00e7\u00f5es para participar na recria\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, nomeadamente para mercadores, artes\u00e3os, m\u00edsticos e art\u00edfices, podendo toda a documenta\u00e7\u00e3o ser consultada no <a href=\"https:\/\/www.cm-leiria.pt\/areas-de-atividade\/cultura\/leiria-medieval-as-cortes-de-1438\">site do Munic\u00edpio<\/a>.<\/p>\n<p>O Leiria Medieval, que acontece desde 2014, pretende ser um espa\u00e7o de anima\u00e7\u00e3o e conv\u00edvio, cujo objetivo \u00e9 dar a conhecer ao p\u00fablico as principais caracter\u00edsticas da Idade M\u00e9dia em Leiria.<\/p>\n<p><strong>Enquadramento hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p>Nos primeiros meses de 1496, crist\u00e3os, judeus e mu\u00e7ulmanos levavam ainda uma vida relativamente tranquila na vila de Leiria. Embora nunca isenta de conflitos pontuais, a coexist\u00eancia das tr\u00eas comunidades decorria entre regras escritas e n\u00e3o escritas, tal como tinha acontecido em d\u00e9cadas e s\u00e9culos anteriores.<\/p>\n<p>Quando Espanha expulsa a comunidade judaica do seu territ\u00f3rio, em 1492, um grande n\u00famero refugia-se em Portugal, trazendo consigo of\u00edcios e saberes, que contribuem enormemente para o desenvolvimento cient\u00edfico e t\u00e9cnico do Reino.<\/p>\n<p>Abra\u00e3o Zacuto \u00e9 um desses casos e, nomeado Astr\u00f3nomo e Historiador Real por D. Jo\u00e3o II, presta preciosos servi\u00e7os \u00e0 navega\u00e7\u00e3o, ensinando aos marinheiros o uso do astrol\u00e1bio melhorado que inventou e, sobretudo, a utiliza\u00e7\u00e3o das suas t\u00e1buas astron\u00f3micas, decisivas na orienta\u00e7\u00e3o das caravelas portuguesas em alto-mar. Permitiu salvar a vida de muitos marinheiros, bem como a descoberta das rotas mar\u00edtimas para a \u00cdndia (1498) e para o Brasil (1500).<\/p>\n<p>Foi em Leiria, na tipografia de Abra\u00e3o d\u2019Ortas, que Zacuto publicou, em 1496, com tradu\u00e7\u00e3o para o latim do Mestre Jos\u00e9 Vizinho, m\u00e9dico da corte e astr\u00f3nomo, o seu c\u00e9lebre <em>Almanach Perpetuum<\/em>, onde se compilavam e explicavam as suas t\u00e1buas de orienta\u00e7\u00e3o celeste.<\/p>\n<p>Alguns meses antes, em finais de outubro de 1495, D. Manuel I \u00e9 aclamado rei. Primo de D. Jo\u00e3o II e irm\u00e3o da rainha D. Leonor, ascende ao trono ap\u00f3s uma sucess\u00e3o de imprevistos, mais ou menos dram\u00e1ticos (morreram os oito candidatos mais diretos ao trono, sendo o maior desastre a morte de D. Afonso de Portugal, filho do rei D. Jo\u00e3o e seu natural sucessor).<\/p>\n<p>Em 1492, Espanha expulsa os judeus de todo o reino. D. Jo\u00e3o II permite-lhes a entrada, aos milhares, embora em condi\u00e7\u00f5es muito prec\u00e1rias, e for\u00e7ando-os a condi\u00e7\u00f5es de vida frequentemente desumanas.<\/p>\n<p>D. Manuel I tem com eles rela\u00e7\u00f5es muito mais amig\u00e1veis. Mas por pouco tempo\u2026<\/p>\n<p>No final de 1496, D. Manuel casa com D. Isabel de Arag\u00e3o e Castelo, vi\u00fava do malogrado filho primog\u00e9nito de D. Jo\u00e3o II, e, numa viragem radical da sua pol\u00edtica de toler\u00e2ncia, fruto do acordo de casamento, decreta que todos os n\u00e3o crist\u00e3os (judeus e mu\u00e7ulmanos) que n\u00e3o se quisessem batizar, deveriam abandonar o Reino no prazo de dez meses, sob pena de morte, depois de verem todos os seus bens confiscados.<\/p>\n<p>Quebra-se, assim, a inst\u00e1vel harmonia destas tr\u00eas comunidades aqui e por todo o Reino.<\/p>\n<p>Mas ainda n\u00e3o.<\/p>\n<p>Por enquanto, ainda seca a tina do \u2018Almanaque Perp\u00e9tuo\u2019, impresso em Leiria a 25 de fevereiro, <strong>sob um c\u00e9u de peixes<\/strong>, como se regista na \u00faltima linha da sua \u00faltima p\u00e1gina.<\/p>\n<p><strong>Edi\u00e7\u00f5es anteriores<\/strong><\/p>\n<p>2014 | Em tempos d\u2019El Rey D. Dinis<br \/>\n2015 | Isabel, Raynha Santa<br \/>\n2016 | 1385 \u2013 D. Jo\u00e3o I, Rei dos Portugueses<br \/>\n2017 | Infante D. Duarte, Herdeiro da Coroa<br \/>\n2018 | 1401 \u2013 Aqui nasceu a Casa de Bragan\u00e7a<br \/>\n2019 | 1411 \u2013 As mem\u00f3rias do Moinhos do Papel<br \/>\n2020 | Leiria 1437<br \/>\n2021 | As Cortes de Leiria de 1254<br \/>\n2022 | As Cortes de Leiria de 1438<\/p>\n<p><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0Fonte: DCRP|CML<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A d\u00e9cima edi\u00e7\u00e3o do Leiria Medieval est\u00e1 agendada para decorrer entre os dias 20 e 23 de julho, que este ano ser\u00e1 dedicado ao ano de 1496 e sob o tema \u201cSob um C\u00e9u de Peixes\u201d, em refer\u00eancia \u00e0 chegada da tipografia \u00e0 cidade de Leiria. 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