{"id":26372,"date":"2023-04-16T17:23:08","date_gmt":"2023-04-16T17:23:08","guid":{"rendered":"https:\/\/tintafresca.net\/?p=26372"},"modified":"2023-04-17T19:07:35","modified_gmt":"2023-04-17T19:07:35","slug":"gouveia-e-melo-nao-esperem-que-apareca-algum-salvador-e-se-aparecer-e-muito-mau-e-o-pastor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/2023\/04\/16\/gouveia-e-melo-nao-esperem-que-apareca-algum-salvador-e-se-aparecer-e-muito-mau-e-o-pastor\/","title":{"rendered":"Gouveia e Melo: \u201cN\u00e3o esperem que apare\u00e7a um salvador. E se aparecer, \u00e9 muito mau, \u00e9 o pastor\u201d"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_26375\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26375\" class=\"wp-image-26375 size-full\" src=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/PM_Gouveia_e_Melo20.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"316\" srcset=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/PM_Gouveia_e_Melo20.jpg 500w, https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/PM_Gouveia_e_Melo20-300x190.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><p id=\"caption-attachment-26375\" class=\"wp-caption-text\">Patr\u00edcia Alves, Henrique Gouveia e Melo e Kevin Carreira Soares<\/p><\/div>\n<p>A terceira sess\u00e3o no Ciclo de Confer\u00eancias \u201cDitadura e Democracia: Que Hist\u00f3ria? Que Presente? Que Futuro?\u201d, integrado no programa das Comemora\u00e7\u00f5es dos 50 Anos do 25 de Abril 2022-2024, teve lugar no dia 10 de abril, no audit\u00f3rio da Central das Artes, em Porto de M\u00f3s, e teve como orador Henrique Gouveia e Melo, Chefe do Estado-Maior da Armada. O Almirante abordou a tem\u00e1tica \u201cO mundo dividido entre autocracias e democracias\u201d, mas tamb\u00e9m respondeu a perguntas do p\u00fablico e surpreendeu nas respostas.<\/p>\n<p>Gouveia e Melo foi claro na divis\u00e3o do mundo em autocracias e democracias, mas mostrou-se contra um mundo dividido em dois, justificando a sua posi\u00e7\u00e3o com o elevado pre\u00e7o a pagar pelo fim da globaliza\u00e7\u00e3o, ao reduzir o potencial econ\u00f3mico da generalidade dos pa\u00edses do mundo, incluindo Portugal.<\/p>\n<p>A primeira pergunta foi sobre a participa\u00e7\u00e3o da Armada no 25 de abril e no 25 de novembro, tendo o almirante admitido que a Marinha esteve conotada com a Esquerda no per\u00edodo revolucion\u00e1rio, mas considerou que esteve do lado certo da hist\u00f3ria nos dois momentos cr\u00edticos da Revolu\u00e7\u00e3o Gouveia e Melo recordou que a instaura\u00e7\u00e3o da democracia foi um processo com ziguezagues, mas a resultante foi instaurar em Portugal \u201cum regime democr\u00e1tico a que todos n\u00f3s estamos agradecidos.\u201d<\/p>\n<p>Para o ex-comandante da Task Force para o Plano de vacina\u00e7\u00e3o contra a COVID-19 em Portugal, \u201ca democracia n\u00e3o \u00e9 um conjunto de pessoas que tomam conta de n\u00f3s e que n\u00e3o temos de participar no processo. O processo tem de ser participativo e todos os cidad\u00e3os t\u00eam de participar nas suas diversas dimens\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>Oura pergunta partiu de Jos\u00e9 Contreiras, um oficial da Marinha aposentado residente em Porto de M\u00f3s, que recordou as origens mo\u00e7ambicanas do Almirante e que Porto de M\u00f3s est\u00e1 ligado a Mo\u00e7ambique pela primeira e \u00faltima assinatura do Portugal colonial neste territ\u00f3rio africano. O Almirante V\u00edtor Crespo deixou a \u00faltima assinatura como \u00faltimo Governador do territ\u00f3rio, j\u00e1 no p\u00f3s-25 de abril de 1974, e Sancho de Tovar, genro do alcaide-mor de Porto de M\u00f3s, marinheiro que viajou com Vasco da Gama e Pedro \u00c1lvares Cabral, esteve cinco anos em Mo\u00e7ambique e foi seu primeiro governador.<\/p>\n<p>A segunda pergunta foi como defender plataforma continental, com que meios e com que gente. Para o Chefe do Estado-Maior da Armada, \u201cPortugal tem um dilema. Tem ambi\u00e7\u00e3o, mas tem poucos recursos. At\u00e9 aos Descobrimentos, o poder era definido como a conquista e subjuga\u00e7\u00e3o de outros povos, a partir da\u00ed, o poder passou a ser o controlo das rotas mar\u00edtimas. Ainda hoje o poder \u00e9 o controlo dos grandes espa\u00e7os comuns da humanidade.\u201d<\/p>\n<p>Por isso, \u201choje estamos perante um dilema. Somos um povo com recursos limitados, o direito internacional d\u00e1-nos uma \u00e1rea gigantesca de espa\u00e7o mar\u00edtimo sob soberania e jurisdi\u00e7\u00e3o e essa \u00e1rea est\u00e1 numa zona crucial para o tr\u00e1fego mar\u00edtimo ocidental, para as trocas comerciais ocidentais e para as trocas de dados, j\u00e1 que na nossa regi\u00e3o passa a maior parte das infraestruturas de fibra \u00f3tica do mundo ocidental.\u201d<\/p>\n<p>\u201cPortanto, estamos numa posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica muito interessante do ponto de vista geopol\u00edtico e geoestrat\u00e9gico, mas tamb\u00e9m muito cobi\u00e7ada. N\u00e3o tenho resposta clara para tudo, mas temos de ser inteligentes na aplica\u00e7\u00e3o de todos os recursos, fazer um plano minimamente estruturado, conseguir estabelecer as alian\u00e7as necess\u00e1rias, sen\u00e3o esta oportunidade passa a ser uma amea\u00e7a e enfrentaremos, no futuro, problemas muito maus graves do que enfrentamos hoje\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Por outro lado, questionou, \u201cser\u00e1 que somos t\u00e3o fracos ou temos t\u00e3o pouca capacidade que teremos de entregar este espa\u00e7o a terceiros sem obter praticamente benef\u00edcios dele? \u00c9 isso que tem de nos fazer pensar e temos de fazer todos uma \u201cnova cruzada\u201d no sentido de encontrar um palco.\u201d<\/p>\n<p>Segundo o Almirante, \u201ca Marinha tem, desde h\u00e1 muitos anos, tentado fazer a discuss\u00e3o do tema da plataforma continental. Eu, desde que sou CEMA, tenho tentado fazer outra coisa. Desenvolver o interesse das empresas e do tecido empresarial por tecnologias e com neg\u00f3cios que t\u00eam a ver com o mar. Essas tecnologias n\u00e3o t\u00eam a ver com navios de pesca nem de transporte. S\u00e3o tecnologias disruptivas que usam o mar com grande efeito econ\u00f3mico.\u201d<\/p>\n<p>O Chefe do Estado-Maior da Armada defendeu que \u201ch\u00e1 uma economia que depois precisa de tecnologia, a economia azul. O pr\u00f3prio desenvolvimento desta tecnologia \u00e9 uma economia em si. E isso temos capacidade neste momento para come\u00e7ar a fazer e estar na ponta desse desenvolvimento. N\u00f3s cri\u00e1mos a primeira zona livre tecnol\u00f3gica no mar, temos um centro de experimenta\u00e7\u00e3o operacional em que alavancamos empresas para a \u00e1rea do mar.\u201d<\/p>\n<p>Gouveia e Melo surpreendeu a audi\u00eancia com uma nova revela\u00e7\u00e3o, come\u00e7ando por referir que, \u201cse h\u00e1 40 anos, em Quelimane, que nem televis\u00e3o tinha, dissessem que hoje tinha um telem\u00f3vel que faz de televis\u00e3o, redes sociais e telefone diria que era imposs\u00edvel. Por isso, pe\u00e7o para se libertarem agora da \u00e2ncora que vos prende \u00e0 Terra.\u201d<\/p>\n<p>O Almirante recordou que \u201co ser humano desenvolveu-se muito pouco at\u00e9 ao Neol\u00edtico. Quando passou do Paleol\u00edtico para o Neol\u00edtico, as sociedades que eram n\u00f3madas, sedentarizaram-se e criaram sociedades mais complexas. O ser humano que \u00e9 geneticamente igual h\u00e1 pelo menos 600 mil anos desenvolveu uma cultura e tecnologia exponencial nos \u00faltimos 30 mil anos porque se sedentarizou. No mar, somos n\u00f3madas. Hoje h\u00e1 apenas umas pequenas aldeias a crescer nas plataformas no mar, mas \u00e9 o primeiro processo de sedentariza\u00e7\u00e3o do mar.\u201d<\/p>\n<p>E prosseguiu: \u201cO que eu vos posso garantir &#8211; muitos de n\u00f3s j\u00e1 n\u00e3o estar\u00e3o c\u00e1, mas estar\u00e3o c\u00e1 os nossos filhos e os nossos netos que poder\u00e3o confirmar isso &#8211; \u00e9 que haver\u00e1 megas cidades no mar que v\u00e3o mudar a geografia humana, a geopol\u00edtica e a geoestrat\u00e9gia. Isto, em menos de 50 anos, porque a tecnologia j\u00e1 nos permite fazer isso. E antes de irmos para o espa\u00e7o, vamos de certeza ocupar 2\/3 do planeta que est\u00e3o vazios. E enquanto em terra somos um cantinho pequenino no sudoeste da Europa, com o mar que a comunidade internacional nos atribuiu, somos o centro do novo mundo oceanoc\u00eantrico.\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_26377\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26377\" class=\"wp-image-26377 size-full\" src=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/PM_Gouveia_e_Melo10-1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/PM_Gouveia_e_Melo10-1.jpg 500w, https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/PM_Gouveia_e_Melo10-1-300x169.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><p id=\"caption-attachment-26377\" class=\"wp-caption-text\">Sala foi pequena para ouvir o Almirante Gouveia e Melo<\/p><\/div>\n<p>Gouveia e Melo ressalvou que \u201cem democracia temos este \u201cproblema\u201d de termos elei\u00e7\u00f5es de 4 em 4 anos\u201d e, por isso, \u00e9 dif\u00edcil pensarmos a 50 ou 60 anos, mas defendeu que \u201ch\u00e1 a necessidade de pensarmos a longo prazo, de sonharmos com isso e largarmos as amarras da Terra.\u201d<\/p>\n<p>O CEMA recordou que \u201cno mar h\u00e1 muita riqueza\u201d e deu um exemplo: \u201c60% da energia dos datacenters \u00e9 consumida em arrefecimento, mas podem estar imersos dentro de \u00e1gua e podem estar ligados por fibra, em estrela, a uma s\u00e9rie de s\u00edtios importantes. Isso pode gerar um novo desenvolvimento econ\u00f3mico. H\u00e1 muita coisa que se vai desenvolver que n\u00f3s hoje ainda n\u00e3o imaginamos. Temos de estar atentos, sonharmos e termos capacidade de realiza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o devemos pensar que os outros devem ir \u00e0 frente e depois n\u00f3s lucramos com as suas descobertas. N\u00e3o, n\u00f3s temos de ir \u00e0 frente, na ponta da lan\u00e7a, para podermos tamb\u00e9m lucrarmos e posicionarmo-nos na escala de valores. Para um pa\u00eds pequeno como o nosso, \u00e9 a \u00fanica forma de sobrevivermos.\u201d<\/p>\n<p>Coube ao ex-presidente da C\u00e2mara Municipal Jos\u00e9 Ferreira desafiar o Almirante a revelar o estado do futuro navio polivalente prevista j\u00e1 h\u00e1 30 anos pela Marinha.<br \/>\nSegundo o Chefe do Estado-Maior da Armada, \u201ctudo indica que o navio vai para a frente, estamos a encontrar forma de o financiar, devendo ser financiado dentro do Plano de Recupera\u00e7\u00e3o e Resili\u00eancia (PRR).<\/p>\n<p>O Almirante revelou que \u201ceste \u00e9 o primeiro navio que concebe, desde raiz, a opera\u00e7\u00e3o de robotiza\u00e7\u00e3o. O navio \u00e9 uma plataforma de opera\u00e7\u00f5es robotizadas, sejam drones a\u00e9reos de superf\u00edcie ou submers\u00edveis, com capacidade para mapear uma \u00e1rea grande do oceano que hoje precisa de um navio de 6 mil toneladas. Esse navio da Marinha tem hoje de percorrer devagarinho essa superf\u00edcie do oceano durante meses. No novo processo que n\u00f3s imaginamos, teremos um navio que larga 10 ou 20 drones de superf\u00edcie que mapeiam essa zona em 1\/5 ou 1\/6 do tempo, sem obrigar as pessoas a fazer fiadas para cima e para baixo.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u201cdurante esse tempo, podemos ainda fazer outras miss\u00f5es com outros drones. A nova marinha ser\u00e1 uma marinha mais robotizada precisamente para fazer mais, com menos gente. Mas para isso, precisamos de mais tecnologia e vamos faz\u00ea-lo com o tecido empresarial portugu\u00eas.\u201d<\/p>\n<p>Relativamente ao dom\u00ednio cada vez maior da China no Oceano Pac\u00edfico, o Almirante explicou que \u201cno Mar da China, uma pot\u00eancia como a China fez um mapa com 9 tra\u00e7os, completamente fora das regras internacionais, e dizendo que o mar \u00e9 nosso porque temos for\u00e7a para dizer que \u00e9 nosso. O que fazem outros pa\u00edses como os americanos, ingleses ou franceses? Passeiam nesse mar como se o mar fosse internacional, afirmando que aquele mar n\u00e3o \u00e9 de ningu\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 um mar fechado.\u201d<\/p>\n<p>O Chefe do Estado-Maior da Armada alertou que \u201cisto pode levar no futuro a rever a pr\u00f3pria CNUDM, a Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Direito do Mar. No dia em que se fizer uma revis\u00e3o desta conven\u00e7\u00e3o, pa\u00edses como o nosso que t\u00eam uma grande \u00e1rea atribu\u00edda no mar com um pequeno potencial para a desenvolver poder\u00e3o estar em risco de perderem esse potencial. Como disse, o nosso potencial pode tamb\u00e9m ser uma amea\u00e7a e a amea\u00e7a muitas vezes n\u00e3o \u00e9 dos nossos opositores declarados, \u00e9 dos pr\u00f3prios pa\u00edses que est\u00e3o dentro das nossas alian\u00e7as, que tamb\u00e9m t\u00eam interesses a defender.\u201d<\/p>\n<p>Para terminar, coube ao moderador a \u00faltima pergunta: Como fazer para reabilitar as democracias e a nossa, em part\u00edcula?<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tenho resposta para essa pergunta, gostava eu tamb\u00e9m de ter resposta para todas as perguntas\u201d, respondeu o Almirante, mas \u201ch\u00e1 um princ\u00edpio que tem a ver com o conceito de participa\u00e7\u00e3o. N\u00f3s habituamo-nos a que algu\u00e9m est\u00e1 a tomar conta de n\u00f3s e, portanto, n\u00f3s n\u00e3o precisamos de participar. Isso nota-se no aumento gradual das pessoas que se abst\u00eam e n\u00e3o v\u00e3o votar, no associativismo nas comunidades. Achamos que a democracia existe, vai funcionando e, portanto, n\u00e3o precisamos de participar nela. At\u00e9 ao dia em que descobrimos que j\u00e1 n\u00e3o temos democracia.\u201d<\/p>\n<p>\u201cAcho que democracia vem tamb\u00e9m com a educa\u00e7\u00e3o, temos de educar a nossa popula\u00e7\u00e3o a ser politicamente ativa, incentivar os jovens a participar na vida da comunidade e isso refor\u00e7a a democracia. O que prejudica a democracia \u00e9 a maioria silenciosa que n\u00e3o se manifesta e um dia passa de massa silenciosa a uma carneirada em que depois tem um pastor que toma conta desse rebanho. N\u00f3s \u00e9 que tomamos conta de n\u00f3s pr\u00f3prios\u201d, defendeu.<\/p>\n<p>\u201cMesmo dentro do sistema militar h\u00e1 sempre a queixa permanente e queixar n\u00e3o \u00e9 participar. Temos de deixar de queixar tanto e participar mais. Hoje, h\u00e1 uma participa\u00e7\u00e3o negativa atrav\u00e9s da comunica\u00e7\u00e3o social, redes sociais, que se tornaram o ve\u00edculo de cr\u00edticas permanentes, inven\u00e7\u00f5es e rumores e isso destr\u00f3i a democracia. Hoje somos todos t\u00e9cnicos, aprendemos t\u00e9cnicas, mas esquecemos que que a vida em sociedade \u00e9 o mais importante porque sem sociedade n\u00e3o existe nada\u201d, acrescentou.<br \/>\ns<br \/>\nPara Gouveia e Melo, \u201cdemocracia somos todos n\u00f3s a defender a pr\u00f3pria democracia. N\u00e3o esperem que apare\u00e7a algum salvador. N\u00e3o vai aparecer, e se aparecer, \u00e9 muito mau. Normalmente, \u00e9 o pastor.\u201d<\/p>\n<p><strong>M\u00e1rio Lopes<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A terceira sess\u00e3o no Ciclo de Confer\u00eancias \u201cDitadura e Democracia: Que Hist\u00f3ria? Que Presente? 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