{"id":28981,"date":"2023-07-23T09:00:09","date_gmt":"2023-07-23T09:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/tintafresca.net\/?p=28981"},"modified":"2023-07-24T14:44:48","modified_gmt":"2023-07-24T14:44:48","slug":"alambi-insta-icnf-a-plantar-floresta-autoctone-em-vez-de-pinheiros-na-serra-de-montejunto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/2023\/07\/23\/alambi-insta-icnf-a-plantar-floresta-autoctone-em-vez-de-pinheiros-na-serra-de-montejunto\/","title":{"rendered":"Alambi insta ICNF a plantar floresta aut\u00f3ctone em vez de pinheiros na Serra de Montejunto"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_28984\" style=\"width: 408px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-28984\" class=\"wp-image-28984 size-full\" src=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Alenquer_Alambi.png\" alt=\"\" width=\"398\" height=\"189\" srcset=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Alenquer_Alambi.png 398w, https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Alenquer_Alambi-300x142.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 398px) 100vw, 398px\" \/><p id=\"caption-attachment-28984\" class=\"wp-caption-text\">Cartaz da ICNF junto \u00e0 zona da recente planta\u00e7\u00e3o de pinheiros<\/p><\/div>\n<p>A Dire\u00e7\u00e3o da Alambi &#8211;\u00a0Associa\u00e7\u00e3o para o Estudo e Defesa do Ambiente do Concelho de Alenquer enviou uma carta ao ICNF- Instituto da Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e Florestas, no dia 22 de julho, a prop\u00f3sito da recente planta\u00e7\u00e3o de pinheiros no Per\u00edmetro Florestal da Serra de Montejunto pelo ICNF, em que reclama a planta\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies aut\u00f3ctones, em vez de pinheiros, por raz\u00f5es ambientais e minimizar o risco de inc\u00eandios.<\/p>\n<p>A Serra de Montejunto entrou em Regime Florestal Parcial em 1910, sendo apropriada pelos Servi\u00e7os Florestais. Por essa altura a Serra estava despida de arvoredo, depois de s\u00e9culos de desarboriza\u00e7\u00e3o \u2013 relatos da \u00e9poca dizem que as \u00e1rvores se contavam pelos dedos de uma m\u00e3o \u2013 e os Servi\u00e7os Florestais, num trabalho diligente que demorou d\u00e9cadas, plantaram ali um imenso pinhal com uma \u00e1rea superior a mil hectares.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o por florestar com pinheiros as serras portuguesas que entravam em Regime Florestal, todavia, nada teve a ver com a reconstitui\u00e7\u00e3o dos ecossistemas destru\u00eddos por s\u00e9culos de arroteias \u2013 quest\u00e3o que nem se colocava na \u00e9poca \u2013 nem t\u00e3o pouco a utiliza\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies nativas constitu\u00eda uma preocupa\u00e7\u00e3o. Quando os bosques nativos foram completamente dizimados e come\u00e7ou a faltar madeira em Portugal, foi necess\u00e1rio plantar floresta. No S\u00e9culo XIX, os primeiros florestais portugueses, foram \u00e0 Europa &#8211; que se debatia com o mesmo problema &#8211; estudar o que por l\u00e1 estava a ser feito e, aplicaram em Portugal as mesmas solu\u00e7\u00f5es que ali estavam a ser seguidas.<\/p>\n<p>A Floresta\u00e7\u00e3o em Portugal teve in\u00edcio pelas dunas do litoral, onde foi plantado sobretudo pinheiro bravo e quando foi necess\u00e1rio passar do litoral para as serranias, foi transposta a boa experi\u00eancia de d\u00e9cadas a plantar em dunas. O pinheiro, como esp\u00e9cie pioneira, adaptou-se bem a serranias de solos empobrecidos pela eros\u00e3o. E assim, paulatinamente, nasceu a maior mancha cont\u00ednua de pinhal da Europa.<\/p>\n<p>Em 2003 Montejunto ardeu. Num imenso fogo que durou uma semana, arderam 1700ha, dos quais 950ha de povoamentos florestais, isto \u00e9, de pinhal (Relat\u00f3rio Provis\u00f3rio da DGF de novembro de 2003). Segundo o invent\u00e1rio florestal que consta no Projeto de Plano de Ordenamento e Gest\u00e3o da Paisagem protegida da Serra de Montejunto, datado de 2011, restavam naquela altura em Montejunto 297ha de resinosas, o que permite concluir que o inc\u00eandio de 2003 consumiu, de uma s\u00f3 vez, 76 por cento do pinhal que os Servi\u00e7os Florestais demoraram d\u00e9cadas a plantar.<\/p>\n<p>Este n\u00e3o foi sequer o primeiro fogo a devastar os pinhais de Montejunto. J\u00e1 o Mestre Florestal Juli\u00e3o Marques, em relat\u00f3rio datado de 1949 informa que \u00abos fogos, de h\u00e1 15 anos para c\u00e1, queimaram umas centenas de hectares\u00bb.<\/p>\n<p>Recentemente, o ICNF, herdeiro dos Servi\u00e7os Florestais, realizou uma nova planta\u00e7\u00e3o de pinheiros na Serra de Montejunto, op\u00e7\u00e3o que a Alambi n\u00e3o pode deixar de questionar.<\/p>\n<p>Em 2003, ano do grande inc\u00eandio de Montejunto, arderam em todo o pa\u00eds mais de 400 mil hectares de floresta e matos. Ficou claro, nesse ano que grandes extens\u00f5es de resinosas fora do litoral, sem pastoreio, sem a ro\u00e7a de matos, sem a recolha de lenha morta, isto \u00e9, sem gest\u00e3o ativa, s\u00e3o altamente vulner\u00e1veis ao fogo, constituem um perigo para as popula\u00e7\u00f5es residentes, s\u00e3o um investimento econ\u00f3mico sem retorno e constituem um ecossistema ideal para alimentar grandes fogos no ver\u00e3o.<\/p>\n<p>A Alambi recorda que \u201co clima est\u00e1 a mudar e tornou-se evidente que o modelo florestal seguido pelos Servi\u00e7os Florestais para as serras portuguesas durante d\u00e9cadas, assente nas resinosas, j\u00e1 n\u00e3o se adapta ao clima atual e dificilmente se adaptar\u00e1 a um novo modelo clim\u00e1tico em que as temperaturas m\u00e9dias podem ser dois ou tr\u00eas graus acima das temperaturas m\u00e9dias atuais.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEm serranias como Montejunto, sobretudo nas zonas mais baixas, j\u00e1 foi criado solo capaz de suportar esp\u00e9cies nativas folhosas. Ent\u00e3o porqu\u00ea insistir em esp\u00e9cies resinosas?\u201d, pergunta.<\/p>\n<p>\u201cJos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva e Barros Gomes, pioneiros da floresta\u00e7\u00e3o em Portugal, andaram anos pela Europa a estudar o que por l\u00e1 se fazia. Naquela altura as resinosas eram as esp\u00e9cies usadas, mas, entretanto, nesses pa\u00edses, os conceitos evolu\u00edram e passaram a ser usadas tamb\u00e9m outras esp\u00e9cies. Ser\u00e1 que a gest\u00e3o florestal em Portugal ainda \u00e9 feita \u00e0 maneira do s\u00e9culo XIX?\u201d, questiona.<\/p>\n<p>A Paisagem Protegida da Serra de Montejunto, 24 anos depois da sua constitui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem ainda Plano de Ordenamento e Gest\u00e3o, o que pode constituir uma dificuldade ao seu ordenamento florestal, nomeadamente \u00e0s op\u00e7\u00f5es de refloresta\u00e7\u00e3o. Todavia, se n\u00e3o existe Plano de Ordenamento, existem outros documentos oficiais que devem ser seguidos.<\/p>\n<p>\u201cEm 1957 os Servi\u00e7os Florestais elaboraram um Projeto de Arboriza\u00e7\u00e3o de Per\u00edmetro Florestal da Serra de Montejunto no qual previam percorrer por sementeira e planta\u00e7\u00e3o de folhosas, 554ha das zonas de melhores solos, algumas das quais foram agora plantadas com pinheiros. Este projeto, muito avan\u00e7ado para a \u00e9poca, lamentavelmente, est\u00e1 esquecido nos arquivos do ICNF e, no que diz respeito ao aumento da \u00e1rea de folhosas, nunca foi implementado\u201d, critica.<\/p>\n<p>O Invent\u00e1rio florestal realizado em 2011 para o Projeto de Plano de Ordenamento e Gest\u00e3o nunca aprovado, quantifica em 55,6ha a \u00e1rea de diversas folhosas de porte arb\u00f3reo, de entre as quais carvalhos, sobreiros, castanheiros e carrascal arb\u00f3reo, em v\u00e1rias zonas da Serra. A \u00e1rea de folhosas na Serra de Montejunto em 2011 era apenas 10 por cento da \u00e1rea que os Servi\u00e7os Florestais previam plantar no Projeto de Arboriza\u00e7\u00e3o de 1957, 54 anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Por sua vez, o Plano Sectorial da Rede Natura 2000 da Serra de Montejunto estabelece como orienta\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o, a\u00e7\u00f5es \u00abdirigidas prioritariamente para a recupera\u00e7\u00e3o de diferentes habitats, promo\u00e7\u00e3o do carvalhal, dos habitats rup\u00edcolas e dos bi\u00f3topos de alimenta\u00e7\u00e3o dos quir\u00f3pteros\u00bb. Assim, conclui a Alambi, \u201c\u00e9 a planta\u00e7\u00e3o de carvalhos que a o Plano da Rede Natura manda realizar, n\u00e3o \u00e9 a planta\u00e7\u00e3o de pinheiros.\u201d<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o Oeste PIAAC, um documento de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas para a Regi\u00e3o, elaborado a partir dos trabalhos do IPCC, por encomenda da Comunidade Intermunicipal do Oeste recomenda, como a\u00e7\u00f5es de adapta\u00e7\u00e3o, a elabora\u00e7\u00e3o de um manual de boas pr\u00e1ticas florestais para a planta\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de povoamentos de variedades aut\u00f3ctones (p\u00e1g. 307), a atribui\u00e7\u00e3o de pr\u00e9mios a propriet\u00e1rios florestais que replantem \u00e1reas ardidas com esp\u00e9cies aut\u00f3ctones (p\u00e1g. 308), e, mais \u00e0 frente, em Linhas de Interven\u00e7\u00e3o, recomenda \u00e0s C\u00e2mara Municipais associadas, \u00abem sede do processo de revis\u00e3o dos PDM, fomentar a diversifica\u00e7\u00e3o de povoamentos florestais, nomeadamente atrav\u00e9s de esp\u00e9cies aut\u00f3ctones, destacando-se os carvalhos perenif\u00f3lios (sobreiros e azinheiras) e, simultaneamente, desincentivar as monoculturas e o recurso a esp\u00e9cies potencialmente invasoras e nocivas para os ecossistemas naturais\u00bb.<\/p>\n<p>Embora este documento n\u00e3o tenha sido elaborado para a Serra de Montejunto, a Serra est\u00e1 integrada no territ\u00f3rio da Regi\u00e3o Oeste e, o seu ordenamento florestal, deve seguir as linhas orientadoras que ali s\u00e3o estabelecidas.<\/p>\n<p>\u201cApesar de, volvidos 24 anos da sua cria\u00e7\u00e3o, a Paisagem Protegida n\u00e3o ter ainda Plano de Ordenamento, a verdade \u00e9 que existem pelo menos tr\u00eas documentos orientadores que lhe s\u00e3o aplic\u00e1veis e a recente planta\u00e7\u00e3o de pinheiros realizada pelo ICNF n\u00e3o segue as linhas orientadoras estabelecidas em nenhum destes documentos. Pelo contr\u00e1rio, enquanto o Projeto de Arboriza\u00e7\u00e3o de 1957 previa percorrer com folhosas zonas de pinhal, na recente floresta\u00e7\u00e3o realizada pelo ICNF foram plantados pinheiros em zonas onde come\u00e7am a surgir carvalhos\u201d, lamenta a Alambi.<\/p>\n<p>\u201cEm nosso entender os 1500ha do Per\u00edmetro Florestal da Serra de Montejunto sob responsabilidade do ICNF, n\u00e3o devem ser geridos de forma casu\u00edstica, ao sabor do que cada equipa t\u00e9cnica entende por bem fazer. Na aus\u00eancia de um Plano de Ordenamento e Gest\u00e3o da Paisagem Protegida, existem outros documentos orientadores e \u00e9 o que est\u00e1 estabelecido nesses documentos que deve ser seguido\u201d, recomenda.<\/p>\n<p>Assim, a Alambi vem, com esta carta, convidar o ICNF a corrigir o erro que cometeu e a substituir os pinheiros ali plantados por \u00e1rvores das esp\u00e9cies referidas nos documentos que se aplicam a Montejunto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Dire\u00e7\u00e3o da Alambi &#8211;\u00a0Associa\u00e7\u00e3o para o Estudo e Defesa do Ambiente do Concelho de Alenquer enviou uma carta ao ICNF- Instituto da Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e Florestas, no dia 22 de julho, a prop\u00f3sito da recente planta\u00e7\u00e3o de pinheiros no Per\u00edmetro Florestal da Serra de Montejunto pelo ICNF, em que reclama a planta\u00e7\u00e3o de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":29013,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-28981","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ambiente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28981","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28981"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28981\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28986,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28981\/revisions\/28986"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29013"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28981"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28981"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28981"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}