{"id":35574,"date":"2024-06-15T23:13:30","date_gmt":"2024-06-15T23:13:30","guid":{"rendered":"https:\/\/tintafresca.net\/?p=35574"},"modified":"2024-06-15T23:20:01","modified_gmt":"2024-06-15T23:20:01","slug":"alenquer-homenageou-camoes-no-500o-aniversario-do-seu-nascimento-com-placa-invocativa-do-poeta-no-jardim-das-aguas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/2024\/06\/15\/alenquer-homenageou-camoes-no-500o-aniversario-do-seu-nascimento-com-placa-invocativa-do-poeta-no-jardim-das-aguas\/","title":{"rendered":"Alenquer homenageou Cam\u00f5es no 500\u00ba anivers\u00e1rio do seu nascimento com placa evocativa no Jardim das \u00c1guas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_35576\" style=\"width: 408px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-35576\" class=\"wp-image-35576 size-full\" src=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Alenquer_Camoes20.jpg\" alt=\"\" width=\"398\" height=\"651\" srcset=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Alenquer_Camoes20.jpg 398w, https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Alenquer_Camoes20-183x300.jpg 183w\" sizes=\"auto, (max-width: 398px) 100vw, 398px\" \/><p id=\"caption-attachment-35576\" class=\"wp-caption-text\">Ator representando Cam\u00f5es junto \u00e0 placa alusiva ao poeta<\/p><\/div>\n<p>Por proposta da Alambi, Alenquer homenageou Cam\u00f5es no 500\u00ba anivers\u00e1rio do seu nascimento, com o descerramento de uma placa invocativa do poeta, no jardim das \u00c1guas, local dos olhos de \u00e1gua invocados no canto III de Os Lus\u00edadas.<\/p>\n<p>Cam\u00f5es referiu v\u00e1rias vezes Alenquer na sua obra, quer na l\u00edrica, quer na correspond\u00eancia, quer em Os Lus\u00edadas, mostrando um bom conhecimento deste territ\u00f3rio. Por outro lado, s\u00e3o conhecidas as liga\u00e7\u00f5es da sua fam\u00edlia a Alenquer. N\u00e3o \u00e9 por acaso que os estudos documentais que s\u00e3o publicados sobre o poeta, continuam a apontar Alenquer como um dos locais prov\u00e1veis do seu nascimento.<\/p>\n<p>Com os descobrimentos mar\u00edtimos os europeus deram-se conta do esplendor da natureza. Cam\u00f5es descobriu esse mesmo esplendor numa singularidade geol\u00f3gica localizada dentro de Alenquer.<\/p>\n<p>Proposta da Dire\u00e7\u00e3o da Alambi &#8211; Associa\u00e7\u00e3o para o Estudo e Defesa do Ambiente do Concelho de Alenquer. para edifica\u00e7\u00e3o de uma l\u00e1pide a Cam\u00f5es nos olhos de \u00e1gua de Alenquer<\/p>\n<p>S\u00e3o conhecidas as liga\u00e7\u00f5es de Lu\u00eds de Cam\u00f5es a Alenquer. Segundo Luciano Ribeiro (Vasco Perez de Cam\u00f5es, Alcaide de Alenquer, Lisboa, 1949), a fam\u00edlia de Cam\u00f5es seria de origem galega, tendo o seu trisav\u00f4 vindo para Portugal com o ex\u00e9rcito do rei D. Fernando, a quando de uma invas\u00e3o que este fez \u00e0 Galiza em 1369, intervindo numa disputa din\u00e1stica. O trisav\u00f4 de Cam\u00f5es, Vasco Perez, ter\u00e1 tomado partido, nessa disputa, pelo lado perdedor e, quando as tropas portuguesas retiram da Galiza, veio para Portugal com o ex\u00e9rcito de D. Fernando. Ter\u00e1 ent\u00e3o entrado no c\u00edrculo da rainha D.\u00aa Leonor, tornou-se amigo do Mestre de Avis e obteve vastos dom\u00ednios, de entre os quais as alcaidarias de Vila Verde dos Francos e de Alenquer, esta concedida em 1383 por D. Fernando. Na crise din\u00e1stica de 1383, desencadeada com a morte do rei, Vasco Perez ter\u00e1 tomado o partido de Castela, cujo rei era agora D.Juan II e participou na batalha de Aljubarrota pelo lado castelhano, onde foi feito prisioneiro. Ter\u00e1 sido despojado dos seus bens, mas, D. Jo\u00e3o I teria considera\u00e7\u00e3o por ele e ainda lhe manteve algumas concess\u00f5es, entre as quais, casas em Alenquer.<\/p>\n<p>Filipe Rogeiro, por outro lado, num artigo intitulado \u00abOrigens de Cam\u00f5es\u00bb &#8211; A teoria de M\u00e1rio Saa, exp\u00f4s a tese deste autor, segundo a qual ser\u00e3o outras as origens da fam\u00edlia de Cam\u00f5es e a sua liga\u00e7\u00e3o a Alenquer remonta aos tempos da conquista crist\u00e3 do sul de Portugal aos mouros.<\/p>\n<p>Seja qual for a hist\u00f3ria da ancestralidade de Cam\u00f5es e da sua liga\u00e7\u00e3o a Alenquer, o certo \u00e9 que a obra do poeta demonstra um conhecimento apurado da regi\u00e3o, pr\u00f3prio de quem aqui viveu, percorreu caminhos, ou aqui ter\u00e1 nascido.<\/p>\n<p>\u00c9 por demais conhecido o soneto em que Cam\u00f5es diz, criou-me Portugal na verde e cara p\u00e1tria minha, Alenquer, que sugere uma liga\u00e7\u00e3o a Alenquer que vem dos tempos de inf\u00e2ncia (que alguns bi\u00f3grafos, no entanto, dizem tratar-se de um epit\u00e1fio dedicado a um soldado alenquerense seu amigo); menos conhecida, por\u00e9m, ser\u00e1 a sua amizade com D. Ant\u00f3nio de Noronha, fidalgo da casa senhorial de Vila Verde dos Francos e vice-rei da \u00edndia, a quem o poeta dedicou um soneto depois de ter conhecimento da sua morte, ocorrida em 1573.<\/p>\n<p>Catarina de Ata\u00edde, a c\u00e9lebre Nat\u00e9rcia de Cam\u00f5es, seria, segundo Luciano Ribeiro (A Funda\u00e7\u00e3o de Vila Verde dos Francos), uma neta de Vasco da Gama e mulher de D. Pedro de Noronha, s\u00e9timo senhor de Vila Verde dos Francos.<\/p>\n<p>Atesta o grande conhecimento que Cam\u00f5es tinha da regi\u00e3o, uma refer\u00eancia aos touros da Merceana, numa das cartas da \u00edndia, em que, queixando-se da inveja, da maledic\u00eancia e da ingratid\u00e3o dos homens de Portugal, aben\u00e7oa a sua partida para a \u00cdndia, onde, diz, \u00abvivo mais adorado que os toiros da Merciana\u00bb, demonstrando um grande conhecimento da adora\u00e7\u00e3o que nesta terra era prestada ao boi Marciano, \u00eddolo da confraria da Nossa Senhora da Piedade, detentora de uma ganaria.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que o largo principal da Merceana tem o nome de Cam\u00f5es, como pode ser verificado no memorial que ali foi erguido ao poeta, com a inscri\u00e7\u00e3o da sua refer\u00eancia aos touros que em tempos ali usufru\u00edam de boas pastagens e se converteram em motivo de adora\u00e7\u00e3o religiosa. No canto III d\u2019Os Lus\u00edadas, est\u00e2ncia 61, narrando a conquista aos mouros das cidades e vilas do sul de Portugal pelo rei Afonso Henriques, com a ajuda de uma esquadra de cruzados, exclama:<\/p>\n<p>J\u00e1 lhe obedece toda a Estremadura,<\/p>\n<p>\u00d3bidos, Alanquer (por onde soa<\/p>\n<p>O tom das frescas \u00e1guas entre as pedras,<\/p>\n<p>Que murmurando lava) e Torres Vedras.<\/p>\n<p>O local de Alenquer referido por Cam\u00f5es, de onde brotam frescas e abundantes \u00e1guas por entre as pedras, \u00e9 bem conhecido e perdura nos nossos dias, embora j\u00e1 com fei\u00e7\u00f5es artificias que n\u00e3o teria ao tempo em que o poeta aqui ter\u00e1 vivido. Cam\u00f5es escreveu sobre os olhos de \u00e1gua de Alenquer, situados no jardim das \u00c1guas, essa fonte generosa que o impressionou, que constitui uma singularidade geol\u00f3gica da vila que, anualmente continua a proporcionar um generoso espet\u00e1culo natural que nos deleita.<\/p>\n<p>Sendo uma honra para Alenquer ter referenciada n\u2019Os Lus\u00edadas &#8211; a grande obra po\u00e9tica que constitui o s\u00edmbolo da portugalidade &#8211; uma das suas mais impressionantes belezas naturais, a Alambi prop\u00f4s \u00e0 C\u00e2mara Municipal a edifica\u00e7\u00e3o no Jardim das \u00c1guas, junto aos olhos de \u00e1gua, de uma l\u00e1pide invocativa de Cam\u00f5es com o trecho da grade obra do poeta invocativo daquele lugar.<\/p>\n<p>V\u00eddeo dos olhos de \u00e1gua gravado este inverno:\u00a0 https:\/\/www.facebook.com\/watch\/?v=1622336211552213 Alenquer, 2 de Abril de 2024<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por proposta da Alambi, Alenquer homenageou Cam\u00f5es no 500\u00ba anivers\u00e1rio do seu nascimento, com o descerramento de uma placa invocativa do poeta, no jardim das \u00c1guas, local dos olhos de \u00e1gua invocados no canto III de Os Lus\u00edadas. 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