{"id":37313,"date":"2024-10-18T23:29:45","date_gmt":"2024-10-18T23:29:45","guid":{"rendered":"https:\/\/tintafresca.net\/?p=37313"},"modified":"2024-10-19T19:06:21","modified_gmt":"2024-10-19T19:06:21","slug":"dislexia-atinge-125-mil-alunos-do-ensino-basico-e-secundario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/2024\/10\/18\/dislexia-atinge-125-mil-alunos-do-ensino-basico-e-secundario\/","title":{"rendered":"Dislexia atinge 125 mil alunos do ensino b\u00e1sico e secund\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_37315\" style=\"width: 503px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-37315\" class=\"wp-image-37315 size-full\" src=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Obidos_Helena-Serra-presidente-da-Associacao-Portuguesa-de-Dislexia10.jpg\" alt=\"\" width=\"493\" height=\"352\" srcset=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Obidos_Helena-Serra-presidente-da-Associacao-Portuguesa-de-Dislexia10.jpg 493w, https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Obidos_Helena-Serra-presidente-da-Associacao-Portuguesa-de-Dislexia10-300x214.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 493px) 100vw, 493px\" \/><p id=\"caption-attachment-37315\" class=\"wp-caption-text\">Interven\u00e7\u00e3o de Helena Serra<\/p><\/div>\n<p>Helena Serra, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Dislexia (APD), apresentou-se, esta quinta-feira, dia 17 de outubro, no semin\u00e1rio \u201cA inquieta\u00e7\u00e3o da leitura para Tod@s\u201d &#8211; evento integrado no F\u00d3LIO &#8211; Festival Liter\u00e1rio Internacional de \u00d3bidos &#8211; em representa\u00e7\u00e3o de \u201c125 mil alunos que est\u00e3o sentados nas salas de aula do [ensino] b\u00e1sico e do secund\u00e1rio\u201d. A docente defendeu a necessidade de intervir junto desta popula\u00e7\u00e3o logo no pr\u00e9-escolar, para combater esta perturba\u00e7\u00e3o na aprendizagem.<\/p>\n<p>\u201cA dislexia \u00e9 uma dificuldade espec\u00edfica dur\u00e1vel, que atinge a leitura e a escrita, porque a pessoa n\u00e3o consegue adquirir esse automatismo\u201d, explicou Helena Serra. \u201cS\u00e3o crian\u00e7as inteligentes ou superiormente inteligentes, que n\u00e3o t\u00eam nenhuma perturba\u00e7\u00e3o sensorial. A origem da dislexia \u00e9 neurobiol\u00f3gica, e atinge a precis\u00e3o\u201d, acrescentou. A t\u00edtulo de exemplo, referiu que h\u00e1 casos em que a palavra \u201cave\u201d \u00e9 lida pelo c\u00e9rebro como \u201cEva\u201d.<\/p>\n<p>No caso dos adultos, est\u00e1 associado \u00e0 compreens\u00e3o, pelo que \u00e9 comum as pessoas dizerem que n\u00e3o entenderam o que leram. \u201cA leitura \u00e9 descodificar e compreender em simult\u00e2neo\u201d, referiu a docente. Contudo, h\u00e1 pessoas que n\u00e3o conseguem perceber as palavras, apesar de terem muita capacidade. \u201cA causa n\u00e3o est\u00e1 no aluno, mas no contexto\u201d, alertou. Para tal, aconselhou os educadores e os professores a estarem atentos a estas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>A presidente da APD disse que perante a baixa capacidade lingu\u00edstica, a pouca empatia com os professores, os curr\u00edculos desajustados, a perturba\u00e7\u00e3o emocional gerada por todas estas situa\u00e7\u00f5es, e a baixa cultura das fam\u00edlias, estes alunos acabam por desmotivar, e por n\u00e3o querer ler, nem estudar. Para o evitar, sublinhou ser fundamental ir ao encontro das suas caracter\u00edsticas, pois \u00e9 poss\u00edvel ajud\u00e1-los a melhorar a aprendizagem.<\/p>\n<p><strong>Barreira no c\u00e9rebro<\/strong><\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma esp\u00e9cie de barreira no c\u00e9rebro, devido a um problema no sistema nervoso central\u201d, afirmou a docente. \u201cAs letras t\u00eam s\u00edmbolos gr\u00e1ficos e sonoros, e \u00e9 na associa\u00e7\u00e3o rapid\u00edssima que o c\u00e9rebro tem de fazer que o automatismo da leitura vai acontecer\u201d, explicou.<\/p>\n<p>No universo dos 10% de alunos com esta dificuldade, nalguns \u00e9 mais acentuada do que noutros menos, pois existem diferentes graus de dislexia.<\/p>\n<p>A perturba\u00e7\u00e3o de aprendizagem observa-se no d\u00e9fice em leitura, que pode estar associado \u00e0 escrita, \u00e0 disortografia ou \u00e0 disgrafia (movimentos descoordenados na escrita), e que pode levar estes alunos a escrever \u201cestam\u201d, em vez de \u201cest\u00e3o\u201d. Helena Serra esclareceu, por\u00e9m, que s\u00f3 60% t\u00eam problemas com a Matem\u00e1tica, pois podem interpretar o n\u00famero 28 como 82, ou ler o sinal \u201c+\u201d como \u201c-\u201c.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fonologia, disse que quando as crian\u00e7as s\u00e3o desafiadas a dizer palavras com um som semelhante a \u201cbot\u00e3o\u201d, como \u201cJo\u00e3o\u201d, algumas n\u00e3o conseguem. O mesmo sucedendo quando os jogos consistem em dizer palavras iniciadas por \u201cf\u201d. Nesse sentido, recomendou aos educadores de inf\u00e2ncia fazerem estes exerc\u00edcios nas salas, pois permitem ajudar a identificar casos de dislexia. \u201cSe interviermos cedo a crian\u00e7a melhora o processo de leitura.\u201d<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o crian\u00e7as com criatividade e inteligentes, mas com as letras n\u00e3o funcionam\u201d, referiu a docente. \u201cFogem a sete p\u00e9s dos textos, pelo que tem de haver uma vontade f\u00e9rrea deles e da fam\u00edlia, porque t\u00eam de ler muito\u201d, aconselhou. \u201cO c\u00e9rebro funciona de forma diferente, devido a uma altera\u00e7\u00e3o dos neur\u00f3nios\u201d, afirmou. \u201cConheci um aluno do 9.\u00ba ano que, em vez de escrever \u2018escola\u2019, escrevia \u2018esgola\u2019\u201d, exemplificou. \u201cCada caso \u00e9 um caso, mas h\u00e1 um universo de caracter\u00edsticas onde cabem todos.\u201d<\/p>\n<p>Helena Serra destacou ainda o facto de a dislexia ser um defeito cong\u00e9nito no c\u00e9rebro, e ser heredit\u00e1rio. \u201c\u00c9 no ensino que a pessoa que trabalha com a crian\u00e7a percebe que h\u00e1 ali qualquer coisa, e tem de a encaminhar para quem possa fazer o diagn\u00f3stico, e prescrever exerc\u00edcios, estrat\u00e9gias e atividades, para poder evoluir nesta fun\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Caso contr\u00e1rio, a atitude nas aulas e na escola ser\u00e1 pautada pela desconcentra\u00e7\u00e3o, desinteresse pelos estudos, timidez, inseguran\u00e7a e inibi\u00e7\u00e3o, fechamento e isolamento, por n\u00e3o querem que se saiba das suas dificuldades, e, nos casos mais complicados, agressividade, o que se manifesta por atitudes provocadoras, que podem causar indisciplina.<\/p>\n<p>A presidente da APD sublinhou, por isso, a import\u00e2ncia de \u201cvalorizar ao m\u00e1ximo a produ\u00e7\u00e3o do aluno\u201d, que na oralidade \u00e9 sempre muito melhor, por exemplo, n\u00e3o pontuando os erros. \u201cSe a fam\u00edlia e a escola n\u00e3o destru\u00edrem a sua autoestima, poder\u00e3o tornar-se adultos realizados\u201d, acredita.<\/p>\n<p><strong>Fonte: SA|GCI|CMO<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Helena Serra, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Dislexia (APD), apresentou-se, esta quinta-feira, dia 17 de outubro, no semin\u00e1rio \u201cA inquieta\u00e7\u00e3o da leitura para Tod@s\u201d &#8211; evento integrado no F\u00d3LIO &#8211; Festival Liter\u00e1rio Internacional de \u00d3bidos &#8211; em representa\u00e7\u00e3o de \u201c125 mil alunos que est\u00e3o sentados nas salas de aula do [ensino] b\u00e1sico e do secund\u00e1rio\u201d. 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