{"id":37336,"date":"2024-10-20T23:36:05","date_gmt":"2024-10-20T23:36:05","guid":{"rendered":"https:\/\/tintafresca.net\/?p=37336"},"modified":"2024-10-20T23:36:05","modified_gmt":"2024-10-20T23:36:05","slug":"mia-couto-as-pessoas-nao-se-podem-dar-ao-luxo-de-nao-ter-esperanca-se-nao-nao-existem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/2024\/10\/20\/mia-couto-as-pessoas-nao-se-podem-dar-ao-luxo-de-nao-ter-esperanca-se-nao-nao-existem\/","title":{"rendered":"Mia Couto: \u201cAs pessoas n\u00e3o se podem dar ao luxo de n\u00e3o ter esperan\u00e7a. Se n\u00e3o, n\u00e3o existem\u201d"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_37339\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-37339\" class=\"wp-image-37339 size-full\" src=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Obidos_Mia-Couto-A-Cegueira-do-Rio-FOLIO2024_10.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Obidos_Mia-Couto-A-Cegueira-do-Rio-FOLIO2024_10.jpg 500w, https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Obidos_Mia-Couto-A-Cegueira-do-Rio-FOLIO2024_10-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><p id=\"caption-attachment-37339\" class=\"wp-caption-text\">Zeferino Coelho e Mia Couto<\/p><\/div>\n<p>\u201cAs pessoas n\u00e3o se podem dar ao luxo de n\u00e3o ter esperan\u00e7a. Se n\u00e3o, n\u00e3o existem\u201d, afirmou, este s\u00e1bado, dia 19 de outubro, o escritor mo\u00e7ambicano Mia Couto, durante a apresenta\u00e7\u00e3o do romance \u201cA Cegueira do Rio\u201d, no F\u00d3LIO &#8211; Festival Liter\u00e1rio Internacional de \u00d3bidos. O autor defendeu que \u00e9 poss\u00edvel ser feliz, apesar de estarmos sempre a ser lembrados de que \u201ch\u00e1 um apocalipse a bater \u00e0 porta\u201d. \u201cO medo de n\u00e3o ter paz, de n\u00e3o ter futuro, tudo se transformou numa amea\u00e7a\u201d, precisou. \u201cEsse sentimento de tristeza \u00e9 um luxo, porque cada dia \u00e9 um dia de sobreviv\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>Relativamente ao seu pa\u00eds natal, defendeu que \u201cn\u00e3o h\u00e1 uma guerra em Mo\u00e7ambique, h\u00e1 v\u00e1rias guerras que est\u00e3o a acontecer\u201d, acrescentando que \u201ch\u00e1 uma m\u00e1quina que faz com que tenham de acontecer porque \u00e9 gerado lucro disso\u201d, alertou. \u201cFran\u00e7a, Alemanha, Estados Unidos, R\u00fassia, n\u00e3o precisam de ter presen\u00e7a p\u00fablica, porque fazem alian\u00e7as com povos locais\u201d, frisou.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito do \u00faltimo livro, o editor da Caminho, Zeferino Coelho, lembrou que os rios t\u00eam um lugar muito importante no conjunto da obra de Mia Couto, como se fossem seres vivos. Em resposta, o escritor lembrou ser de origem africana, pelo que seria imposs\u00edvel sentir de outra forma. \u201cOs rios s\u00e3o como veias, como art\u00e9rias, que p\u00f5em em liga\u00e7\u00e3o territ\u00f3rios distantes\u201d, disse o autor.<\/p>\n<p>Bi\u00f3logo de forma\u00e7\u00e3o, explicou que existem 28 l\u00ednguas em Mo\u00e7ambique. Contudo, em nenhuma delas h\u00e1 uma para dizer \u201cnatureza\u201d. Curioso em rela\u00e7\u00e3o ao significado as palavras nos diferentes dialetos mo\u00e7ambicanos, contou que perguntou a uma mulher como se diz \u201crio\u201d e ela respondeu: \u201c\u00e1gua que engravida\u201d. \u201cH\u00e1 uma fronteira para ler o mundo\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Tendo forma\u00e7\u00e3o europeia e, sendo cientista, contou que se questionou como iria reagir de modo a saber que o pai n\u00e3o tinha partido. At\u00e9 que uma pessoa lhe disse: \u201co seu pai n\u00e3o foi, voc\u00ea \u00e9 o seu pai\u201d. Na verdade, Mia Couto disse sentir que ele est\u00e1 dentro de si. \u201cUma parte de mim vem dele, e isso ajuda-me muito a pensar que n\u00e3o tenho fronteira, e que n\u00e3o h\u00e1 um fim\u201d, referiu. Nesse sentido, explicou que a pandemia se viveu de uma forma \u201cmais ligeira\u201d em \u00c1frica. \u201cO mundo n\u00e3o tem fim, porque \u00e9 visto de uma forma circular.\u201d<\/p>\n<p>Apesar de ter 29 livros publicados em Portugal, Mia Couto disse n\u00e3o ter carreira. \u201cCada vez que come\u00e7o um, estou a estrear-me com os mesmos medos e receios. Estamos a falar com os nossos pr\u00f3prios fantasmas interiores\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Relativamente ao estado do mundo, Mia Couto defende que \u201co que est\u00e1 mal n\u00e3o \u00e9 apenas a ordem pol\u00edtica e econ\u00f3mica, mas uma vis\u00e3o do mundo que tem de ser sacudida. Esta vis\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 fronteira entre um humano e um n\u00e3o humano, o que \u00e9 natural e o que \u00e9 artificial, \u00e9 fundamental para se conseguir uma harmonia.\u201d<\/p>\n<p>O escritor mo\u00e7ambicano esgotou a capacidade da Casa da M\u00fasica, e muitos admiradores tiveram de aguardar \u00e0 porta pela sess\u00e3o de aut\u00f3grafos. Durante a sess\u00e3o, Zeferino Coelho aproveitou para informar que as capas dos livros de Mia Couto passaram a ser ilustradas por pintores mo\u00e7ambicanos da atualidade, para os leitores ficarem a conhecer o seu trabalho.<\/p>\n<p><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0Fonte: SA|GCI|CMO<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAs pessoas n\u00e3o se podem dar ao luxo de n\u00e3o ter esperan\u00e7a. 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