{"id":37776,"date":"2024-11-19T22:11:48","date_gmt":"2024-11-19T22:11:48","guid":{"rendered":"https:\/\/tintafresca.net\/?p=37776"},"modified":"2024-11-19T22:30:26","modified_gmt":"2024-11-19T22:30:26","slug":"x-congresso-nacional-da-rega-e-da-drenagem-conclui-em-alcobaca-que-portugal-nao-tem-falta-de-agua-mas-falta-de-gestao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/2024\/11\/19\/x-congresso-nacional-da-rega-e-da-drenagem-conclui-em-alcobaca-que-portugal-nao-tem-falta-de-agua-mas-falta-de-gestao\/","title":{"rendered":"X Congresso Nacional da Rega e da Drenagem em Alcoba\u00e7a conclui: em Portugal n\u00e3o h\u00e1 falta de \u00e1gua mas falta de gest\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_37778\" style=\"width: 360px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-37778\" class=\"wp-image-37778 size-full\" src=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Alcobaca_Goncalo-Morais-Tristao-Presidente-COTR-01.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"525\" srcset=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Alcobaca_Goncalo-Morais-Tristao-Presidente-COTR-01.jpg 350w, https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Alcobaca_Goncalo-Morais-Tristao-Presidente-COTR-01-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><p id=\"caption-attachment-37778\" class=\"wp-caption-text\">Gon\u00e7alo Morais Trist\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>O COTR &#8211; Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio levou a cabo a 10\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional de Rega e Drenagem organizado com o apoio da C\u00e2mara Municipal de Alcoba\u00e7a, da Associa\u00e7\u00e3o de Benefici\u00e1rios de Cela, da Associa\u00e7\u00e3o de Produtores de Ma\u00e7\u00e3 de Alcoba\u00e7a, da APDEA, da APRH, do COTHN, da DGADR, da FENAREG, do INIAV, do Polit\u00e9cnico de Coimbra, da SCAP e da Universidade de Coimbra. O grande f\u00f3rum nacional sobre inova\u00e7\u00e3o e tecnologia do setor que a cada dois anos re\u00fane o ecossistema da agricultura e do regadio, bem como empresas e a academia, contou com a presen\u00e7a de mais de 30 reputados oradores e especialistas nacionais e internacionais reunidos durante 3 dias.<\/p>\n<p>O programa do X Congresso incluiu uma sess\u00e3o de abertura a cargo do presidente do COTR, Gon\u00e7alo Morais Trist\u00e3o, de Herm\u00ednio Rodrigues, presidente da C\u00e2mara Municipal de Alcoba\u00e7a, e de Jos\u00e9 Manuel Gon\u00e7alves da Escola Superior Agr\u00e1ria de Coimbra, 5\u00a0 keynotes, v\u00e1rias apresenta\u00e7\u00f5es, 4 mesas-redondas e 2 f\u00f3runs de comunica\u00e7\u00f5es, estruturados em torno de 13 pain\u00e9is dedicados aos temas: \u00c1gua, Agricultura e Ambiente: Uma Abordagem Integrada da Gest\u00e3o da \u00c1gua; Regadio, Inova\u00e7\u00e3o e Tecnologia; Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas e Regadio: Medidas de Adapta\u00e7\u00e3o; Comunicar Agricultura e Regadio.<\/p>\n<p>Durante o Congresso foi tamb\u00e9m efetuada a apresenta\u00e7\u00e3o da Agenda de Investiga\u00e7\u00e3o e Inova\u00e7\u00e3o para o Regadio, e ocorreu uma visita t\u00e9cnica \u00e0 Campotec. Nuno Canada, presidente do INIAV, e Herm\u00ednio Rodrigues, Presidente da C\u00e2mara Municipal de Alcoba\u00e7a, foram os respons\u00e1veis pela sess\u00e3o de encerramento.<\/p>\n<p><strong>Modelo de gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos deve ser semelhante a Alqueva e assentar em fins m\u00faltiplos<\/strong><\/p>\n<p>Pedro Serra, que teve a seu cargo a primeira keynote do Congresso, defendeu que o modelo de gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos em Portugal deve ser de fins m\u00faltiplos e id\u00eantico ao concebido para o Alqueva, impondo-se a necessidade urgente de criar um quadro legislativo novo que tenha em conta o momento atual e que traga a Lei da \u00c1gua de 2005 para o presente.<\/p>\n<p>Dando a conhecer o retrato de Portugal e da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica no que diz respeito ao clima e ao regadio, aquele respons\u00e1vel revelou a posi\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gio de que Portugal desfruta no contexto europeu, dispondo, al\u00e9m disso, do dobro da quantidade de \u00e1gua per capita face ao resto da Europa, ainda que o n\u00edvel de pluviosidade seja mais irregular e a variabilidade se venha a acentuar cada vez mais, merc\u00ea tamb\u00e9m do impacto das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Referindo a assimetria existente entre as zonas h\u00famidas de Portugal (norte) e as zonas secas (sul) que justificam uma maior apet\u00eancia para agricultura de regadio na zona sul do pa\u00eds com o Alentejo a apresentar um crescimento de mais 60% nos \u00faltimos anos, Pedro Serra afirmou que em Portugal s\u00e3o os privados quem tem vindo a fazer investimentos avultados, na ordem dos v\u00e1rios milh\u00f5es de euros, no regadio durante a \u00faltima d\u00e9cada, criando o seu pr\u00f3prio Plano e impulsionando a sua moderniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Destacando a necessidade de se criar uma gest\u00e3o integrada dos recursos h\u00eddricos em Portugal, o orador deu como exemplo o enorme sucesso de Alqueva que j\u00e1 rega cerca de 150 mil hectares, e sublinhou que o n\u00edvel de efici\u00eancia do regadio privado no nosso pa\u00eds est\u00e1 nos 90%, enquanto o regadio p\u00fablico\/coletivo n\u00e3o vai al\u00e9m dos 40%.<\/p>\n<p>Pedro Serra tamb\u00e9m defendeu que os planos h\u00eddricos s\u00e3o essenciais para o futuro da \u00e1gua no nosso pa\u00eds, onde considerou que temos tudo, exceto vontade pol\u00edtica e estrat\u00e9gia para termos mais e melhores recursos h\u00eddricos, e que \u00e9 urgente mudar o paradigma da \u00e1gua na agricultura, porque dele depende a nossa seguran\u00e7a e autonomia alimentar.<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7a de paradigma na \u00e1gua e na agricultura \u00e9 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica<\/strong><\/p>\n<p>A mudan\u00e7a de paradigma, segundo Pedro Serra, tem de assentar numa gest\u00e3o estruturada que inclua a rega, a agricultura e a sustentabilidade, de modo a termos uma pol\u00edtica da \u00e1gua que se articule com pol\u00edtica do regadio e a nova pol\u00edtica energ\u00e9tica, porque a mudan\u00e7a de paradigma na agricultura e na \u00e1gua, \u00e9 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Desde logo porque \u00e9 preciso evitar o desperd\u00edcio da \u00e1gua atrav\u00e9s do planeamento da utiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua para fins m\u00faltiplos, tornando-se essencial aproveitar o excesso produzido pelas energias renov\u00e1veis atrav\u00e9s de melhor liga\u00e7\u00e3o \u00e0s hidroel\u00e9tricas. Aquele orador, defendeu ainda que o modelo de gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos em Portugal deve ser de fins m\u00faltiplos e id\u00eantico ao concebido para o Alqueva.<\/p>\n<p><strong>Portugal n\u00e3o tem falta de \u00e1gua, n\u00e3o est\u00e1 \u00e9 a saber geri-la como deve ser<\/strong><\/p>\n<p>Seguiu-se uma mesa-redonda, moderada por Teresa Silveira, do Jornal P\u00fablico, onde participaram Jorge Froes do Projeto \u00c1gua no Oeste, Jos\u00e9 N\u00fancio da Fenareg e Rog\u00e9rio Ferreira da DGADR. Os intervenientes foram un\u00e2nimes em considerar que \u00e9 preciso desburocratizar, simplificar o licenciamento e criar enquadramentos legais novos e ajustados \u00e0 presente realidade do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Jorge Froes defendeu que Portugal n\u00e3o tem falta de \u00e1gua, n\u00e3o est\u00e1 \u00e9 a saber geri-la como deve ser, e precisa de planos h\u00eddricos que permitam fazer a gest\u00e3o integrada, envolvendo cada regi\u00e3o e criando um plano h\u00eddrico nacional que contemple as vertentes local, regional, particulares e nacional.<\/p>\n<p>Sublinhando o papel dos privados ao longo dos \u00faltimos anos no que diz respeito ao investimento e desenvolvimento dos recursos h\u00eddricos e relembrando que para se fazer agricultura \u2013 da qual depende a seguran\u00e7a alimentar do pa\u00eds, \u00e9 preciso regadio, Jos\u00e9 N\u00fancio referiu que temos \u00e1gua, temos dinheiro, recursos e tecnologia e que s\u00f3 falta vontade pol\u00edtica para se avan\u00e7ar com um plano e uma estrat\u00e9gia de Resili\u00eancia H\u00eddrica.<\/p>\n<p><strong>Portugal ter\u00e1 de investir 3 a 4 Mil Milh\u00f5es de Euros para reabilitar as \u00e1guas residuais urbanas nos pr\u00f3ximos anos<\/strong><\/p>\n<p>Os participantes referiram ainda a necessidade de reduzir as perdas de \u00e1gua e de a levar para a rega, algo que imp\u00f5e um esfor\u00e7o de moderniza\u00e7\u00e3o urgente, e no qual devem ser respeitadas as especificidades do territ\u00f3rio em mat\u00e9ria de constru\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de barragens e da \u00e1gua. Um cen\u00e1rio onde adquirem particular import\u00e2ncia as barragens de fins m\u00faltiplos e onde a quest\u00e3o da reutiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e das ETARS ter\u00e1 de ser tamb\u00e9m equacionada.<\/p>\n<p>Sobretudo, porque, com a entrada em vigor da nova diretiva europeia, Portugal nos pr\u00f3ximos anos ter\u00e1 de investir entre 3 e 4 Mil Milh\u00f5es de Euros para reabilitar as \u00e1guas residuais urbanas, implicando a constru\u00e7\u00e3o de mais ETARS e a remo\u00e7\u00e3o das mais poluentes.<\/p>\n<p><strong>PDR 2020 com taxa de execu\u00e7\u00e3o de 96% a mais de um ano do fim<\/strong><\/p>\n<p>Durante a mesa-redonda, o respons\u00e1vel da DGADR referiu que a iniciativa \u00c1gua Que Une \u2013 cujo trabalho ser\u00e1 apresentado em janeiro de 2025, constitui uma oportunidade \u00fanica para se criar um ponto de encontro de toda a fileira e a possibilidade de termos uma vis\u00e3o do pa\u00eds como um todo no que diz respeito ao tema da \u00e1gua. Neste contexto, a vertente da Governan\u00e7a, que ir\u00e1 ser abordada no trabalho de levantamento que est\u00e1 a ser feito, adquire particular relev\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Sublinhando o potencial das \u00e1guas Residuais Tratadas no Regadio, Rog\u00e9rio Ferreira, alertou para a necessidade de se reformular a lei do Regadio (RJOAH) que tem quarenta anos e que h\u00e1 20 que n\u00e3o \u00e9 alterada, e revelou que a taxa de execu\u00e7\u00e3o do PDR 2020, que s\u00f3 em 2023 deu 350 Milh\u00f5es de Euros \u00e0 agricultura, \u00e9 j\u00e1 neste momento de 96%, faltando apenas executar apenas 4% daqui at\u00e9 ao final de 2025.<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel da DGADR, que defendeu que \u00e9 preciso fazer uma reflex\u00e3o profunda em Portugal sobre os licenciamentos, para se encontrarem solu\u00e7\u00f5es e fazer altera\u00e7\u00f5es que permitam reduzir os atuais prazos demasiado longos das candidaturas (5 e 7 anos entre o estudo pr\u00e9vio e o momento da execu\u00e7\u00e3o) e assim sermos mais eficientes, destacou a import\u00e2ncia do PEPAC na desburocratiza\u00e7\u00e3o e encurtamento dos prazos de decis\u00e3o sobre os financiamentos dos projetos dos agricultores, que neste contexto passam a ser de um m\u00e1ximo de 60 dias.<\/p>\n<p><strong>Tecnologia ajuda a fazer uso mais eficiente e racional da \u00e1gua<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_37780\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-37780\" class=\"wp-image-37780 size-full\" src=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Alcobaca_Congresso_rega10.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Alcobaca_Congresso_rega10.jpg 500w, https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Alcobaca_Congresso_rega10-300x160.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><p id=\"caption-attachment-37780\" class=\"wp-caption-text\">Mesa-redonda<\/p><\/div>\n<p>A tarde do primeiro dia foi dedicada ao Regadio: Inova\u00e7\u00e3o e Tecnologia e contou com duas apresenta\u00e7\u00f5es e uma mesa-redonda.<\/p>\n<p>Na sua apresenta\u00e7\u00e3o, Jos\u00e9 Maria Tarjuelo, Professor da Universidade de Castilla-La Mancha (UCLM), sublinhou a import\u00e2ncia dos dados e das ferramentas digitais no contexto do regadio, e deu a conhecer o SAR (servicios de asesoramiento al regante). Trata-se de um sistema criado pela UCLM com o intuito de ajudar os agricultores a fazerem uma utiliza\u00e7\u00e3o eficiente e racional dos meios de produ\u00e7\u00e3o, em especial da \u00e1gua e da energia, proporcionando-lhes o apoio cient\u00edfico e t\u00e9cnico adequado para otimizarem a sua gest\u00e3o, e contribuindo para tornar a agricultura numa atividade econ\u00f3mica, social e ambientalmente sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Maria Tarjuelo, sublinhou ainda a import\u00e2ncia do uso de sistemas digitais na compreens\u00e3o e monitoriza\u00e7\u00e3o do consumo de \u00e1gua e seu respetivo impacto nas culturas, determinando as necessidades e racionalizando os consumos. Desta forma \u00e9 poss\u00edvel conjugar o regadio com a \u00e1gua da chuva, adequar os sistemas de rega \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o concreta de cada uma das fases das culturas e obter poupan\u00e7as muito significativas.<\/p>\n<p><strong>Tecnologia deve ser conjugada com conhecimento agron\u00f3mico humano<\/strong><\/p>\n<p>Por seu turno, Joan Girona, respons\u00e1vel do IRTA \u2013 Institut de Recerca i Tecnolog\u00eda (Catalunha) falou sobre o Uso Eficiente da \u00c1gua na Agricultura e o seu papel na produ\u00e7\u00e3o dos alimentos. Este orador referiu a crescente import\u00e2ncia da tecnologia neste \u00e2mbito desde os programas de software, \u00e0 IA, aos drones, \u00e0s aplica\u00e7\u00f5es, aos sensores (a\u00e9reos e enterrados) at\u00e9 \u00e0s sondas e sat\u00e9lites, etc, defendendo que o mais importante n\u00e3o \u00e9 a quantidade de \u00e1gua que est\u00e1 afeta a cada cultura, mas sim a por\u00e7\u00e3o que cada cultura tem possibilidade de absorver.<\/p>\n<p>Dois conceitos distintos e que importa trabalhar a bem do aumento da efici\u00eancia do consumo e da produ\u00e7\u00e3o e da poupan\u00e7a de recursos. Neste contexto, relembrando que a maior parte da \u00e1gua absorvida pelas plantas \u00e9 depois devolvida ao meio ambiente atrav\u00e9s da transpira\u00e7\u00e3o, o respons\u00e1vel do IRTA chamou aten\u00e7\u00e3o para o papel da rega e do regadio de precis\u00e3o, apoiados em sensores que medem as culturas continuamente cruzando os dados, guiando e otimizando a produ\u00e7\u00e3o e os respetivos consumos de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Segundo Joan Girona, os sistemas de rega s\u00e3o cada vez mais eficientes, fornecendo informa\u00e7\u00e3o cada vez mais detalhada sobre o estado h\u00eddrico das culturas e permitindo ajustar a utiliza\u00e7\u00e3o da rega com a \u00e1gua da chuva, otimizando os consumos e tornando a agricultura muito mais sustent\u00e1vel. Um esfor\u00e7o que \u00e9 preciso continuar a fazer, dadas as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e a sua repercuss\u00e3o no aumento dos per\u00edodos de seca e de escassez da \u00e1gua.<\/p>\n<p>A tecnologia ter\u00e1 um papel fulcral a desempenhar no contexto da sustentabilidade e da otimiza\u00e7\u00e3o do consumo da \u00e1gua, mas importa encontrar um equil\u00edbrio que inclua o conhecimento humano, e que adv\u00e9m de se ir a campo e de se observarem as plantas e os solos in loco, at\u00e9 para podermos manter toda a riqueza do conhecimento agron\u00f3mico do qual dependemos para programarmos corretamente e com precis\u00e3o as ferramentas, concluiu.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 fundamental aumentar a literacia dos agricultores e impulsionar a capacita\u00e7\u00e3o digital do setor<\/strong><\/p>\n<p>A mesa-redonda do per\u00edodo da tarde, que foi moderada por Lu\u00eds Alcino Concei\u00e7\u00e3o do InvoTechAgro, teve como participantes Miguel Tavares da Sysmart, Paula Paredes do ISA Rui Sousa do INIAV, e Tiago S\u00e1 da Wisecrop. Os participantes consideraram que n\u00e3o obstante os grandes avan\u00e7os do regadio, desde que foi implementado o primeiro pivot de rega nos anos 90 do s\u00e9c. XX, passando depois pelo projeto do Alqueva e pela introdu\u00e7\u00e3o dos sistemas gota a gota, o atual movimento de transforma\u00e7\u00e3o digital exige mais literacia e capacita\u00e7\u00e3o dos agricultores.<\/p>\n<p>Um esfor\u00e7o que obriga \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de equipas multidisciplinares, que trabalhem em conjunto no sentido de maximizar a aplica\u00e7\u00e3o da tecnologia na agricultura e no regadio, integrando e passando conhecimento t\u00e9cnico para o setor. A academia tem um papel importante a desempenhar neste contexto, onde a tecnologia n\u00e3o pode fazer perder o foco na agronomia e na produ\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n<p>A par desta abordagem abrangente, onde o dimensionamento no campo para se ver o que se est\u00e1 a fazer \u00e9 uma pe\u00e7a chave, os v\u00e1rios intervenientes consideraram que os agricultores precisam de ser apoiados na ado\u00e7\u00e3o e na implementa\u00e7\u00e3o da tecnologia para que este processo possa ser verdadeiramente eficaz.<\/p>\n<p>A assessoria, a par da forma\u00e7\u00e3o, \u00e9 outra vertente a desenvolver e ampliar, porque n\u00e3o basta ter a tecnologia e os sistemas inteligentes implementados. \u00c9 preciso saber us\u00e1-los e tirar partido deles, percebendo que o seu prop\u00f3sito \u00e9 dar op\u00e7\u00f5es para se gerir melhor, quais s\u00e3o as vantagens da sua utiliza\u00e7\u00e3o, e que a inova\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo cont\u00ednuo.<\/p>\n<p>Agilidade e simplicidade s\u00e3o por isso dois aspetos fundamentais a ter em aten\u00e7\u00e3o, para se poder aumentar a literacia digital do setor e reduzir o gap existente entre o n\u00edvel de maturidade do setor e o novo universo que a IA est\u00e1 a abrir em todos os setores de atividade, incluindo na agricultura e no regadio.<\/p>\n<p>O primeiro dia do Congresso terminou com um F\u00f3rum de Comunica\u00e7\u00f5es onde foram apresentados v\u00e1rios projetos. A saber: Servi\u00e7o Irriwatch; Avalia\u00e7\u00e3o Da Espectroscopia De Campo Na Gest\u00e3o Da Rega Em Kiwicultura; Potencial De Reutiliza\u00e7\u00e3o De \u00c1guas Residuais Em Contexto Agr\u00edcola; Qualidade Da \u00c1gua De Rega E Dos Fluxos De Retorno Em \u00c1reas De Culturas Anuais E Perenes \u2013 Um Caso De Estudo No Aproveitamento Hidroagr\u00edcola Da Campina Da Idanha; An\u00e1lise Comparativa Da Utiliza\u00e7\u00e3o De Diferentes Tipos De Disposi\u00e7\u00e3o De Pain\u00e9is Fotovoltaicos Na Rega Da Cultura Da Amendoeira; Prote\u00e7\u00e3o Dos Recursos H\u00eddricos Nos Agroecossistemas Oriz\u00edcolas \u2013 Contributo Do Projeto Promedrice, Programa Prima; e Estimativa Do Consumo De \u00c1gua, Assistida Por Dete\u00e7\u00e3o Remota, Em Pomares De Macieiras Com Enrelvamento Permanente \u2013 Estudo Sobre A Produ\u00e7\u00e3o De Ma\u00e7\u00e3 De Alcoba\u00e7a IGP.<\/p>\n<p><strong>Sobre o COTR<\/strong><\/p>\n<p>O COTR-Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio, associa\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos e Centro de Compet\u00eancias para o Regadio Nacional, foi fundado em 1999 com o prop\u00f3sito de potenciar o desenvolvimento agr\u00e1rio, em especial atrav\u00e9s da coordena\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, da experimenta\u00e7\u00e3o, demonstra\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o de resultados, da forma\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o profissional e dos servi\u00e7os de apoio ao regante.<\/p>\n<p>O COTR tem como objetivos: promover e realizar os projetos necess\u00e1rios \u00e0 cria\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o do conhecimento e ao interc\u00e2mbio t\u00e9cnico-cient\u00edfico; promover e realizar a\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o profissional; incentivar a informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e t\u00e9cnica no dom\u00ednio das culturas regadas; promover e realizar reuni\u00f5es cient\u00edficas nacionais ou internacionais adequadas \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o dos seus fins; e desenvolver quaisquer outras atividades de car\u00e1ter cient\u00edfico, t\u00e9cnico, forma\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n<p><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0Fonte: Valquirias<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O COTR &#8211; Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio levou a cabo a 10\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional de Rega e Drenagem organizado com o apoio da C\u00e2mara Municipal de Alcoba\u00e7a, da Associa\u00e7\u00e3o de Benefici\u00e1rios de Cela, da Associa\u00e7\u00e3o de Produtores de Ma\u00e7\u00e3 de Alcoba\u00e7a, da APDEA, da APRH, do COTHN, da DGADR, da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37782,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,7],"tags":[],"class_list":["post-37776","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ambiente","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37776","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37776"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37776\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37788,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37776\/revisions\/37788"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37782"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37776"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37776"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37776"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}