{"id":40305,"date":"2025-06-04T22:21:58","date_gmt":"2025-06-04T22:21:58","guid":{"rendered":"https:\/\/tintafresca.net\/?p=40305"},"modified":"2025-06-06T14:13:53","modified_gmt":"2025-06-06T14:13:53","slug":"investigacao-mare-alerta-para-contaminacao-e-resistencia-microbiana-nos-oceanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/2025\/06\/04\/investigacao-mare-alerta-para-contaminacao-e-resistencia-microbiana-nos-oceanos\/","title":{"rendered":"Investiga\u00e7\u00e3o MARE alerta para contamina\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia microbiana nos Oceanos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_40308\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-40308\" class=\"wp-image-40308 size-full\" src=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Portal-MARE_antartida.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"262\" srcset=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Portal-MARE_antartida.jpg 500w, https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Portal-MARE_antartida-300x157.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><p id=\"caption-attachment-40308\" class=\"wp-caption-text\">Parte dos estudo ambientais decorreram na Ant\u00e1rtica<\/p><\/div>\n<p>Para assinalar o Dia Mundial dos Oceanos, que se celebra a 8 de junho, o MARE &#8211; Centro de Ci\u00eancias do Mar e do Ambiente, deixa o alerta: uma investiga\u00e7\u00e3o liderada por Bernardo Duarte, investigador do MARE\/ARNET da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa (FCUL) revelou descobertas inquietantes sobre o alcance do impacto da atividade humana, mesmo em ecossistemas mais remotos e aparentemente pr\u00edstinos, como a Ant\u00e1rtida. Uma s\u00e9rie de tr\u00eas estudos recentes sublinha a presen\u00e7a de contaminantes emergentes, a prolifera\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia microbiana e os efeitos sin\u00e9rgicos das press\u00f5es antropog\u00e9nicas e naturais, alertando para a urg\u00eancia de a\u00e7\u00f5es globais para proteger estes habitats vulner\u00e1veis e a sa\u00fade planet\u00e1ria.<\/p>\n<p>Publicados entre 2021 e 2024, os estudos liderados pelo investigador do MARE\/ARNET examinaram territ\u00f3rios t\u00e3o diferente como a Ant\u00e1rtida e Portugal. Entre os principais destaques, e para cada um, encontramos:<\/p>\n<p><strong>Contaminantes emergentes atingem a Ant\u00e1rtida (Duarte et al. 2021, Chemosphere)<\/strong><\/p>\n<p>Este estudo pioneiro detetou a presen\u00e7a de uma variedade de contaminantes, incluindo biocidas, poluentes org\u00e2nicos persistentes (POPs) e produtos farmac\u00eauticos, em c\u00e9lulas de fitopl\u00e2ncton recolhidas na Ilha Deception, na Ant\u00e1rtida. Provavelmente introduzidos pela atividade tur\u00edstica e pelas bases de investiga\u00e7\u00e3o locais, estes poluentes representam uma amea\u00e7a direta para a base da cadeia alimentar da Ant\u00e1rtica. Segundo o Investigador Bernardo Duarte, &#8220;A presen\u00e7a desses contaminantes numa \u00e1rea t\u00e3o remota \u00e9 um sinal claro de que precisamos rever urgentemente as diretrizes de prote\u00e7\u00e3o ambiental para a Ant\u00e1rtida.&#8221;<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, a crescente presen\u00e7a de turistas e investigadores no territ\u00f3rio Ant\u00e1rtico tem sido associada a um aumento da press\u00e3o humana sobre os ecossistemas locais. Este impacto manifesta-se, entre outros aspetos, na introdu\u00e7\u00e3o de uma variedade de contaminantes emergentes, tais como biocidas, Poluentes Org\u00e2nicos Persistentes (POPs) e ainda Produtos Farmac\u00eauticos e de Cuidado Pessoal (PPCPs).<\/p>\n<p>Apesar da import\u00e2ncia destes ecossistemas, existia pouca informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel sobre a presen\u00e7a destes contaminantes nos diferentes n\u00edveis da cadeia alimentar, especialmente na comunidade fitoplanct\u00f3nica, que constitui a base da teia tr\u00f3fica marinha.<\/p>\n<p>Recorrendo a uma t\u00e9cnica avan\u00e7ada de an\u00e1lise (espetrometria de massa de alta resolu\u00e7\u00e3o), foi realizado um rastreio abrangente do conte\u00fado molecular do fitopl\u00e2ncton recolhido em dois locais na Ilha Deception. Este estudo detetou a presen\u00e7a de setenta compostos contaminantes distintos nas amostras de fitopl\u00e2ncton.<\/p>\n<p>Entre os contaminantes identificados, incluem-se hidrocarbonetos arom\u00e1ticos polic\u00edclicos, dez tipos de biocidas (abrangendo acaricidas, fungicidas, herbicidas, inseticidas e nematicidas), onze POPs (como retardadores de chama, componentes de tintas, PCBs, ftalatos e pl\u00e1sticos), cinco PCPs (presentes em cosm\u00e9ticos, detergentes e suplementos alimentares), quarenta compostos farmac\u00eauticos e tr\u00eas drogas il\u00edcitas (segundo os standards europeus). Os compostos farmac\u00eauticos representaram, de longe, o grupo mais numeroso de contaminantes emergentes encontrados nas c\u00e9lulas de fitopl\u00e2ncton, incluindo medicamentos de diversas classes terap\u00eauticas (anticonvulsivantes, anti-hipertensivos, beta-bloqueadores, antibi\u00f3ticos, analg\u00e9sicos e anti-inflamat\u00f3rios).<\/p>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o destes compostos potencialmente t\u00f3xicos na base da cadeia alimentar marinha na Ant\u00e1rtida levanta s\u00e9rias preocupa\u00e7\u00f5es quanto ao seu potencial impacto na estrutura e na sa\u00fade de todo o ecossistema.<\/p>\n<p>Face a estas descobertas, a investiga\u00e7\u00e3o sugere que as diretrizes ambientais estabelecidas pelo Tratado Ant\u00e1rtico e o seu Protocolo de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental sejam objeto de revis\u00e3o, com vista a prevenir a dispers\u00e3o destes e de outros PPCPs num ambiente t\u00e3o singular e vulner\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Resist\u00eancia Microbiana Generalizada nas \u00c1guas Costeiras de Portugal (Duarte et al. 2022, Toxics)<\/strong><\/p>\n<p>Num contexto mais pr\u00f3ximo, a equipa investigou as \u00e1guas costeiras portuguesas, encontrando uma preval\u00eancia significativa de genes de resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos e metais. O estudo estabeleceu uma clara correla\u00e7\u00e3o entre a dete\u00e7\u00e3o destes genes e a intensidade da press\u00e3o humana nas \u00e1reas circundantes, destacando o potencial destes genes como biomarcadores de impacto ambiental e a necessidade de monitoriza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua. &#8220;A press\u00e3o humana est\u00e1 a levar ao aumento de bact\u00e9rias multirresistentes, o que representa um risco significativo para a sa\u00fade planet\u00e1ria&#8221;, adverte Bernardo Duarte.<\/p>\n<p>As zonas costeiras de Portugal continental e dos arquip\u00e9lagos da Madeira e dos A\u00e7ores s\u00e3o muito diversas e est\u00e3o sujeitas a diferentes n\u00edveis de influ\u00eancia humana. Estas condi\u00e7\u00f5es moldam as comunidades de microrganismos que habitam estes locais, levando-os a desenvolver capacidades de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Um estudo realizado nas \u00e1guas da costa atl\u00e2ntica de Portugal confirmou o dom\u00ednio das Bact\u00e9rias sobre as Arqueias, com uma grande quantidade de grupos como Proteobacteria, Cyanobacteria, Bacteroidetes e Actinobacteria. Alguns destes grupos, como as bact\u00e9rias do g\u00e9nero Vibrio, mostraram estar associados de forma significativa \u00e0 polui\u00e7\u00e3o causada pelo Homem.<\/p>\n<p>A press\u00e3o humana, juntamente com as diferen\u00e7as na variedade de esp\u00e9cies nos diferentes locais, afeta a presen\u00e7a e a quantidade de genes que conferem resist\u00eancia a metais e antibi\u00f3ticos nas bact\u00e9rias (o que chamamos de resistoma, ou seja, o conjunto de genes relacionados com resist\u00eancia microbiana). Fun\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas importantes, como a resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos e a resposta a situa\u00e7\u00f5es de stress, foram encontradas frequentemente e associadas a um gradiente de press\u00e3o antropog\u00e9nica.<\/p>\n<p>Um resultado chave deste estudo \u00e9 que os fatores ambientais, como a polui\u00e7\u00e3o a proximidade de zonas de elevada densidade populacional, parecem ter uma rela\u00e7\u00e3o mais forte com a quantidade de genes de resist\u00eancia encontrados do que com os tipos espec\u00edficos de microrganismos presentes, indicando que a presen\u00e7a deste resistoma \u00e9 independente da composi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da comunidade microbiana.<\/p>\n<p>Em conclus\u00e3o, a an\u00e1lise do resistoma microbiano surge como uma ferramenta muito \u00fatil para compreender de forma mais completa a perturba\u00e7\u00e3o que o Homem causa no ambiente e como essa perturba\u00e7\u00e3o pode impactar o ecossistema e a nossa sa\u00fade, numa prespetiva de sa\u00fade planet\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Vulcanismo e Atividade Humana Potenciam Resist\u00eancia Microbiana na Ant\u00e1rtida (Duarte et al. 2024, ESI)<\/strong><\/p>\n<p>Voltando \u00e0 Ant\u00e1rtida, o mais recente estudo da equipa de Bernardo Duarte focou-se na Ilha Deception, uma \u00e1rea com vulcanismo ativo e presen\u00e7a humana. A investiga\u00e7\u00e3o revelou que as comunidades microbianas marinhas s\u00e3o afetadas pela intera\u00e7\u00e3o complexa entre as emiss\u00f5es vulc\u00e2nicas naturais e os impactos da atividade humana.<\/p>\n<p>Esta combina\u00e7\u00e3o \u00fanica de press\u00f5es tem vindo a alterar a diversidade e as fun\u00e7\u00f5es microbianas, e a criar um ambiente favor\u00e1vel ao surgimento e \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de genes de resist\u00eancia microbiana. Bernardo Duarte salienta que &#8220;Os impactos combinados do vulcanismo e da atividade humana est\u00e3o a criar um ambiente \u00fanico que favorece o surgimento de bact\u00e9rias multirresistentes.&#8221;<\/p>\n<p>O aumento recente do turismo na Ant\u00e1rtida tem impulsionado a investiga\u00e7\u00e3o sobre os seus impactos antropog\u00e9nicos, beneficiada pelos avan\u00e7os nas tecnologias \u00d3MICAS aplicadas a comunidades microbianas polares. Este estudo visou avaliar o impacto da atividade humana nas comunidades marinhas de procariotas (bact\u00e9rias e arqueias) e v\u00edrus da Ilha Deception, procurando identificar potenciais indicadores (taxon\u00f3micos, funcionais e de resistoma) das press\u00f5es antropog\u00e9nicas e naturais\/vulc\u00e2nicas.<\/p>\n<p>Os filos dominantes inclu\u00edram Proteobacteria, Bacteroidetes e Actinobacteria, com varia\u00e7\u00f5es na sua abund\u00e2ncia associadas \u00e0 atividade vulc\u00e2nica e \u00e0 press\u00e3o humana. A presen\u00e7a de Euryarchaeota em regi\u00f5es vulc\u00e2nicas sublinha a sua adapta\u00e7\u00e3o a condi\u00e7\u00f5es extremas e resist\u00eancia a metais t\u00f3xicos como o merc\u00fario, emitido naturalmente por estes sistemas vulc\u00e2nicos submarinos.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises funcionais revelaram um enriquecimento de fun\u00e7\u00f5es ligadas ao metabolismo de metais, degrada\u00e7\u00e3o de hidrocarbonetos e metabolismo de azoto. As fontes hidrotermais submarinas foram um fator importante na diversidade funcional. A dete\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es relacionadas com infe\u00e7\u00f5es nosocomiais e gastroenterites evidencia o impacto das atividades humanas nas caracter\u00edsticas funcionais microbianas.<\/p>\n<p>Quanto aos genes de resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos (ARGs), observaram-se padr\u00f5es complexos influenciados por ambas as press\u00f5es. A abund\u00e2ncia de ARGs correlacionou-se com o grupo Actinobacteria e foi acentuada pela descarga de \u00e1guas residuais provenientes de a\u00e7\u00e3o humana. Contudo, a Ba\u00eda Fumarole (com vulcanismo submarino ativo) apresentou tamb\u00e9m preval\u00eancia de certos ARGs n\u00e3o relacionados com a atividade humana mas sim resultantes da press\u00e3o seletiva induzida pelo vulcanismo ativo nesta zona.<\/p>\n<p>A resposta destes indicadores (taxon\u00f3micos, funcionais e de resistoma) a diferentes n\u00edveis de press\u00e3o valida-os como ferramentas valiosas para avaliar e, subsequentemente, mitigar os impactos antropog\u00e9nicos nas \u00e1guas marinhas da Ilha Deception.<\/p>\n<p><strong>Uma causa comum, consequ\u00eancias globais<\/strong><\/p>\n<p>A interliga\u00e7\u00e3o destes estudos pinta um quadro que merece aten\u00e7\u00e3o redobrada, mas importante, uma vez que mostra que quer em ecossistemas remotos e aparentemente intocados como a Ant\u00e1rtida, quer em \u00e1reas costeiras densamente povoadas como Portugal, a atividade humana atua como um motor prim\u00e1rio para a introdu\u00e7\u00e3o de contaminantes, sele\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia microbiana.<\/p>\n<p>Os poluentes provenientes de bases de investiga\u00e7\u00e3o e turismo na Ant\u00e1rtida, e a press\u00e3o geral das atividades humanas em Portugal, est\u00e3o a impulsionar a evolu\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias resistentes a tratamentos, um problema que afeta n\u00e3o s\u00f3 os nossos ecossistemas mas tamb\u00e9m a sa\u00fade p\u00fablica global.<\/p>\n<p>O estudo mais recente da Ant\u00e1rtida destaca ainda como fatores naturais podem interagir com as press\u00f5es humanas para criar zonas de especial propens\u00e3o para o desenvolvimento de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Estas descobertas sublinham a urg\u00eancia de intensificar os esfor\u00e7os globais para proteger ecossistemas vulner\u00e1veis e mitigar os impactos da atividade humana. A equipa do MARE\/ARNET apela a pol\u00edticas ambientais mais rigorosas, uma gest\u00e3o mais sustent\u00e1vel da atividade humana em \u00e1reas sens\u00edveis e uma monitoriza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e abrangente dos contaminantes e da resist\u00eancia microbiana em todo o planeta.<\/p>\n<p><strong>Sobre o MARE<\/strong><\/p>\n<p>O MARE &#8211; Centro de Ci\u00eancias do Mar e do Ambiente &#8211; \u00e9 um centro de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, desenvolvimento tecnol\u00f3gico e inova\u00e7\u00e3o com compet\u00eancias para o estudo de todos os ecossistemas aqu\u00e1ticos, na vertente continental e no mar. Promove o uso sustent\u00e1vel de recursos e a literacia do oceano disseminando o conhecimento cient\u00edfico e apoiando pol\u00edticas de desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Criado em 2015, integra 8 Unidades Regionais de Investiga\u00e7\u00e3o associadas \u00e0s seguintes institui\u00e7\u00f5es: Universidade de Coimbra (MARE-UCoimbra), Polit\u00e9cnico de Leiria (MARE-Polit\u00e9cnico de Leiria), Universidade de Lisboa (MARE-ULisboa), Universidade Nova de Lisboa (MARE-NOVA), ISPA &#8211; Instituto Universit\u00e1rio (MARE-ISPA), Instituto Polit\u00e9cnico de Set\u00fabal (MARE-IPSet\u00fabal), Universidade de \u00c9vora (MARE-U\u00c9vora), Universidade da Madeira e ARDITI (MARE-Madeira).<\/p>\n<p><strong>\u00a0 \u00a0Fonte: RJ|LPM<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para assinalar o Dia Mundial dos Oceanos, que se celebra a 8 de junho, o MARE &#8211; Centro de Ci\u00eancias do Mar e do Ambiente, deixa o alerta: uma investiga\u00e7\u00e3o liderada por Bernardo Duarte, investigador do MARE\/ARNET da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa (FCUL) revelou descobertas inquietantes sobre o alcance do impacto da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":40309,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-40305","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ambiente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40305","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40305"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40305\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40332,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40305\/revisions\/40332"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40309"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40305"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40305"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40305"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}