{"id":40849,"date":"2025-07-30T13:47:10","date_gmt":"2025-07-30T13:47:10","guid":{"rendered":"https:\/\/tintafresca.net\/?p=40849"},"modified":"2025-07-30T13:55:30","modified_gmt":"2025-07-30T13:55:30","slug":"alambi-emite-parecer-sobre-o-plano-de-gestao-da-zona-especial-de-conservacao-da-serra-de-montejunto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/2025\/07\/30\/alambi-emite-parecer-sobre-o-plano-de-gestao-da-zona-especial-de-conservacao-da-serra-de-montejunto\/","title":{"rendered":"ALAMBI emite parecer sobre o Plano de Gest\u00e3o da Zona Especial de Conserva\u00e7\u00e3o da Serra de Montejunto"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_35105\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-35105\" class=\"wp-image-35105 size-full\" src=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Cadaval_montejunto_falcao10.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Cadaval_montejunto_falcao10.jpg 500w, https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Cadaval_montejunto_falcao10-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><p id=\"caption-attachment-35105\" class=\"wp-caption-text\">Serra de Montejunto<\/p><\/div>\n<p>Est\u00e1 em discuss\u00e3o p\u00fablica at\u00e9 final do m\u00eas de julho o Plano de Gest\u00e3o da Zona Especial de Conserva\u00e7\u00e3o da Serra de Montejunto. 25 anos depois da sua integra\u00e7\u00e3o na Rede Natura 2000, este s\u00edtio tem finalmente um Plano de Gest\u00e3o. A Serra de Montejunto tem tamb\u00e9m o estatuto de Paisagem Protegida, estabelecido em 1999, mas, nestes 26 anos, nunca foi criado um Plano de Ordenamento e Gest\u00e3o, como era suposto.<\/p>\n<p>A Rede Natura 2000 de Montejunto e a Paisagem Protegida n\u00e3o s\u00e3o \u00e1reas inteiramente coincidentes. Enquanto a Rede Natura tem 3830ha, a Paisagem Protegida ocupa cerca de 4900ha, sendo que para al\u00e9m da PP ocupar maior \u00e1rea, n\u00e3o coincide com a Rede Natura em cerca de 200ha.<\/p>\n<p>A ALAMBI &#8211; Associa\u00e7\u00e3o para o Estudo e Defesa do Ambiente do Concelho de Alenquer sa\u00fada o ICNF por, 25 anos depois da inclus\u00e3o da Serra de Montejunto na Rede Natura 2000, apresentar finalmente um Plano de Gest\u00e3o. da Rede Natura e divulga o seu parecer sobre o mesmo.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A informa\u00e7\u00e3o que o Plano apresenta sobre os extensos eucaliptais que povoam a Serra, n\u00e3o constitui uma surpresa, j\u00e1 que, basta uma observa\u00e7\u00e3o atenta para concluir que a invas\u00e3o por eucaliptos constitui o maior problema de Montejunto. O Plano apenas pormenoriza informa\u00e7\u00e3o sobre a magnitude do problema.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Assim, ficamos a saber que em 2018 os eucaliptos ocupavam uma \u00e1rea de 865ha da ZEC, o que correspondia a 22,58% da \u00e1rea total desta Zona Especial de Conserva\u00e7\u00e3o (ZEC), e que, esta \u00e1rea \u00e9 anormalmente elevada, quaisquer que sejam os termos de compara\u00e7\u00e3o. Conforme atesta o pr\u00f3prio documento: \u00aba representatividade dos eucaliptais na ZEC era superior \u00e0quela que era verificada, em 2018, na regi\u00e3o Oeste e Vale do Tejo (19,2%), no conjunto da \u00e1rea terrestre da Rede Natura 2000 (2,6%) e em Portugal Continental (10,4%).\u00bb (Anexo 6, p\u00e1g. 23)<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Segundo a ALAMBI, isto significa que a \u00e1rea ocupada por eucaliptos na ZEC de Montejunto \u00e9 quase 9 vezes\u00a0mais levada que a m\u00e9dia nacional da Rede Natura; mais do dobro da m\u00e9dia do pa\u00eds e proporcionalmente mais elevada que na pr\u00f3pria Regi\u00e3o Oeste, que por si j\u00e1 \u00e9 um mar de eucaliptos. Dito de outro modo, no essencial, a ZEC de Montejunto \u00e9 um extenso eucaliptal.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Em 1995 a \u00e1rea de eucaliptos era j\u00e1 de 822,4ha, o que, apesar de constituir uma \u00e1rea muito elevada, n\u00e3o obstou a que no per\u00edodo de 23 anos que medeia at\u00e9 2018, tenha sido registado um crescimento de pelo menos 42,6ha. Apesar de ter uma \u00e1rea de eucaliptos excecionalmente elevada para uma \u00e1rea protegida, n\u00e3o bastou \u00e0 Serra de Montejunto beneficiar de dois estatutos de prote\u00e7\u00e3o \u2013 Rede Natura 2000 e Paisagem Protegida &#8211; para que a \u00e1rea de eucaliptos tenha continuado a crescer.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A maior parte da \u00e1rea da ZEC est\u00e1 localizada no munic\u00edpio do Cadaval. Verifica-se que \u00e9 sobretudo neste territ\u00f3rio da Serra que tem ocorrido a expans\u00e3o da esp\u00e9cie. Ora \u00e9 do dom\u00ednio p\u00fablico que a \u00e1rea limite para planta\u00e7\u00e3o de eucaliptos neste munic\u00edpio foi atingida h\u00e1 muito, pelo que \u00e9 imperativo questionar se a expans\u00e3o dos eucaliptos nesta ZEC ocorreu atrav\u00e9s de planta\u00e7\u00f5es legais, ou se foram planta\u00e7\u00f5es clandestinas, conforme tem ocorrido com grande parte das planta\u00e7\u00f5es de eucaliptos em Portugal, segundo reportes da imprensa.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Esta pergunta \u00e9 respondida pelo pr\u00f3prio Plano, quando reconhece que mesmo ap\u00f3s a revis\u00e3o do Regime Jur\u00eddico da Arboriza\u00e7\u00e3o e Rearboriza\u00e7\u00e3o, realizada em 2018, que possibilitou ao ICNF interditar a planta\u00e7\u00e3o e ou replanta\u00e7\u00e3o de eucaliptos dentro da Rede Natura 2000, foram efetuadas planta\u00e7\u00f5es ilegais na ZEC de Montejunto (Anexo 6, p\u00e1g. 23). E enquanto a \u00e1rea de eucaliptos crescia, a \u00e1rea de matos decrescia (-6,9% entre 1995 e 2018), \u00aba maior parte por convers\u00e3o em florestas de eucaliptos\u00bb (Anexo 6, p\u00e1g. 43).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Certamente nem todas as a\u00e7\u00f5es ter\u00e3o sido realizadas de forma ilegal. A partir de 1999, foi institu\u00edda a Paisagem Protegida, e, as planta\u00e7\u00f5es legais de eucaliptos em Montejunto realizadas de forma legal, ter\u00e3o contado, em nosso entender, com uma interpreta\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel da al\u00ednea g) do artigo 12.\u00ba do Decreto Regulamentar n.\u00ba 11\/99 que institui a Paisagem Protegida, e com pareceres favor\u00e1veis, nos termos da al\u00ednea g) do artigo 13.\u00ba deste mesmo Decreto.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u00c9 entendimento da ALAMBI que existiam mecanismos legais para travar a desmesurada expans\u00e3o dos eucaliptos na ZEC de Montejunto, e, para al\u00e9m do laxismo das entidades fiscalizadoras, esta s\u00f3 foi poss\u00edvel porque contou com cumplicidade das entidades licenciadoras. A ZEC de Montejunto n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um territ\u00f3rio com aus\u00eancia de gest\u00e3o, \u00e9 tamb\u00e9m um territ\u00f3rio com aus\u00eancia de fiscaliza\u00e7\u00e3o; apesar dos dois estatutos de prote\u00e7\u00e3o, \u00e9 um espa\u00e7o em roda livre onde cada propriet\u00e1rio faz aquilo que quer.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Tendo em conta o novo cen\u00e1rio criado com a revis\u00e3o legislativa de 2018 que impede a\u00e7\u00f5es de rearboriza\u00e7\u00e3o com eucaliptos dentro da Rede Natura 2000, a prazo, os eucaliptais v\u00e3o chegar ao fim da sua vida produtiva e, ou ser\u00e3o arrancados e reconvertidos, ou ser\u00e3o abandonados, tornando-se num fator agravado de risco de inc\u00eandio e de degrada\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, cen\u00e1rios cuja resposta n\u00e3o nos parece suficientemente trabalhada no Plano de Gest\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">No anexo 8 \u00e9 previsto um conjunto de medidas espec\u00edficas de conserva\u00e7\u00e3o, mas, nenhuma medida que antecipe o modo como deve ser encarado o fim da vida \u00fatil dos eucaliptais. As medidas de sensibiliza\u00e7\u00e3o previstas em MC8 parecem-nos, por si s\u00f3s, claramente insuficientes para enfrentar um problema desta dimens\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Visto ser reconhecido que h\u00e1 eucaliptais plantados na ZEC de forma ilegal, propomos que o ICNF comece por rastrear a legalidade das planta\u00e7\u00f5es realizadas em Montejunto, face \u00e0 despropor\u00e7\u00e3o da \u00e1rea ocupada por esta esp\u00e9cie, mesmo quando comparada com \u00e1reas sem estatuto de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u201cPara aplica\u00e7\u00e3o destas duas medidas \u2013 rastreio das planta\u00e7\u00f5es ilegais e reconvers\u00e3o das planta\u00e7\u00f5es em fim de vida produtiva \u2013 \u00e9 necess\u00e1rio identificar as parcelas e conhecer os propriet\u00e1rios. Visto n\u00e3o constar neste Plano o parcel\u00e1rio da Serra, parece-nos ser da maior import\u00e2ncia criar um novo anexo com o cadastro da ZEC, onde as parcelas e os respetivos propriet\u00e1rios sejam devidamente identificados\u201d, refere a ALAMBI.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O ICNF ainda administra uma vasta \u00e1rea de baldios que a ALAMBI estima em cerca de 1500ha, a C\u00e2mara Municipal do Cadaval administra um vasto baldio que a ALAMBI estima em 800ha, e, os compartes do Cercal tamb\u00e9m administram baldios \u2013 fatores que facilitam o trabalho do ICNF \u2013 mas, existem dezenas de pequenas parcelas \u201cencravadas\u201d no interior dos baldios, cujos propriet\u00e1rios constituem importantes interlocutores neste processo de gest\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O Plano de Gest\u00e3o identifica tamb\u00e9m a exist\u00eancia de ac\u00e1cias no interior da ZEC, uma esp\u00e9cie ex\u00f3tica que se tem vindo a expandir. A AMAMBI esclarece que foram os Servi\u00e7os Florestais que introduziram as ac\u00e1cias na Serra de Montejunto, ao plantarem 0,6ha desta esp\u00e9cie no s\u00edtio das Fontainhas, em 1939, junto ao pavilh\u00e3o que servia de suporte ao viveiro (conforme atestam documentos daqueles Servi\u00e7os). A esp\u00e9cie tem uma grande capacidade de propaga\u00e7\u00e3o e tem vindo a expandir-se, ocupando atualmente 10ha. Parece justificado que o ICNF, sendo herdeiro dos Servi\u00e7os Florestais, assuma o compromisso de reparar o erro cometido h\u00e1 85 anos.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O pinheiro de alepo, que povoa uma \u00e1rea consider\u00e1vel da vertente Sul da Serra, \u00e9 apresentado como uma esp\u00e9cie ex\u00f3tica invasora (Anexo 8, MC4) e, o Plano prev\u00ea a sua \u201cerradica\u00e7\u00e3o onde for poss\u00edvel\u201d. A ALAMBI esclarece igualmente que esta foi uma esp\u00e9cie usada em larga escala pelos Servi\u00e7os Florestais na arboriza\u00e7\u00e3o das encostas de Cabanas Torres, Mogos, Pedreira, \u201cMonte Santo\u201d, Penha Ruiva, Furadouro e Penha do Meio-Dia, tendo provavelmente sido ali introduzido por aqueles Servi\u00e7os.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Como \u00e9 igualmente atestado por documentos oficiais, o pinheiro de alepo foi a terceira esp\u00e9cie mais usada no povoamento florestal de Montejunto, depois do pinheiro manso e do pinheiro bravo. Se o ICNF pretende agora a sua \u201cerradica\u00e7\u00e3o onde for poss\u00edvel\u201d, a medida n\u00e3o constitui mais do que uma corre\u00e7\u00e3o do trabalho realizado pelos Servi\u00e7os Florestais.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O Plano informa-nos que o pinheiro bravo \u00e9 outra esp\u00e9cie em expans\u00e3o na ZEC, por beneficiar da convers\u00e3o de solos com usos diversos em \u00e1reas florestais.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Desde 1910, ano em que Montejunto entrou em Regime Florestal, os Servi\u00e7os Florestais plantaram na Serra uma \u00e1rea de resinosas de aproximadamente 1500ha. A esta \u00e1rea, haver\u00e1 que acrescer pinhais plantados por privados, pela C\u00e2mara do Cadaval no seu baldio, por compartes e por privados. Pois bem, segundo a ALAMBI, do conjunto de todas estas \u00e1reas, sobravam em 2013 uns meros 297ha de resinosas (Invent\u00e1rio inserido no projeto de Plano de Ordenamento e Gest\u00e3o da PP Montejunto, 2013), tendo a restante \u00e1rea sido consumida por inc\u00eandios diversos, dos quais, s\u00f3 no grande inc\u00eandio de 2003 arderam 950ha.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Assim, verifica-se que os pinhais mais antigos foram consumidos por fogos diversos, e que surgiram novos pinhais noutras zonas. A expans\u00e3o das resinosas em Montejunto constitui mais uma m\u00e1 not\u00edcia, tendo em conta o registo hist\u00f3rico de constitu\u00edrem a principal fonte de combust\u00edvel dos fogos que deflagraram na Serra.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A ALAMBI sublinha que a floresta\u00e7\u00e3o das serras portuguesas levada a efeito pelos Servi\u00e7os Florestais ao longo de d\u00e9cadas, essencialmente com resinosas, tornou-se numa das principais fontes de combust\u00edvel que alimentam a \u00e9poca dos inc\u00eandios, insustent\u00e1vel nas condi\u00e7\u00f5es climat\u00e9ricas atuais e, mais insustent\u00e1vel ainda nos cen\u00e1rios clim\u00e1ticos que se desenham para o futuro.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Tendo em conta que eucaliptos e resinosas s\u00e3o as esp\u00e9cies mais ign\u00edfugas da floresta portuguesa e que estas constituem as duas principais esp\u00e9cies arb\u00f3reas que povoam a ZEC de Montejunto, teremos que considerar que, para al\u00e9m do \u201cempobrecimento ecol\u00f3gico\u201d que provocam, tornam Montejunto num territ\u00f3rio com alto risco de deflagra\u00e7\u00e3o e propaga\u00e7\u00e3o de inc\u00eandios.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Em contrate com estas esp\u00e9cies problem\u00e1ticas, a floresta de folhosas aut\u00f3ctones ocupa apenas 46ha, a que corresponde 1,21% da ZEC e 5,32% da \u00e1rea ocupado por eucaliptos.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Com exce\u00e7\u00e3o de alguns hectares de souto plantados pelos Servi\u00e7os Florestais e pelo ICN, esta \u00e1rea \u00e9 constitu\u00edda essencialmente por matas nativas ou fruto de autorregenera\u00e7\u00e3o. A principal mata de folhosas da Serra de Montejunto, o carvalhal dos Casais da Pedreira, j\u00e1 existia quando a Serra entrou em Regime Florestal e, os Servi\u00e7os Florestais, limitaram o seu trabalho a medidas de conserva\u00e7\u00e3o desta mata, removendo outras esp\u00e9cies do seu interior e atribuindo-lhe um estatuto de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">N\u00e3o se entende que o Plano de Gest\u00e3o da ZEC (pag.6) estabele\u00e7a como meta \u201cmanter a \u00e1rea total ocupada pelos habitats\u201d de carvalhais <i>(Quercus faginea<\/i> e <i>Quercus canariensis, Quercus<\/i> <i>suber,<\/i> <i>Quercus<\/i> <i>ilex<\/i> e <i>Quercus rotundif\u00f3lia),<\/i> quando estas esp\u00e9cies ocupam apenas \u00e1reas residuais que perfazem somente 1,21% da ZEC.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O <i>Projeto de Arboriza\u00e7\u00e3o do Per\u00edmetro Florestal da Serra de Montejunto<\/i>, apresentado pelos Servi\u00e7os Florestais em 1957, previa que 554ha de floresta de resinosas localizadas nas zonas mais baixas, com solos mais fundos, fosse percorrida por sementeira e planta\u00e7\u00e3o de folhosas. Lamentavelmente, este objetivo do projeto nunca foi cumprido. Por compara\u00e7\u00e3o com os objetivos ali estabelecidas, a meta do Plano de Gest\u00e3o da ZEC para as folhosas \u00e9 claramente insuficiente &#8211; uma irrelev\u00e2ncia.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Assim, a ALAMBI prop\u00f5e que a meta a estabelecer para as folhosas passe a ser \u201caumentar a \u00e1rea total ocupada pelo habitat\u201d e que o ICNF retome no Plano de Gest\u00e3o da ZEC os objetivos de refloresta\u00e7\u00e3o de 554ha de folhosas proposto no <i>Plano de Arboriza\u00e7\u00e3o do Per\u00edmetro Florestal da Serra de Montejunto<\/i>, datado de 1957.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Como objetivo de longo prazo, a \u00e1rea a florestar com folhosas deve ir muito al\u00e9m dos 554ha estabelecidos em 1957, visto o <i>Plano de Arboriza\u00e7\u00e3o<\/i> dos Servi\u00e7os Florestais dizer respeito apenas aos 1565ha de baldios por si administrados, enquanto o Plano de Gest\u00e3o agora apresentado diz respeito aos 3830ha da ZEC \u2013 uma \u00e1rea quase 2,5 vezes maior.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u00c9 conhecida a predile\u00e7\u00e3o do ICNF pela planta\u00e7\u00e3o de resinosas, tendo ainda recentemente plantado em Montejunto mais de uma dezena de hectares de pinhal &#8211; apesar de este n\u00e3o estar entre os habitats a proteger &#8211; sem que se tenha hesitado sequer em invadir com pinheiros \u00e1reas onde o carvalhal apresentava uma boa regenera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Para a ALAMBI. \u201co ICNF parece mostrar uma enorme nostalgia por aquilo que os Servi\u00e7os Florestais fizeram de pior nas serras portuguesas, sem ter em conta que j\u00e1 na d\u00e9cada de 1950 aqueles Servi\u00e7os planeavam reconverter os pinhais de Montejunto em florestas de folhosas, mostrando um enorme avan\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o ao que agora se continua a fazer.\u201d<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: #00000a;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">O Plano identifica diversas fontes de polui\u00e7\u00e3o na ZEC (anexo 6 p\u00e1gs. 38, 39), mas, minimiza o seu impacto, considerando<\/span><\/span><\/span> <span style=\"color: #00000a;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">que este territ\u00f3rio tem uma \u00abinflu\u00eancia bastante reduzida no contexto das massas de \u00e1gua superficiais ou subterr\u00e2neas da regi\u00e3o\u00bb. A ALAMBI nota ser evidente que as principais fontes poluentes dessas MA est\u00e3o nos territ\u00f3rios adjacentes \u00e0 Serra e n\u00e3o em Montejunto, mas, relembramos que nas imedia\u00e7\u00f5es da ZEC existem tr\u00eas capta\u00e7\u00f5es subterr\u00e2neas de relev\u00e2ncia significativa, nomeadamente em Olho Polido, Ota e Alenquer, utilizadas no abastecimento p\u00fablico.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #00000a;\"> <span style=\"font-family: Calibri, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Acerca das duas \u00faltimas, tem sido referido em diversos documentos que o maci\u00e7o calc\u00e1rio da Carapinha\/Atouguia, onde est\u00e3o instaladas, por si s\u00f3, n\u00e3o constitui bacia de infiltra\u00e7\u00e3o com \u00e1rea suficiente para alimentar os caudais ali produzidos, sendo levantada a suspeita de que Montejunto constitua tamb\u00e9m bacia de infiltra\u00e7\u00e3o destes aqu\u00edferos. Assim, a import\u00e2ncia da Serra de Montejunto como bacia de infiltra\u00e7\u00e3o, parece \u00e0 ALAMBi subestimada e eventuais focos de polui\u00e7\u00e3o ali identificados n\u00e3o devem ser subavaliados.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><b>S\u00edntese das propostas da Alambi:<\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">1 \u2013 Tendo o Plano reconhecido a planta\u00e7\u00e3o ilegal de eucaliptos na ZEC, mesmo ap\u00f3s 2018, propomos que seja rastreada a legalidade das planta\u00e7\u00f5es de eucaliptos em Montejunto.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">2 \u2013 Tendo em conta a revis\u00e3o legislativa de 2018, a prazo, os eucaliptais v\u00e3o chegar ao fim da sua vida produtiva e, ou ser\u00e3o arrancados e reconvertidos, ou ser\u00e3o abandonados, tornando-se num fator agravado de risco de inc\u00eandio. Este aspeto n\u00e3o nos parece suficientemente trabalhado no Plano, visto n\u00e3o haver no Anexo 8 nenhuma medida espec\u00edfica que preveja o modo como deve ser encarado. Assim, propomos que seja especificada de modo objetivo uma medida que defina o modo como deve ser tratada a reconvers\u00e3o dos eucaliptais em fim de vida produtiva.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">3 &#8211; O Plano n\u00e3o cont\u00e9m o cadastro da ZEC. Tendo em conta que os propriet\u00e1rios s\u00e3o parceiros essenciais para a gest\u00e3o da ZEC, propomos que seja criado um anexo com o parcel\u00e1rio da Serra e a identifica\u00e7\u00e3o dos respetivos propriet\u00e1rios.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">4 &#8211; A floresta de folhosas aut\u00f3ctones ocupa apenas 46ha da ZEC, a que corresponde somente 1,21% da sua \u00e1rea e 5,32% da \u00e1rea ocupado por eucaliptos. A meta estabelecida no Plano de \u201cmanter a \u00e1rea total ocupada pelo habitat\u201d parece-nos claramente insuficiente, pelo que propomos a sua revis\u00e3o para \u201caumentar a \u00e1rea total ocupada pelo habitat\u201d. A medida deve ser operacionalizada atrav\u00e9s da retoma do que est\u00e1 estabelecido no <i>Plano de Arboriza\u00e7\u00e3o do Per\u00edmetro Florestal da Serra de Montejunto<\/i>, de 1957, zonas a percorrer com folhosas e respetivas \u00e1reas \u2013 554ha no total, para esta fase do Plano de Gest\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">5 \u2013 O ICNF plantou recentemente pinhal numa \u00e1rea onde o carvalhal apresenta boa regenera\u00e7\u00e3o. Propomos que este pinhal seja removido de imediato e relembramos que os Servi\u00e7os Florestais, quando se instalaram em Montejunto e encontraram o carvalhal dos Casais da Pedreira, n\u00e3o o invadiram com mais pinheiros, como foi agora feito, mas removeram os cedros e pinheiros que existiam no seu interior e atribu\u00edram um estatuto de prote\u00e7\u00e3o a esta mata.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">6 &#8211; O Plano prev\u00ea um conjunto de medidas de gest\u00e3o como a preven\u00e7\u00e3o e controlo de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras ou o refor\u00e7o da fiscaliza\u00e7\u00e3o, mas, n\u00e3o objetiva com clareza o modo de concretiza\u00e7\u00e3o destas medidas nem as calendariza de modo claro. Propomos que a execu\u00e7\u00e3o destas medidas seja planeada com maior objetividade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 em discuss\u00e3o p\u00fablica at\u00e9 final do m\u00eas de julho o Plano de Gest\u00e3o da Zona Especial de Conserva\u00e7\u00e3o da Serra de Montejunto. 25 anos depois da sua integra\u00e7\u00e3o na Rede Natura 2000, este s\u00edtio tem finalmente um Plano de Gest\u00e3o. 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