{"id":44679,"date":"2026-10-14T12:48:35","date_gmt":"2026-10-14T12:48:35","guid":{"rendered":"https:\/\/tintafresca.net\/?p=44679"},"modified":"2026-10-14T12:56:35","modified_gmt":"2026-10-14T12:56:35","slug":"alteracoes-climaticas-podem-empurrar-lampreia-savel-e-enguia-para-norte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tintafresca.net\/index.php\/2026\/10\/14\/alteracoes-climaticas-podem-empurrar-lampreia-savel-e-enguia-para-norte\/","title":{"rendered":"Altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas podem \u201cempurrar\u201d lampreia, s\u00e1vel e enguia para norte"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_7896\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7896\" class=\"wp-image-7896 size-full\" src=\"https:\/\/tintafresca.net\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/IPL_MARE_Peniche10.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"375\" \/><p id=\"caption-attachment-7896\" class=\"wp-caption-text\">Universidade de Leiria e Oeste integra o projeto MARE<\/p><\/div>\n<p>A lampreia-marinha, o s\u00e1vel, a enguia-europeia e o salm\u00e3o passam parte da vida nos rios e parte no mar. \u00c9 no mar que menos se sabe sobre eles, e \u00e9 tamb\u00e9m a\u00ed que as medidas de conserva\u00e7\u00e3o continuam a ser insuficientes. Para preencher essa lacuna, o projeto europeu DiadSea juntou durante tr\u00eas anos investigadores e entidades de Portugal, Espanha, Fran\u00e7a e Irlanda, sob a coordena\u00e7\u00e3o da Universidade de \u00c9vora\/MARE. Os resultados finais s\u00e3o apresentados na quinta-feira, 15 de outubro, numa sess\u00e3o p\u00fablica na Universidade de \u00c9vora.<\/p>\n<p><strong>Primeira vis\u00e3o abrangente no Atl\u00e2ntico<\/strong><\/p>\n<p>O projeto reuniu e harmonizou 42 conjuntos de dados, com mais de 468 mil opera\u00e7\u00f5es de amostragem, sobre 10 esp\u00e9cies. O trabalho permitiu construir, pela primeira vez, uma vis\u00e3o espacial abrangente da presen\u00e7a destes peixes no Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p>Com base nestes dados, foram desenvolvidos modelos para as 10 esp\u00e9cies at\u00e9 ao final do s\u00e9culo. Os modelos preveem que as esp\u00e9cies se expandam para norte e percam terreno nas \u00e1reas mais a sul. A reorganiza\u00e7\u00e3o das comunidades \u00e9 mais acentuada no cen\u00e1rio clim\u00e1tico mais severo: perdas a sul, ganho e substitui\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies a norte e em mar aberto. Estes resultados permitem antecipar que zonas poder\u00e3o tornar-se mais vulner\u00e1veis ou ganhar import\u00e2ncia para a conserva\u00e7\u00e3o, e apoiar uma gest\u00e3o mais preventiva e adaptativa.<\/p>\n<p>Os modelos mostram ainda que os habitats marinhos mais adequados a estas esp\u00e9cies dependem da dist\u00e2ncia aos rios que sustentam as popula\u00e7\u00f5es. Isto refor\u00e7a a necessidade de gerir em conjunto o mar e os rios, em vez de os tratar de forma separada.<\/p>\n<p>\u00abEstas esp\u00e9cies n\u00e3o conhecem fronteiras, nem entre pa\u00edses nem entre o rio e o mar. Para os proteger, n\u00e3o basta saber mais sobre a sua vida no mar: \u00e9 preciso que pa\u00edses, institui\u00e7\u00f5es, gestores, investigadores e pescadores trabalhem em conjunto\u00bb, afirma Catarina Mateus, investigadora do MARE-Universidade de \u00c9vora e coordenadora do DiadSea.<\/p>\n<p><strong>\u00abPeixe do Mondego\u00bb: rastreabilidade na lota da Figueira da Foz<\/strong><\/p>\n<p>Na lota da Figueira da Foz, o projeto testou o selo de origem \u00abPeixe do Mondego\u00bb. O selo distingue o s\u00e1vel e a savelha da pesca fluvial no Mondego do pescado capturado no mar ou noutras zonas. Ao tornar a origem reconhec\u00edvel ao longo da cadeia de comercializa\u00e7\u00e3o, a iniciativa valoriza um produto local e promove uma pesca mais sustent\u00e1vel. Os operadores da lota continuaram a aplicar as etiquetas mesmo sem a equipa do projeto presente, o que mostra que o sistema pode passar a fazer parte das pr\u00e1ticas habituais de venda.<\/p>\n<p><strong>Novas t\u00e9cnicas e coopera\u00e7\u00e3o entre quatro pa\u00edses<\/strong><\/p>\n<p>Para estudar a fase marinha de esp\u00e9cies como a lampreia-marinha, o s\u00e1vel, a enguia-europeia, o salm\u00e3o e a truta-marisca, o projeto DiadSea recorreu a um conjunto diversificado de t\u00e9cnicas avan\u00e7adas. Entre elas destaca-se o uso de ADN ambiental, que permite detetar as esp\u00e9cies a partir dos seus vest\u00edgios gen\u00e9ticos presentes na \u00e1gua sem a necessidade de as capturar, al\u00e9m da an\u00e1lise gen\u00e9tica, da microqu\u00edmica de ot\u00f3litos e do recurso \u00e0 marca\u00e7\u00e3o eletr\u00f3nica.<\/p>\n<p>Os peixes di\u00e1dromos e as press\u00f5es que enfrentam n\u00e3o respeitam fronteiras. Por isso, o projeto criou em junho de 2025 o Observat\u00f3rio Transnacional para a Conserva\u00e7\u00e3o dos Peixes Di\u00e1dromos, com representantes dos quatro pa\u00edses. Em setembro de 2025, o DiadSea foi reconhecido como A\u00e7\u00e3o da D\u00e9cada do Oceano das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>Com o objetivo de levar a ci\u00eancia ao p\u00fablico e sensibilizar para a conserva\u00e7\u00e3o destas esp\u00e9cies, o projeto desenvolveu diversos recursos pedag\u00f3gicos e materiais de divulga\u00e7\u00e3o. Entre as iniciativas produzidas destacam-se o jogo de cartas Migro\u2019Ocean, o jogo de tabuleiro gigante \u201ca viagem dos peixes migradores\u201d, uma banda desenhada, v\u00eddeos explicativos e ainda um guia de identifica\u00e7\u00e3o disponibilizado em quatro l\u00ednguas.<\/p>\n<p><strong>Sess\u00e3o p\u00fablica a 15 de outubro<\/strong><\/p>\n<p>A sess\u00e3o p\u00fablica decorre das 09h00 \u00e0s 17h00, no Col\u00e9gio do Esp\u00edrito Santo da Universidade de \u00c9vora. Ao longo do dia, os trabalhos abordam a monitoriza\u00e7\u00e3o efetuada em rios, estu\u00e1rios e no mar, as migra\u00e7\u00f5es e a conectividade das popula\u00e7\u00f5es, os impactos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas na distribui\u00e7\u00e3o futura das esp\u00e9cies, bem como os desafios da passagem do conhecimento cient\u00edfico para a gest\u00e3o pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u00c0s 16h15 decorre a mesa-redonda \u201cRefor\u00e7ar a coopera\u00e7\u00e3o para a conserva\u00e7\u00e3o dos peixes di\u00e1dromos na Europa\u201d, com o MARE, a DGRM, o ICNF e o Office Fran\u00e7ais de la Biodiversit\u00e9.<\/p>\n<p><strong>O que s\u00e3o peixes di\u00e1dromos?<\/strong><\/p>\n<p>Os peixes di\u00e1dromos s\u00e3o esp\u00e9cies que realizam migra\u00e7\u00f5es entre os rios e o mar ao longo do seu ciclo de vida, representando menos de 1% das cerca de 32 mil esp\u00e9cies de peixes conhecidas em todo o mundo. Dividem-se fundamentalmente em dois tipos: os an\u00e1dromos, que vivem no mar e sobem os rios para se reproduzir (como \u00e9 o caso da lampreia-marinha e do salm\u00e3o), e os cat\u00e1dromos, que nascem e se reproduzem no mar, mas desenvolvem-se e crescem na \u00e1gua doce (como a enguia-europeia). Precisamente por utilizarem e dependerem de ambos os ecossistemas ao longo da vida, estes peixes tornam-se especialmente dif\u00edceis de gerir e proteger.<\/p>\n<p><strong>Sobre o projeto DiadSea<\/strong><\/p>\n<p>O projeto DiadSea \u2013 \u201cCoopera\u00e7\u00e3o transnacional para melhorar a gest\u00e3o e a conserva\u00e7\u00e3o dos peixes di\u00e1dromos no mar\u201d (EAPA_0011\/2022) \u2013 \u00e9 uma iniciativa coordenada pela Universidade de \u00c9vora\/MARE e cofinanciada pela Uni\u00e3o Europeia atrav\u00e9s do Programa Interreg Atlantic Area. Este projeto re\u00fane 9 parceiros benefici\u00e1rios e 28 parceiros associados provenientes de Portugal, Espanha, Fran\u00e7a e Irlanda. Em territ\u00f3rio nacional, conta como parceiros benefici\u00e1rios com a Universidade de \u00c9vora\/MARE, a Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa (Ci\u00eancias ULisboa) e o Instituto Portugu\u00eas do Mar e da Atmosfera (IPMA), integrando ainda parceiros associados de relevo institucional, como a Ag\u00eancia Portuguesa do Ambiente (APA), o Instituto da Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e das Florestas (ICNF), a Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Recursos Naturais, Seguran\u00e7a e Servi\u00e7os Mar\u00edtimos (DGRM), a Docapesca e a Autoridade Mar\u00edtima Nacional.<\/p>\n<p><strong>Sobre o MARE<\/strong><\/p>\n<p>O MARE &#8211; Centro de Ci\u00eancias do Mar e do Ambiente &#8211; \u00e9 um centro de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, desenvolvimento tecnol\u00f3gico e inova\u00e7\u00e3o com compet\u00eancias para o estudo de todos os ecossistemas aqu\u00e1ticos, na vertente continental e no mar. Promove o uso sustent\u00e1vel de recursos e a literacia do oceano disseminando o conhecimento cient\u00edfico e apoiando pol\u00edticas de desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Criado em 2015, integra 8 Unidades Regionais de Investiga\u00e7\u00e3o associadas \u00e0s seguintes institui\u00e7\u00f5es: Universidade de Coimbra (MARE-UCoimbra), Polit\u00e9cnico de Leiria (MARE-Polit\u00e9cnico de Leiria), Universidade de Lisboa (MARE-ULisboa), Universidade Nova de Lisboa (MARE-NOVA), ISPA &#8211; Instituto Universit\u00e1rio (MARE-ISPA), Instituto Polit\u00e9cnico de Set\u00fabal (MARE-IPSet\u00fabal), Universidade de \u00c9vora (MARE-U\u00c9vora), Universidade da Madeira e ARDITI (MARE-Madeira).<\/p>\n<p>O MARE integra, juntamente com o CBMA &#8211; Centro de Biologia Molecular e Ambiental (Universidade do Minho) e o CIMA &#8211; Centro de Investiga\u00e7\u00e3o Marinha e Ambiental (Universidade do Algarve), o ARNET \u2013 Rede de Investiga\u00e7\u00e3o Aqu\u00e1tica, um Laborat\u00f3rio Associado de dimens\u00e3o nacional que, com 742 investigadores e colaboradores em 11 institui\u00e7\u00f5es anfitri\u00e3s, se dedica ao estudo integrado dos sistemas aqu\u00e1ticos, desde as bacias hidrogr\u00e1ficas ao oceano profundo, promovendo a liga\u00e7\u00e3o entre conhecimento cient\u00edfico, pol\u00edticas p\u00fablicas e a\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Fonte: LPM<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A lampreia-marinha, o s\u00e1vel, a enguia-europeia e o salm\u00e3o passam parte da vida nos rios e parte no mar. \u00c9 no mar que menos se sabe sobre eles, e \u00e9 tamb\u00e9m a\u00ed que as medidas de conserva\u00e7\u00e3o continuam a ser insuficientes. 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