Edição: 242

Diretor: Mário Lopes

Data: 16/1/2021

Orçamento e GOPs do Município de Tomar – serão estas as prioridades?!

Lurdes Ferromau Fernandes

O executivo camarário de Tomar, de maioria socialista, apresentou o último orçamento do seu segundo mandato, ano de 2021, num total de 41,5 milhões Euros, numa linha de continuidade, com seis objetivos: coesão e inclusão social; desenvolvimento urbano; desenvolvimento económico; protecção civil, gestão e equilíbrio financeiro, e processos internos.

Veja-se onde se gasta o dinheiro:

Coesão e Inclusão Social – 9,1 milhões Euros; Desenvolvimento Urbano – 10,9 milhões Euros. Ambos correspondem a 84% dos recursos das GOP’s. No primeiro, continua a constar o “Centro Escolar da Linhaceira” (obra que passa de ano para ano) e apesar dos gastos em habitações sociais, desgarrados e pouco ambiciosos, assume-se, por fim, a necessidade de existir um plano estratégico e local para habitação, iniciando-se, agora o diagnóstico.

No Desenvolvimento Urbano, incluem-se, em cerca de 50%, as obras que se arrastam no tempo (Várzea Grande, Avenida Nuno Alvares Pereira), intenções em concretizar Praias Fluviais, Pracetas e Largos (sem justificação de critérios face à diversidade do território) e cabem também neste objetivo os Acordos de execução com as Freguesias (como se estes não fossem já decorrentes da delegação de competências). É um chapéu grande demais para se vislumbrar alguma eficiência na aplicação dos recursos.

Ao nível da Proteção Civil, verifica-se uma alocação de 163 mil Euros, manifestamente insuficiente para um concelho com 6 freguesias com risco elevado de perigosidade: Asseiceira, Olalhas, Sabacheira, São Pedro de Tomar, União de Freguesias de Além da Ribeira Pedreira e União de Freguesias de Serra Junceira). Qual é o apoio a prestar, neste orçamento? Nesta área, qual e com que meios, será a atuação dos Bombeiros Municipais de Tomar na prestação do socorro às populações?

A Gestão e Equilíbrio Financeiro e os Processos Internos, objetivos que consomem cera de 1,4 milhões Euros. 25% desta verba é destinada a assessoria jurídica, 20% em melhoria de instalações, 18% em tecnologias.

No que respeita ao objetivo Desenvolvimento Económico, estão previstos 2,2 milhões Euros. Deste valor, 27% são para mostras e promoções – 610 mil Euros; 58% são para apoio à economia local e ainda cabem aqui, 14,5% de transferências para a CIMT (323,4 mil Euros) É realmente insignificante, demonstra o desnorte deste executivo camarário, a falta de capacidade para tomar medidas realmente relevantes, que deveria alavancar um concelho que quer ser atractivo e competitivo.

A vivermos um “inverno” demográfico, tal como é apontado, e cientes da dura realidade que o concelho de Tomar enfrenta, quanto à redução ao longo dos últimos anos, da população, com incidência nos grupos etários mais jovens, não existem políticas conducentes a uma tentativa de travar esta tendência.

Uma Câmara Municipal, que está apenas a fazer (e a gastar recursos) cirurgicamente em obras de “cosmética”, descurando o eixo que deveria ser o privilegiado – o do desenvolvimento económico, só pode conduzir o concelho de Tomar ao abismo.

Uma Câmara que não conhece o território, não dialoga com os parceiros, que não ouve os munícipes, que não procura consensos, é uma câmara arrogante.

Uma Câmara que passa oito anos sem resolver o problema do saneamento no Centro Histórico de Tomar não é uma Câmara preocupada com o ambiente. Farta-se de se queixar dos “outros”, tais como APA, CCDR, ETAR de Seiça, etc., mas naquilo que apenas dependeria de si, não faz! Caríssima presidente, temos que começar por algum lado. Ser responsável por um município é ter capacidade para resolver problemas do Município e não apenas agradar a este ou àquele grupo.

    Lurdes Ferromau Fernandes
    Presidente do PSD de Tomar