Edição: 242

Diretor: Mário Lopes

Data: 16/1/2021

João Ferreira visita o Forte de Peniche, símbolo da luta pela liberdade e democracia

João Ferreira com os ex-presos políticos presentes nesta visita ao Forte de Peniche

João Ferreira, candidato à Presidência da República, visitou, no dia 30 de dezembro, o futuro Museu Nacional Resistência e Liberdade, no Forte de Peniche. O eurodeputado, eleito pela coligação PCP-PEV, realizou a visita acompanhado de ex-presos políticos, como Domingos Abrantes, atual Conselheiro de Estado, e da sua mandatária distrital, Anabela Baptista. Esta não é a primeira vez que a importância do Forte de Peniche como símbolo da luta contra o regime fascista é recordado em eleições para a Presidência da República, já que há 12 anos, Manuel Alegre iniciou neste Monumento Nacional (desde 1938) a sua campanha eleitoral.

João Ferreira considera “de grande importância a decisão tomada de preservar neste espaço a memória do que foi o fascismo e a perseguição que sofreram todos aqueles que lutaram pela liberdade e pela democracia. Preservar essa memória é uma forma de defesa da democracia que conquistámos no 25 de Abril. Sendo eu candidato a Presidente da República, talvez a sua principal missão, traduzida no juramento solene que faz no momento em que toma posse, seja  defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição e o regime democrático nela consagrado. Uma parte importante dessa missão implica preservar esta memória e como candidato a Presidente da República ou como Presidente da República, se for eleito, dedicarei a este espaço a importância que ele merece.”

Para o candidato à Presidência da República, essa atenção passa por “assinalar neste momento aquilo que já se conseguiu, mas também a necessidade de se concretizar os projetos que estão previstos e que resultarão no Museu Nacional Resistência e Liberdade. Esta visita ao Forte de Peniche tem a dupla função de me inteirar do andamento do Museu mas, sobretudo, assinalar a importância da preservação da memória histórica do que foi o fascismo. Felizmente, temos a oportunidade de assistir a testemunhos vivos de quem por aqui passou, o que torna mais impressiva esta memória que é essencial para a defesa da democracia.”

Sobre o facto do Museu Nacional Resistência e Liberdade não ter sido inaugurado até ao final do ano, como estava previsto, João Ferreira adiantou que houve uma fase de projeto que está concluído e uma proposta que foi selecionada, esperando, por isso, que durante 2021 se passe à fase de execução do projeto.

Em termos de balanço eleitoral, João Ferreira adiantou que “a campanha arrancou há cerca de três meses, tem percorrido o País de norte a sul, incluindo as regiões autónomas, e tem feito um esforço muito grande de esclarecimento, de informação e de mobilização em torno da importância destas eleições. Um esforço para que estas eleições não passem ao lado dos portugueses, como alguns eventualmente gostariam, e para alertar para a importância de termos no cargo de Presidente da República alguém que seja coerente com o tal juramento de defender, cumprir e fazer cumprir a constituição. A forma como o exercício dos poderes do Presidente da República será feito influenciará significativamente, para o mal ou para o bem, o curso da vida nacional.”

Sobre as sondagens pouco favoráveis publicadas em vários órgãos de comunicação social, João Ferreira garante que “esta candidatura tem vindo a crescer, de quadrantes diversos, e espero que até ao dia 24 de janeiro essa corrente possa crescer ainda mais. O resultado das eleições não será feito pelas sondagens, será feito pelos votos e esse resultado está a ser construído a cada dia, com grande determinação e grande confiança. Tem havido sondagens com números diferentes, alguns até contraditórios, valem o que valem, mas o resultado será determinado no dia 24 com o voto dos portugueses.”

O Tinta Fresca questionou também a responsável do Museu Nacional Resistência e Liberdade, Aida Rechena, que garantiu não haver atrasos significativos no processo de abertura do Museu, tendo em conta as circunstâncias: a mudança da direção da Direção Geral do Património Cultual – DGPC e a ocorrência da pandemia de COVID-19.

“O espólio do Museu de Peniche está a ser inventariado, temos também espólio que entra por doações de antigos presos e dos seus familiares e de associações de património. Este é um processo gradual porque a constituição de coleções nunca termina. Estamos a fazer as entrevistas e a recolha das memórias dos ex-presos em vídeo, que é um dos nossos principais acervos, mas que atrasou muito por causa da pandemia, dado que não podemos ir a casa dos antigos presos. Esses vídeos poderão ser usados para investigação, para exposições e farão parte do acervo do Museu”, informou.

    Mário Lopes