Edição: 246

Diretor: Mário Lopes

Data: 2021/5/18

Projeto Montclima – Gestão de riscos florestais contou com colaboração da CIMRL

Leiria recebeu segundo seminário transnacional sobre incêndios florestais no espaço SUDOE

A região da Leiria sofreu grandes incêndios de nível 6, atingindo o infeliz recorde de 350.000 hectares devastados por incêndios em 2017

Coincidindo com o Dia Mundial da Terra, o Projeto Europeu SUDOE Montclima organizou esta quinta-feira, 22 de abril de 2021, o seu segundo seminário transnacional sobre “Estratégias de gestão e prevenção de incêndios florestais no espaço SUDOE”, em Leiria, Portugal. Este encontro, com vocação internacional, foi acolhido pela Comunidade Intermunicipal da Região de Leira (CIMRL), entidade parceira do projeto. Das 9h00 às 13h00, numerosos oradores externos e associados ao Montclima partilharam os últimos dados recolhidos sobre incêndios florestais e trocaram informações sobre as melhores práticas de gestão para aumentar a resiliência dos territórios do Sudoeste Europeu face ao risco de incêndios florestais.

Riscos Naturais: um facto alarmante

Entre janeiro e agosto de 2020, 274.000 hectares arderam no território do Sudoeste da Europa (SUDOE). O tema do seminário e o local não foram escolhidos ao acaso. A região da Leiria em Portugal sofreu grandes incêndios de nível 6, atingindo o triste recorde de 350.000 hectares devastados por incêndios em 2017. De acordo com os estudos apresentados, há um incêndio a cada três dias e 95% das causas dos incêndios devem-se ao fator humano.

“A tarde de 15 de junho de 2017 é o pior momento da história dos incêndios na Europa. Nesse dia, em Portugal, 234.000 hectares arderam num curto período de tempo. Os incêndios a que estamos a assistir em Portugal são de grande magnitude e comportam-se de forma diferente dos incêndios a que estávamos habituados, em parte devido ao impacto das alterações climáticas. Esta mudança no comportamento dos incêndios está a ocorrer em toda a Europa e é essencial que aprendamos com as experiências em Portugal para nos prepararmos para mais incêndios como este”, disse Marc Castellnou, inspetor e chefe do Grupo de Reforço de Ações Florestais (GRAF), membro do Corpo de Bombeiros do Governo Catalão e referência internacional em ecologia e gestão de incêndios.

O fator antropológico na linha da frente

Este seminário sobre gestão e prevenção de incêndios florestais é uma oportunidade para destacar os danos ambientais e socioeconómicos causados pelos incêndios florestais e analisar como as práticas de gestão agrícola afetam o solo. Estudos de campo realizados para definir a localização dos incêndios identificaram que 95% dos incêndios têm causas humanas. Estas zonas propensas aos incêndios são predominantemente zonas rurais.

De facto, pelo menos na parte francesa dos Pirenéus e em Portugal, um dos principais desencadeadores dos incêndios florestais é a queima descontrolada para regeneração de pastagens. Estes incêndios, combinados com fatores como altas temperaturas ou ventos extremos, tornam-se devastadores. Por conseguinte, a prevenção e a sensibilização do público são essenciais para reduzir o risco de incêndios.

E o que devemos fazer?

Durante o seminário, foram apresentadas várias ferramentas técnicas de gestão e prevenção de incêndios: sensores para analisar o nível de humidade nas florestas, o índice IEP desenvolvido pela Météo France em colaboração com a Organização Nacional Florestal Francesa (ONF) para calcular o vento, assim como mapas para combinar a prevenção e a produção de madeira em florestas privadas. Além disso, foram apresentadas algumas técnicas simples para sensibilizar a população, tais como um código de boas práticas e conduta perante um incêndio florestal que ocorreu no País Basco.

O Projecto Montclima: uma abordagem europeia

Este seminário sobre as diferentes estratégias de gestão e prevenção dos incêndios florestais foi o segundo do projeto SUDOE Montclima. Faz parte de uma série de seminários dedicados à melhoria da prevenção e gestão dos quatro riscos naturais estudados pelo projeto (incêndios, erosão, inundações e secas), iniciada em 2020 e que decorrerá ao longo de 2021, até ao final do projeto em 2022. O primeiro seminário do projeto, com uma perspetiva “multirriscos”, abordou a relação entre os diferentes riscos naturais e as alterações climáticas nas zonas de montanha. Este evento realizou-se em Sória em outubro de 2020.

Estes seminários de transferência são uma oportunidade para as entidades envolvidas no projeto Montclima e entidades parceiras (stakeholders) se reunirem em torno de questões-chave na gestão destes riscos nas zonas de montanha, de um ponto de vista transnacional. O próximo seminário, que terá lugar em Barcelona em setembro de 2021, tratará das práticas florestais adaptativas e do risco de seca.

“O Dia Mundial da Terra é um dia simbólico que salienta a importância da relação entre os seres humanos e o ambiente, e a necessidade de gerir os perigos naturais de uma forma mais holística. O nosso objetivo através deste seminário é explorar as melhores práticas a adotar, com base na experiência e na aprendizagem comum. As montanhas são espaços frágeis face aos perigos naturais. O projeto Montclima trabalha diariamente para melhorar a resiliência dos territórios a estes riscos.” Eva García-Balaguer, OPCCCTP.

Sobre o projeto Montclima

Liderado pela Comunidade de Trabalho dos Pirenéus (CTP) e pelo seu Observatório das Alterações Climáticas dos Pirenéus (OPCC), o projeto Montclima visa estudar a gestão e prevenção dos riscos naturais e climáticos nas zonas montanhosas do sudoeste da Europa. Com um orçamento de 1,4 milhões de euros, o projeto é apoiado pelo programa europeu de cooperação para o Sudoeste Europeu (Interreg SUDOE) e é cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER). O projeto Montclima decorrerá até dezembro de 2022 para propor ferramentas e recomendações para melhorar a prevenção e gestão dos riscos naturais e, assim, contribuir para melhorar a resiliência dos territórios de montanha no Sudoeste da Europa.

   Fonte: CIMRL

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