Edição: 246

Diretor: Mário Lopes

Data: 2021/5/18

Jogo será produzido numa parceria internacional com a Universidade Católica de Pelotas

Politécnico de Leiria desenvolve jogo para auxiliar o tratamento da dor crónica na velhice

Jogo será criado em parceria com a Universidade Católica de Pelotas

O Politécnico de Leiria, através da spin off AGILidades, vai desenvolver um jogo analógico que permite ajudar na gestão e tratamento da dor crónica, que afeta mais de 50% da população idosa em Portugal. O jogo será criado em parceria com a Universidade Católica de Pelotas (UCPEL), no Brasil, envolvendo mais de 60 idosos em cada país (Portugal e Brasil) e uma equipa de profissionais de áreas multidisciplinares.

«Vários foram os problemas já identificados na população idosa em Portugal, desde o uso abusivo de medicação para controlo da dor, atitudes negativistas sobre estratégias de atenuação desta condição, pouca proatividade na procura de soluções não medicamentosas, entre outros. O atual contexto de pandemia veio agravar esta realidade da dor crónica, sendo urgente redefinir novas estratégias terapêuticas nesta área de intervenção. O papel do jogo como agente educativo pode ser fulcral na mudança desta realidade», explicam Marlene Rosa e Ricardo Pocinho, professores do Politécnico de Leiria e responsáveis pelo AGILidades.

O desenvolvimento do jogo passará por um processo científico cuidadosamente planeado e revisto na sua qualidade metodológica, envolvendo os próprios idosos na definição dos seus problemas mais reais e incapacitantes relacionados com a dor crónica.

«Não temos dúvidas da importância do jogo educativo na geriatria. No contexto dos programas que se possam desenvolver nesta área da educação para a dor, os jogos educativos merecem completo destaque pela forma como auxiliam, guiam e podem estimular interações e partilhas sobre possíveis soluções para a gestão da dor crónica», afirmam os responsáveis pelo estudo, que sublinham a importância dos jogos educativos para a melhoria do bem-estar físico, social e psicológico dos idosos.

O jogo educativo sobre a dor crónica está agora na primeira fase de um total de três fases distintas de desenvolvimento. Ricardo Pocinho, professor da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS), prevê que o jogo esteja disponível para ser prescrito no tratamento de dor crónica num prazo médio de seis meses.

Todos os jogos desenvolvidos no âmbito da spin off AGILidades são sujeitos a um processo rigoroso de validação científica, que confere a estes produtos a sua validade como estratégia terapêutica para treino de competências em geriatria. Alguns produtos em portefólio já transitaram por todas estas fases e estão agora a ser utilizados em vários Lab Centers do país, sediados em IPSS, «conferindo bons resultados em saúde e uma prestação de cuidados de qualidade na população idosa institucionalizada e no seu domicílio», refere Marlene Rosa, professora da Escola Superior de Saúde (ESSLei).

O AGILidades é uma spin off do Politécnico de Leiria, criada em 2018, que visa o desenvolvimento de Jogos Terapêuticos adaptados às mais diversas idades e condições, para a reabilitação de pessoas com disfunção psicomotora ou cognitivo-motora, úteis no processo de reabilitação. A marca tem ainda como objetivo a prestação de serviços de consultadoria técnica em matéria de conceção e testes de desenvolvimento de novos produtos nesta área. Dos projetos mais recentes, destaca-se a criação de uma rede nacional de IPSS com valências geriátricas, que deverão assumir um papel fulcral na certificação dos jogos como ferramentas sérias para a promoção de um envelhecimento saudável e, sobretudo, mais feliz.

     Fonte: Midlandcom

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