Edição: 246

Diretor: Mário Lopes

Data: 2021/5/18

Leiria

Menino do Lapedo reconhecido pelo Governo como Tesouro Nacional

Menino do Lapedo foi descoberto em 1998 no Abrigo do Lagar Velho, em Santa Eufémia

A classificação do Menino do Lapedo como Tesouro Nacional foi aprovada na quinta-feira, dia 22 de abril, pelo Governo, em reunião de Conselho de Ministros dedicada à Cultura.

Nesta reunião, que decorreu no Palácio Nacional de Mafra, foi aprovada a requalificação prioritária de 46 museus e monumentos, e de três teatros nacionais do país, cuja conservação foi incluída no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

A classificação do Menino do Lapedo e dos artefactos arqueológicos associados, descobertos em 1998 no Abrigo do Lagar Velho, em Santa Eufémia, Leiria, inseriu-se na área do Património que classifica diversos bens móveis como bens/conjunto de interesse nacional, sendo-lhes atribuída a designação de “tesouro nacional”.

Esta decisão acontece um ano depois de uma proposta concretizada pela Direção-Geral do Património Cultural (DPGC) para a proteção e valorização do achado “valor cultural de significado para a Nação” e em relação à qual, a vereadora da Cultura do Município de Leiria, Anabela Graça afirmou, na ocasião, ser muito importante para “acentuar a legitimação e o reconhecimento patrimonial deste fóssil humano e dos artefactos associados, cuja relevância científica tem uma dimensão internacional”.

Situados no Vale do Lapedo, mais concretamente no Abrigo do Lagar Velho, os achados arqueológicos relativos à sepultura de uma criança do paleolítico superior, vulgarmente conhecida como “Menino do Lapedo”, foram já classificados, em 2012, como monumento nacional.  Esta é a única sepultura humana deste período conhecida em toda a Península Ibérica, testemunhando a partilha de rituais fúnebres pelos homens que viveram na Europa há mais de 25 mil anos.

De notar que é a primeira vez que, em termos nacionais, se procede à classificação de um esqueleto humano, sendo este, sem dúvida, um caso raro e um testemunho com uma importância científica, histórica, cultural e patrimonial inigualável, uma vez que se trata do único esqueleto completo do Paleolítico existente em Portugal.

A singularidade deste testemunho, com destaque para os resultados das análises efetuadas, foi de tal modo relevante que revolucionou os modelos explicativos da evolução humana mais recente.

Este enterramento, com as suas características distintivas e a sua componente artefactual, é, até ao momento, um exemplar único em território nacional e um dos poucos existentes a nível mundial.

Os esqueletos e os artefactos encontram-se depositados no Museu Nacional de Arqueologia, com as adequadas condições de preservação e segurança.

Para o Município de Leiria, a distinção agora aprovada representa, por um lado, um reconhecimento do vastíssimo trabalho científico nacional e internacional gerado ao longo de duas décadas e, por outro lado, o mote para o incremento de ações de investigação e valorização deste espólio, do sítio onde foi descoberto, da sua envolvente e do Centro de Interpretação do Abrigo do Lagar Velho.

Desde 2018  está em curso um novo projeto de investigação designado “O Abrigo do Lagar Velho e os primeiros humanos do extremo ocidental europeu”, desenvolvido pela Universidade de Lisboa (sob coordenação do Doutor Joan Luján) e pela Direção Geral do Património Cultural – Laboratório de Arqueociências (sob coordenação da Doutora Ana Cristina Araújo), com o objetivo de continuar a escavação arqueológica na área do Abrigo do Lagar Velho e noutros abrigos do Vale do Lapedo, com a qual o município colabora, enquanto entidade parceira.

    Fonte: GRPG|CML

 

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