Edição: 246

Diretor: Mário Lopes

Data: 2021/5/18

100 anos da CERES

Moagem centenária dá origem a hub criativo e empreendedor nas Caldas da Rainha

Ângela Santos

Na celebração dos 100 anos, que se cumprem a 30 de abril, a gestão da CERES orgulha-se de ter convertido, uma moagem num Hub Criativo e Empreendedor no centro das Caldas da Rainha, criando valor a toda a comunidade, à cidade e ao País. Na família há cinco gerações, a sua visão traduz-se numa adaptação inovadora aos tempos e às tendências.

Desde há cinco anos a cidade das Caldas da Rainha tem visto crescer na antiga moagem CERES uma nova centralidade cultural, criativa e empreendedora, aberta à cidade e aos vizinhos, mas com alma global. Várias idades e maturidades de projetos unidas num só espaço, que é confluência de artes, cultura, empreendedorismo e lazer.

Miguel Paiva e Sousa (da quinta geração) sublinha que “a CERES chega aos 100 anos com os seus espaços todos ocupados, mesmo em ano de pandemia, comprovando a sua vocação de adaptação aos tempos e às necessidades locais: cerca de 40 projetos com uma mesma visão – inovar, criar valor, projetar as Caldas da Rainha no país e no mundo.”

O mesmo responsável adianta que “o espaço está em contínua renovação e oferece várias tipologias para fazer face a diferentes tipos de necessidades, sendo dotado de infraestruturas de conforto e sustentabilidade”, acrescentando que “na calha dos próximos investimentos estão as energias renováveis para autoconsumo: painéis fotovoltaicos, estrutura elétrica sustentável, reciclagem e reaproveitamento de materiais.”

Várias iniciativas marcam a passagem do século de existência da CERES: a criação do Instagram, a iniciativa de plantação de pinheiros mansos “CERES – a criar raízes desde 1921” e a partilha de máscaras sanitárias CERES por toda a comunidade do HUB Criativo e Empreendedor. Esperam-se mais novidades do decorrer do ano centenário.

Ao longo dos últimos anos, para o sucesso alcançado, foram essenciais os parceiros estratégicos sempre disponíveis para o trabalho construtivo: a Câmara Municipal das Caldas da Rainha, a Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Pópulo, a Polícia de Segurança Pública, ESAD, Associação Destino Caldas.

Assumindo o rosto da gestão e sendo a interface permanente entre todos os parceiros, Ângela Santos acompanha o projeto com total entrega e dedicação há mais de 30 anos e encarna na perfeição a cultura familiar de proximidade e serviço.

A história da CERES

CERES nas Caldas da Rainha em 1966

A história começou em Vendas Novas, ainda em 1912, com a constituição de uma moagem pela família Alves de Paiva, mas foi em 30 de abril de 1921 que a CERES se constituiu como empresa, em Montemor-o-Novo.

Na década seguinte, uniram-se, pelo casamento, duas famílias – Alves de Paiva (de Vendas Novas, proprietários e industriais) e Martins de Sousa (de Montemor, regentes agrícolas), Maria Rosa e Lúcio.

Pelos anos 40, Lúcio de Sousa adquiriu a totalidade da CERES e iniciou um novo ciclo de modernização e expansão. Concluiu a automatização integral da moagem ainda nos anos 40, revelando um espírito pioneiro muito à frente do seu tempo[1].

Mas o Alentejo não tinha as condições necessárias para o crescimento do negócio, tal como Lúcio de Sousa o visionava. Seria necessária a proximidade ao caminho de ferro e aos consumidores finais. Nos anos 50, após uma intensa prospeção por todo o país, decidiu investir fortemente nas Caldas da Rainha, deixando definitivamente o Alentejo. Os mais de 7000 m2 de construção fabril efetivaram-se e a fábrica, tal como a conhecemos, iniciou a laboração em 1966.

À entrada do milénio, e por razões concorrenciais, a fábrica teve de parar. Punha-se em questão o seu futuro e o de toda a área construída, num local privilegiado das Caldas da Rainha. A quinta geração, Paiva e Sousa, teve então um novo rasgo para o projeto, disruptivo em relação ao objeto, mas de continuidade em relação à visão: continuar a criar valor na comunidade, na cidade e no País.

Assim nasceu o novo projeto para a CERES, que já é uma referência nacional no aproveitamento de espaços industriais no centro das cidades, constituindo comunidades criativas e sinérgicas em espaços em constante adaptação e renovação, numa perspetiva de sustentabilidade.

[1] Lúcio de Sousa deixou um rasto indelével em várias áreas: criou vários engenhos patenteados ligados à agricultura (como a mecanização da apanha da azeitona), foi administrador da Casa de Cadaval durante décadas (tendo-lhe ganho o estatuto de maior casa agrícola de Portugal) e foi ainda presidente da Câmara de Salvaterra de Magos, com medidas sociais totalmente inovadoras à época, como acesso médico e alfabetização de toda a população, habitação social e condições de habitabilidade e conforto aos “romeiros” (homens e mulheres).

    Fonte: CERES

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