Edição: 247

Diretor: Mário Lopes

Data: 2021/6/16

Um eleitor alcobacense: Passa para cá o meu voto!

Adelino Granja

Passados 47 anos do 25 de abril, pensava que a democracia tenho sido aprendida por muitos dos políticos da atualidade. Mas, infelizmente, não.

Está social e politicamente provado que era preciso terem passado pelas masmorras pidescas do Anterior Regime, para trem a consciência de que é uma democracia.

E quando nos referimos a pessoas que por variadíssimos atropelos chegam ao poder, na muleta de um partido, causa-nos uma enorme dúvida sobre os motivos de tal infiltração e progressão, vá lá saber-se por que trilhos, nos cargos políticos.

Mais, esta minha admiração torna-se mais intensa, quando me refiro a políticos que se dizem de esquerda, a que muitos rotulam de esquerda radical.

Um cidadão que ingressando no antro partidário, subindo de funcionário a deputado, vestindo a capa de um revolucionário portador de cartazes com slogan do tipo «ninguém fica para trás», ou «vamos à Luta!», mas que na prática espezinha todos os que à sua frente o confrontam com ideias e práticas distintas, coloca em causa os motivos de terem progredido na carreia política.

E mais grave, quando a conduta desse deputado o leva a tentar punir severamente camaradas do mesmo partido, que lhe façam frente e coloquem o seu poder em risco.

O deputado eleito pelo BE no distrito de Leiria, nas legislativas de 2019, é um dos exemplos mais macabros desse tipo de político, portador de uma roupagem camuflada que cobre um pensamento arcaico e remoto a um outro regime, desfilando no parlamento com uma carga política colocando em causa quem o elegeu, nomeadamente os eleitores de Alcobaça.

Mais de dois mil e duzentos cidadãos de Alcobaça votaram nesse deputado, jovem e desconhecido na generalidade dos eleitores. A maioria dos votantes decidiram em consciência e conotados com a projeção do BE a nível nacional, porventura apegando-se mais aos aderentes do partido que vivem em alcobaça do que a um candidato que nunca o viram nem mais magro nem mais gordo.

Em 2011, nas eleições intercalares, em que o Bloco apenas elegeu 8 deputados, o círculo eleitoral de Leiria não elegeu qualquer deputado.

Nas legislativas seguintes, em 2015, porque o partido cresceu, e aumentou o seu número de deputados para 19, elegeu um deputado por Leiria, e em 2019, repetiu.

A eleição do deputado pelo círculo de Leiria não foi causa direta da confiança e conhecimento do deputado, mas do partido a nível nacional.

Esse deputado, jovem e como que estagiário nos corredores do parlamento, teve o desplante de, acumulando o cargo de líder da coordenadora distrital de Leiria, como que um juiz num processo sumário, sem qualquer tipo de prova e direito ao contraditório, sentenciou, num plenário do núcleo de aderentes de Alcobaça, a aplicação de uma perda de legitimidade e quebra de confiança política em três camaradas.

Estamos no século XXI, o partido já é maior em idade e em número de deputados, e parece estarmos no final do século XIX.

Ricardo Vicente, portador de uma mensagem na torre da estupidez política e democrática teve o desplante de, sem dó nem piedade, ter espetado nas costas de três camaradas, uma punhalada sem direito de defesa, eivado de uma raiva estonteante e sem qualquer fundamento.

Por incrível que pareça, poucos dias depois, um outro deputado é denunciado pela prática de um crime de violência doméstica, e talvez por ser deputado, mantém-se a legitimidade e a confiança política.

Os eleitores de Alcobaça que votaram BE é que têm legitimidade para retirar a legitimidade e quebrar a confiança política no deputado que elegeram. Não elegeram um deputado para fazer juízos de valor sobre cidadãos que sempre deram a cara pelo partido neste concelho.

Adelino Granja
Aderente do Bloco de Esquerda

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