Edição: 249

Diretor: Mário Lopes

Data: 2021/8/2

Unidade do Centro Hospitalar de Leiria celebrou o primeiro aniversário

Unidade de Hospitalização Domiciliária tratou mais de 300 doentes em casa em apenas um ano

Sessão comemorativa do 1º aniversário da Unidade Domiciliária

«Num ano, tratarmos mais de 300 doentes em sua casa, como se estivessem no nosso hospital, nos nossos internamentos, é obra! E eu estou muito satisfeito, e cumpre-me naturalmente dar os parabéns à Dra. Amália e a toda a equipa. Espero que os próximos aniversários sejam sempre a somar, e a curto prazo transformemos esta Unidade de Hospitalização Domiciliária no futuro serviço de Hospitalização Domiciliária [UHD]» enalteceu Licínio de Carvalho, presidente do Conselho de Administração (CA) do Centro Hospitalar de Leiria (CHL), na cerimónia de celebração do primeiro aniversário da UHD, realizada no dia 7 de junho, no auditório do Hospital de Santo André, em Leiria.

«Hoje celebra-se o primeiro aniversário desta Unidade, já percebemos que será o primeiro de muitos anos de existência e de trabalho deste serviço. Assim mantenha esta Unidade o crescimento, a eficiência, a atividade, a prestação do bom serviço que tem feito e deve ser naturalmente estimulado e a continuar a dar», salientou Licínio de Carvalho. «Hoje cumpre-se aqui mostrar, transparecer o que foi feito, a bem da nossa população, com recursos que estiveram e vão continuar a estar à disposição da Unidade de Hospitalização Domiciliária. Espero que este exercício de prestação de contas, de cidadania madura, de gestão hospitalar perdure e se multiplique por outras iniciativas, por outros serviços».

A terminar, o presidente do CA deixou o desafio: «espero que [a UHD] continue a ganhar capacidade de gestão, de eficiência, de prestação de serviços para que também possamos admitir a hipótese de ver aqui uma oportunidade para diferenciar a gestão desta Unidade, através de um Centro de Responsabilidade Integrada ou de outra forma que nos permita aliar uma boa governação clínica a uma boa gestão destes recursos e desta Unidade».

Amália Pereira, médica internista e coordenadora da UHD, falou brevemente de como nasceu a Unidade. Agradeceu aos doentes e cuidadores, «que são o nosso foco», bem como a todos os que ajudaram em todo o processo da constituição da UHD, a todos os elementos facilitadores e «a todos os que têm estado connosco no nosso caminho».

A médica internista da UHD, Sónia Santos, apresentou os factos e números do primeiro ano de atividade da Unidade. O primeiro doente da UHD do CHL foi admitido a 5 de junho de 2020. «No início andámos à procura de doentes, mas agora já é diferente». A UHD iniciou-se com capacidade para cinco camas, e em março deste ano, passou para dez camas. De junho de 2020 a abril de 2021 a UHD tratou 295 doentes, dos quais 63 com Covid-19, e com uma média de idade de 68 anos, tendo uma taxa de ocupação de 97,25%, sendo os doentes referenciados maioritariamente pela Urgência, Medicina, Cardiologia, Pneumologia e Consulta Externa. Os doentes são oriundos sobretudo de Leiria, da Marinha Grande e de Ourém.

A UHD realizou 2.715 visitas, das quais 1.259 visitas de médico e enfermeiro, e 1.456 visitas de enfermeiro, com um tempo médio de visita de 32 minutos, e foram percorridos 45.622 Kms. Nas visitas as equipas tiveram a possibilidade de melhorar a terapêutica dos doentes, fazer reabilitação, e dar alguns ensinamentos a cuidadores e/ou familiares, que se sentiram mais apoiados. 80% dos doentes registaram doença infeciosa, e foram referenciados 424 doentes, tendo sido admitidos 54,72%.

«Os motivos da não admissão prendem-se com a geografia dos doentes, não terem um diagnóstico definido, a falta de vagas, razões sociais ou a recusa do doente ou do cuidador, por se sentir mais protegido dentro do hospital», destacou Sónia Santos.

Ao longo do primeiro ano foram realizados 13 reinternamentos a 30 dias, por incapacidade do cuidador ou por agravamento do estado de saúde com necessidade de maior vigilância, e foram registados cinco óbitos, dos quais dois doentes com Covid-19. Realizaram-se 217 consultas, sendo 204 primeiras consultas e 13 consultas subsequentes.

De acordo com os questionários feitos aos doentes e cuidadores após a alta, 88% dos inquiridos revelaram estar muito satisfeitos e 78% recomendariam os serviços da UHD. Quanto ao futuro, Sónia Santos elencou alguns objetivos: o alargamento da capacidade da UHD para 15 camas, a criação de um segundo polo no Hospital de Alcobaça Bernardino Lopes de Oliveira, a concretização de protocolos com as ERPI (Estrutura Residencial para Pessoas Idosas) e ACES, a certificação pelo modelo ACSA, a possibilidade de telemonitorização e sistema de georreferenciação, e a melhoria das condições para a reabilitação ao domicílio.

A sessão prosseguiu com as palavras de Rui Marques, enfermeiro da UHD do Centro Hospitalar do Médio Tejo, sobre o processo de certificação da sua Unidade, criada em dezembro de 2018. O profissional de enfermagem explicou os vários passos para a certificação da UHD, realizada em articulação com a Gestão da Qualidade, desde a formação, o levantamento de necessidades, expectativas, recursos, objetivos, ações de sensibilização interna, até à operacionalização do processo, com a produção de documentos, registos, monitorização e medição, bem como as auditorias internas e externas.

A coordenadora da UHD do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, Olga Gonçalves, dedicou o seu discurso à expansão do internamento em casa. Revelando-se como Unidade que “apadrinha” a UHD do CHL, Olga Gonçalves realçou a importância da expansão, que permite a integração de mais doentes, o registo de um índice elevado de satisfação e a gestão de camas hospitalares, para evitar a sobrelotação. A médica mostrou o papel relevante das equipas, das instituições e da tutela, sublinhou a importância da formação, do diálogo permanente com os decisores, bem como da avaliação periódica de cada fase de trabalho.

Delfim Rodrigues, coordenador nacional do Programa da Hospitalização Domiciliária, tomou da palavra via online e salientou a subida de eficiência que a UHD do CHL registou nos primeiros quatro meses de 2021, passando de 25,88% com que fechou 2020, para 60%, acima das outras unidades nacionais.

O coordenador nacional recordou o início da Hospitalização Domiciliária, tendo a primeira Unidade nascido no Hospital Garcia de Orta em 2015, e em janeiro de 2021, já são 24 as unidades a nível nacional. «Tem sido um percurso notável!» exultou Delfim Rodrigues, que terminou com uma reflexão feita pelo Presidente da República sobre a Hospitalização Domiciliária, que permitiu a inversão da soberania na direção do doente, em detrimento da soberania dos profissionais de saúde, com uma exemplar postura técnica, humana, com poder de comunicação e elevada capacidade de poder para outros cidadãos e comunidade em geral.

A cerimónia seguiu com a celebração de um protocolo assinado pelo presidente do CA do CHL, Licínio de Carvalho, e pelo administrador da AutoMecânica da Confraria, Jaime Gaspar dos Santos, para a entrega de uma nova viatura à UDH do centro hospitalar. O presidente do CA deu uma palavra de reconhecimento da disponibilidade do senhor Jaime dos Santos, com a entrega da viatura à UHD. «É muito bom conhecer e experimentar a responsabilidade social que muitas empresas, de facto, praticam aqui na nossa região, e nos últimos meses e no último ano tivemos muitas manifestações dessa natureza.»

No final da sessão, Rosa Reis Marques, presidente do Conselho Diretivo da Administração Regional de Saúde do Centro, inaugurou uma exposição de fotografias da UHD, patente na entrada exterior do HSA, e foi entregue a chave da nova viatura da UHD. Um grupo de músicos com concertinas e acordeões acompanhou o corte do bolo de aniversário da Unidade.

    Fonte: Midlandcom

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