Edição: 251

Diretor: Mário Lopes

Data: 2021/10/27

De 5 a 17 de outubro

Cartaxo, Minde e Alcanena recebem 11ª edição do Festival Materiais Diversos

“Sons Mentirosos Misteriosos”, de Sofia Dias & Vítor Roriz

O Festival Materiais Diversos regressa em 2021, depois de celebrar 10 anos de existência, em 2019, focando-se na desaceleração, inscrição, pluralidade e acessibilidade, procurando colocar no centro as pessoas e as relações. O lema “Repara, cuida e partilha” dá início a um novo ciclo, em que o festival se volta para o encontro e a reflexão de ideias e pensamentos e põe em primeiro lugar as conversas e a caminhada como espaços de partilha, em relação com as artes performativas. Nesta edição, que decorre entre 5 e 17 de outubro, Cartaxo, Minde e Alcanena recebem 12 conversas, 7 espetáculos nacionais e 2 internacionais, 4 em estreia e 1 em antestreia.

A apresentação do festival decorreu no dia 24 de agosto, via Zoom. A diretora artística do festival, Elisabete Paiva, referiu que a edição 2021 do festival “é uma edição que marca um novo ciclo do festival”, devido à necessidade de transformar a organização, olhando à realidade nacional e internacional e experimentar um novo formato com uma programação diferente dos outros anos, onde impera uma relação de proximidade entre os artistas e a comunidade, nomeadamente associações locais e escolas.

Segundo Elisabete Paiva, “a pandemia veio reforçar a nossa leitura e a necessidade que o festival fosse por outros caminhos, de desacelerar “ tornando-se bienal, mas que continue “a afirmar-se como um espaço de criação”. Para a diretora artística, esta forma de pensar o festival, “permite que a comunidade esteja mais vezes com os artistas” e isso “é muito importante para ambas as partes”, já que o artista, além de artista, passa a assumir outros papéis na comunidade, como por exemplo o de formador ou orador, dado que passa um período maior na região.

O festival fomenta a proximidade e agita as formas de pensar, trazendo ideias e experiências para o centro. A programação conta com um ciclo de 12 conversas como forma de interpelar e tornar visíveis assuntos presentes no programa da Materiais Diversos dos últimos dois anos.

O festival começa no dia 5 de outubro com “Que paisagens pode um festival criar?”, para discutir o desenvolvimento deste festival e de outras atividades fora dos grandes centros urbanos. A conversa surge do livro “Paisagens Imprevistas – Outros lugares para as artes performativas” e conta com a participação de Tiago Bartolomeu Costa e Cátia Terrinca.

Na conversa “Na Prática: que escola é esta?”, lança-se o website da escola e partilha-se reflexões sobre as premissas deste projeto coorganizado com o CET — Centro de Estudos de Teatro, com Elisabete Paiva, Rui Pina Coelho e Vânia Rovisco.

“Como comunicamos quando queremos falar de cultura?” é a questão lançada por um grupo de profissionais de comunicação cultural que propõe discutir as formas de disseminar as atividades culturais. A sessão é inspirada na Long Table, da artista Lois Weaver, pelo que quaisquer pessoas interessadas são convidadas a sentarem-se para partilhar as suas ideias. Este modelo será alargado às várias sessões de conversa, procurando incentivar a participação sem hierarquias.

As inquietações, os medos, as vontades e os sonhos para um futuro melhor, as questões ecológicas e as responsabilidades da humanidade são o mote para três conversas com a participação de jovens de diferentes contextos: “Que futuros tenho eu aqui?”, “E depois do Paraíso?” e “Outra cidadania é possível?”.

O Festival Materiais Diversos conta também com participações internacionais, como é o caso de Marcelo Evelin que apresenta “Filme”, em colaboração com Fernanda Silva e Danilo Carvalho. Por sua vez Alina Folini estreia o espetáculo de dança “Ruído Rosa”, onde propõe uma experiência corporal de tensão entre pólos não opostos, onde os sentidos não são binários, para observar as várias formas de colaboração, dissociação e ressonância entre oralidade, som e movimento.

Por sua vez “Caminhantes”, é uma jornada em espaço aberto que mobiliza um grupo de pessoas convidadas das áreas da criação, da programação e da produção, para uma experiência imersiva. A caminhada é um projeto da artista chilena Carolina Cifras, investigadora, criadora e docente e conta com a colaboração de Ana Trincão.

Para além de “Ruído Rosa”, esta edição conta com mais quatro estreias e uma antestreia. Bruno Caracol traz “Subterrâneo”, uma instalação que parte do conto “Fragment d’histoire future”, de Gabriel Tarde, que contrasta com a história da espeleologia e bio-espeleologia da Serra d’Aire.

O parque junto ao Centro de Convívio do Cartaxo, recebe a ação “Paraíso Bruto”, já a Galeria José Tagarro, no Cartaxo, acolhe a estreia de “Palmira”, uma peça de teatro com música ao vivo, de Anabela Almeida e Sara Duarte, onde duas mulheres questionam o que é ser homem e ser mulher.

“O Estado do Mundo (Quando Acordas)”, criação de Inês Barahona e Miguel Fragata, da companhia Formiga Atómica, é o primeiro espetáculo de um díptico que se destina a pensar o estado natural, político, geográfico, social, histórico, económico e humano do mundo.

O Festival termina dia 17 de Outubro com um Piquenique Comunitário, no Polje de Minde, seguindo-se às 18h30, no Coreto de Minde o espectáculo musical de Surma.

De 5 a 17 de Outubro, Cartaxo, Minde e Alcanena recebem 26 atividades e cerca 50 artistas e participantes – 12 conversas, 7 espetáculos nacionais e 2 internacionais, 4 em estreia e 1 em antestreia. As iniciativas decorrem presencialmente e serão depois disponibilizadas on-line.

Mais informações em www.materiaisdiversos.com

Mónica Alexandre com Materiais Diversos

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