Edição: 251

Diretor: Mário Lopes

Data: 2021/10/26

Termalismo, Emprego e Economia local e Mobilidade foram os temas

7 candidatos participaram no debate eleitoral para a Câmara Municipal das Caldas da Rainha

Debate autárquico nas Caldas da Rainha (Foto: Joana Costa – GC)

Termalismo, Emprego e Economia local e Mobilidade foram os temas escolhidos pelo jornal Gazeta das Caldas, que organizou o debate entre os sete candidatos que concorrem à Câmara Municipal das Caldas da Rainha, que se realizou no dia 16 de Setembro, no grande auditório do Centro Cultural de Caldas da Rainha. Edmundo Carvalho (Chega), Tinta Ferreira (PSD), Vítor Marques (Movimento Vamos Mudar), Paulo Pessoa de Carvalho (coligação Caldas Mais Rainha – CDS-PP, MPT, PPM e Nós Cidadãos), Carlos Ubaldo (BE), António Barros (CDU) e Luís Miguel Patacho (PS), apresentaram ideias, trocaram críticas e no final foram desafiados a pensar Caldas da Rainha em 2030. O debate foi moderado pelo diretor-adjunto da Gazeta, Joaquim Paulo.

O Termalismo foi o tema que abriu o debate com o candidato do Movimento Vamos Mudar a defender a exploração do hospital termal por um privado que alie a vertente termal à turística. Vítor Marques afirmou que o termalismo “é algo que nos caracteriza desde a nossa génese”, pelo que “temos que consolidar o termalismo como peça fundamental para a cidade”, defendendo “uma construção célere do novo balneário termal” que permita a “ligação ao hospital termal através do novo balneário e depois deste para ser utilizado pelo turismo em spa e bem-estar”. Para o candidato independente, é preciso uma aposta também na “componente hoteleira para dar resposta a esse turismo”.

Por sua vez, Paulo Pessoa de Carvalho da coligação Caldas Mais Rainha, considerou que “mais que ter um investidor há aqui um conceito mais importante, o caudal de atendimento é insuficiente”, pelo que é essencial “ter um investidor que permita os tratamento e também o turismo, tudo isso gera riqueza”. O candidato lembra que “esta é uma ideia que não é inédita, mas que é competente e capaz” e que “a dinâmica de gestão pode começar a dar um caudal de resposta alargado, e o serviço público pode vir a ser competente” e assim teremos “um hospital que sirva as Caldas, o concelho e que possa dar riqueza em todas as vertentes”.

Já Luís Miguel Patacho (PS) iniciou a sua intervenção ao ataque afirmando que “esta versão PSD é uma versão minimalista das termas. As Caldas é uma cidade termal e eu quero fazer das Caldas uma cidade termal a sério. O que foi feito agora é minimalista”. O socialista afirmou que “nós queremos uma versão a sério. Com um balneário novo, que responda à vertente clínica, mas fazer do termalismo uma alavanca local”, incluindo “o termalismo na área do ensino superior”. Para o PS, a saúde, o termalismo e bem-estar são prioridades para o concelho.

Por sua vez Edmundo Carvalho (Chega), afirmou que “o termalismo é um bem essencial para as Caldas” e pode ser uma “mola para alavancar o turismo, restauração e comércio local”. Segundo o candidato, “é imprescindível fazer um novo balneário com um projeto que pense no turismo e no desenvolvimento económico através do comércio local”, alertando que “já perdemos muito tempo. Há um prazo de 5 anos para fazermos um novo balneário”, que termina em 2023.

Tinta Ferreira (PSD) lembrou que “esta visão, em que somos acusados de ser minimalistas, foi tomada em Assembleia Municipal. Tivemos uma discussão muito acesa e aprovámos os temas dos vários acordos” e “foi muito difícil a negociação com o Estado”, que encerrou as termas em 2013, pelo que foi necessário “pôr os pés ao caminho” e resolver alguns problemas como “o problema da água, cujo custo foi de 800 mil euros para substituir condutas”. Atualmente, “o município está a trabalhar na recuperação do património e, “no fim do próximo mandato, teremos umas termas”, garantiu.

Já Carlos Ubaldo (BE) considerou que a gestão do Hospital Termal “não tem funcionado como devia”, acrescentando que “o termalismo medicinal está ultrapassado e as exigências dos consumidores são outras”, sendo que hoje “o consumidor é mais exigente e informado e é preciso associar a resposta ao consumidor”. Para o bloquista, “as preocupações ecológicas e a defesa da sustentabilidade ambiental são fundamentais” numa “cidade que quer ser uma referência termal” porque “termalismo não é só água, é preciso pensar a cidade duma forma mais verde e sustentável do ponto de vista ecológico”.

A finalizar o tema, António Barros (CDU) afirmou que “a Câmara Municipal não tem competência nem capacidade para gerir um hospital termal”, adiantando que a CDU pretende que “as termas tenham uma gestão integrada no Serviço Nacional de Saúde que “só assim irá responder aquilo que foi o objecto de nascença do hospital nesta cidade”. Ao contrário de outros candidatos, António Barros considera que “o hospital não existe para gerar riqueza, a riqueza pode ser gerada à volta”.

Iniciando a sua intervenção sobre Emprego e economia local, Luís Miguel Patacho (PS) lembrou que a economia local é o 2 eixo programa eleitoral do partido e que “atualmente as autarquias devem ter como um dos principais desígnios o apoio à economia local”. O socialista considerou que para fixar empresários no concelho “é preciso uma diversificação do nosso tecido económico. Quanto mais diversificado, mais riqueza criamos”. Luís Patacho apresentou como ideias para dinamizar a economia a criação de um pacote de desburocratização, uma incubadora ou aceleradora de empresas, a reformulação da Praça da Fruta ou a criação de um gabinete de planeamento, entre outras.

Relativamente ao Emprego e Economia local, Tinta Ferreira (PSD), lembrou que Caldas da Rainha é um “concelho de comércio e serviços. Temos que dar impulso e promover outras áreas do setor primário e industrial”. Para o autarca social-democrata, “a política da atratividade tem que continuar bem como diversificar a política industrial”, sendo essencial a “transformação da zona industrial numa área empresarial”, bem como “implementar pequenas zonas industriais que esbatam também a desertificação das nossas aldeias”, sendo ainda essencial a “valorização da nossa economia primária”, por exemplo, através da Feira dos Frutos.

Por sua vez, António Barros CDU, afirmou que “a actual zona industrial não responde às necessidades nem do concelho nem dos empresários, tem de se criar condições” acrescentando que “Salir de Matos e São Gregório são locais onde deveriam ser desenvolvidas zonas industriais”. Por outro lado, devem haver incentivos ao comércio tradicional, criando “uma nova dinâmica nas freguesias” e a “revisão do PDM também tem que ser feita”. O candidato questionou ainda sobre o saneamento e a sua implementação nas freguesias.

Carlos Ubaldo (BE) afirmou que “quando se fala de economia deve-se falar de uma nova economia. A questão dos transportes e da vitalidade dos mesmos é fundamental, a ferrovia é fundamental. Estruturar as ligações quer inter quer intra municipais”. Para o candidato do Bloco de Esquerda, “Caldas tem que ser uma cidade de serviços em áreas onde a aposta foi pouca” como por exemplo a agricultura sustentável.

Já Vítor Marques (Movimento Vamos Mudar) considera ser essencial “reformar os gabinetes de apoio ao empresário e emprego no concelho” bem como garantir “melhores acessibilidades para as zonas industriais”. Vítor Marques aponta como medidas para melhorar o emprego e a economia local o apoio à mão-de-obra especializada, uma ligação estreita com IEFP, a criação de um concelho estratégico empresarial, a implementação de um pólo tecnológico no concelho, a dinamização de actividades culturais com as forças do concelho, a promoção das marcas fortes ou a melhoria das condições Praça da Fruta e Peixe.

Por seu turno, Paulo Pessoa de Carvalho (Caldas Mais Rainha) afirmou que “se não conseguirmos ter emprego não temos um concelho rico”, pelo que é preciso “ajudar na identificação do perfil do empresário e no acompanhamento dos projectos” bem como a “requalificação da zona industrial” e a criação de “mais benefícios fiscais”, além de “acordos com estabelecimentos de ensino na formação profissional”. Para o candidato, “a diversidade é o que torna o nosso concelho mais rico”.

A finalizar, Edmundo Carvalho (Chega) referiu que “visão estratégica e planeamento estratégico não há e nunca houve”. Para o candidato, é prioritário “finalizar o PDM. É urgente definir as regras de utilização do solo. Depois é que se pode fazer um planeamento territorial estratégico, depois um plano de desenvolvimento de negócios”, porque “só captando emprego e serviços é que é possível criar riqueza”.

Iniciando o terceiro e último tema, Mobilidade, Tinta Ferreira (PSD) relembrou o trabalho feito ao nível do rebaixamento de passeios, espaços para invisuais. Para o atual presidente e candidato “é fundamental que o concurso de reabilitação da Linha do Oeste seja posto em prático. É necessário dar continuação à requalificação da Linha do Oeste para Norte”, sendo que a sua candidatura tem previsto obras na Rua da Estação, com alargamento da rua e estacionamento.

Edmundo Carvalho (Chega) iniciou a sua intervenção salientando que é necessário fazer “uma reorganização do estacionamento”, porque segundo o candidato “Nossa Senhora do Pópulo até está razoavelmente servida, mas por exemplo Santo Onofre não tem”. Edmundo Carvalho acusa Tinta Ferreira de “não ter feito nada nas entradas da cidade”, afirmando que “a entrada sul é uma coisa horrorosa”. O candidato do Chega lembra ainda a necessidade uma nova ligação a Santa Catarina e até à Benedita, concelho de Alcobaça e finaliza ressalvando que “a Linha do Oeste é fundamental, alargar também a Norte. Não vale a pena termos uma linha se não tivermos comboios. Nós temos que ter um serviço que possa concorrer com os serviços da Rodoviária”.

Já Luís Miguel Patacho (PS) lembrou que “a mobilidade remete à economia e às questões ambientais” e “não pode ser vista de forma fechada”. Para o socialista, é fundamental “fazer o reordenamento dos transportes públicos” com a “ligação do TOMA a Óbidos”, bem como preparar “um plano logístico urbano e sustentável, criar uma plataforma logística para cargas e descargas, regular o estacionamento na cidade” e “a requalificação da Linha do Oeste a Norte e a Lisboa é fundamental por questão ambiental e económica”.

Por seu turno Carlos Ubaldo (BE) afirmou que “Caldas da Rainha necessita de um plano urbano de mobilidade sustentável com corredores verdes entre os bairros”, com “transporte público acessível”. O candidato do Bloco de Esquerda salientou que “a ferrovia é uma aposta que importa registar”, adiantando que “a ligação a Sul foi uma causa perdida, vamos pensar como será de Caldas para Norte”, ressalvando que deveria existir “uma duplicação da linha para Norte”.

Já António Barros (CDU) lembrou que “há mais de 20 anos que somos defensores da requalificação e electrificação da Linha do Oeste e que deve ser feita a ligação com a Linha do Norte” e afirmou que a CDU quer “ uma requalificação que seja compensatória com carruagens e horários em condições, que sejam compatíveis com estudantes e trabalhadores” e que “as obras na linha estão na estaca zero há meses”. Para o candidato, “a mobilidade passa por o TOMA fazer uma extensão às freguesias rurais” e que “o trânsito seja controlado na cidade” uma “promessa do PSD nunca cumprida”.

Paulo Pessoa de Carvalho (Caldas Mais Rainha) admitiu que “a Linha do Oeste é uma realidade, as coisas estão definidas e espero que para Norte ainda vamos a tempo de intervir”, ressalvando que “a requalificação da linha pode reduzir apenas em 9 minutos o tempo de viagem para Lisboa, mas podemos ter outras condições que permitam os utentes aproveitar a viagem para trabalhar”. O candidato lembra ainda em termos de mobilidade a criação de ciclovia entre Caldas e o Paul da Tornada, a reprogramação do transporte colectivo, o rearranjo das entradas da cidade, a melhoria das redes viárias para o interior do concelho e uma nova ligação para Santa Catarina.

A finalizar, Vítor Marques (Movimento Vamos Mudar) também considerou essencial a requalificação da Linha do Oeste e acrescentou como medidas importantes em termos de mobilidade a ampliação “da rede do TOMA a algumas freguesias e à zona industrial”, a  melhoria da ligação a Santa Catarina, sugerindo que “se não é possível um traçado novo, há que melhorar o actual em alguns pontos”, redimensionar os transportes rodoviários para as freguesias ou criar bolsas de estacionamento na cidade.

Desafiados a pensar Caldas em 2030, Paulo Pessoa de Carvalho previu que Caldas da Rainha seja “uma das melhores 10 cidades de Portugal para se viver”, Vítor Marques referiu que queria “uma cidade termal na sua plenitude, mais pessoas a viver nas Caldas, que os nossos comboios cheguem e façam riqueza. Uma cidade cheia de energia, cheia de força”. Tinta Ferreira espera que em 2030 Caldas da Rainha seja “um concelho com mais qualidade de vida e ambientalmente sustentável, onde haja gosto de viver e com os problemas sociais combatidos”.

Edmundo Carvalho explicou que Caldas da Rainha 2030 seria “uma cidade próspera, com emprego, como uma referência nas termas, com uma política social que resolva problemas e boas condições para a saúde para os caldenses.” Já António Barros afirmou que “em 2030 gostávamos que o PS e o PSD não dissessem uma coisa nas Caldas e votassem outra na Assembleia da República”.

Por outro lado, Carlos Ubaldo queria que em “2030 não acontecesse falta de visão estratégica” e que Caldas da Rainha fosse “uma cidade capaz de se afirmar para o futuro, com sustentabilidade, com a questão da água como direito fundamental.

Por fim, Luís Patacho desejou que em “2030 Caldas da Rainha seja uma cidade e um concelho termal, com mais qualidade de vida e com emprego que pudesse reter os nossos jovens qualificados”. O socialista pede mudança, afirmando que “as Caldas estão estagnadas há mais de 35 anos de executivos PSD, por causa da ausência de um plano de estratégia para o desenvolvimento do concelho”.

Mónica Alexandre

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