Edição: 251

Diretor: Mário Lopes

Data: 2021/10/26

Candidata do PSD aceitou convite da Concelhia para fazer diferente

Fátima Duarte quer reduzir número de vereadores com pelouros na Câmara da Nazaré para reduzir despesas

Fátima Duarte

Fátima Duarte apresenta-se como candidata do PSD à Câmara Municipal da Nazaré. A presidente da Concelhia do PSD, que já foi vereadora e atualmente é deputada municipal, aceitou ser candidata porque pode “fazer algo de diferente na Nazaré. Tenho uma postura política diferente do que é habitual, muitas pessoas acusam-me por isso mesmo de não ser política, mas gosto de políticas de proximidade, de estar junto das pessoas, trabalhar para as pessoas”. Como principais problemas e prioridades, Fátima Duarte destaca a resolução da dívida, a requalificação do Mercado Municipal, o reordenamento de trânsito e a necessidade de dinamizar a cultura nazarena.

Tinta Fresca – O que a leva a apresentar-se como candidata pelo PSD à Câmara Municipal da Nazaré?
Fátima Duarte –
Aceitei o convite da concelhia porque acho que posso fazer algo de diferente na Nazaré. Tenho uma postura política diferente do que é habitual, muitas pessoas acusam-me por isso mesmo de não ser política, mas gosto de políticas de proximidade, de estar junto das pessoas, trabalhar para as pessoas. Atualmente na Nazaré considero que faz falta alguém assim para refrescar o mundo político, e nomeadamente, a política local.

Tinta Fresca Quem são as pessoas que constituem a sua equipa?
Fátima Duarte –
Rodeei-me de pessoas de diferentes áreas e com muita motivação. O número dois é o Paulo Reis, engenheiro, com ideias inovadoras para a Nazaré, nomeadamente a nível ambiental. Como número três, Carla Medeiros, professora, com muitas competências a nível da educação. O número quatro é o Edmundo Eustáquio (Zé Paleco), que foi escolhido pela sua experiência política como presidente de junta da Nazaré durante muitos anos, e que será essencial na questão da proximidade com as pessoas. Como número cinco, o Filipe Jordão, formado na área da Saúde e é o representante do Valado dos Frades na minha equipa. Como número seis o Abílio Santiago, que já foi presidente da Confraria da Nazaré e dos Serviços Municipalizados. Em número sete a Natacha Estrelinha, professora e actualmente funcionária da Doca Pesca, e que será uma mais-valia ao nível das políticas culturais.

Tinta FrescaA dívida do município tem sido um problema. Como pensa o PSD resolvê-la e continuar a investir no concelho?
Fátima Duarte –
Para reduzir o impacto do serviço da dívida, prioritariamente e de início terá que ser feito um levantamento real da situação financeira da Câmara, depois fazer escolhas a nível das despesas. Há despesas muito avultadas, que ou seriam evitadas ou poderiam ser diminuídas, como por exemplo a aposta de artistas nazarenos nos eventos, colocar um teto nas ajudas de custo para não se exagerar, uma vez que tudo junto faz um bolo muito grande. Fazer uma análise das despesas que estão e que não são necessárias e que se podem evitar ou diminuir.

Relativamente ao investimento, temos s incentivos comunitários, vem aí a “bazuca”, esperemos que o nosso primeiro-ministro seja uma pessoa justa e que não vá escolher câmaras socialistas para entregar mais facilmente esses incentivos. Atualmente é o que parece. Se assim for, nós estaremos cá para lutar.

Diminuindo a despesa e recorrendo a apoios comunitários, bem como por exemplo aos valores que o município recebe das contra-ordenações de estacionamento, parquímetros e outras receitas que podem ser optimizadas e colocadas onde são precisas, é possível reduzir dívida e investir no concelho.

Com rigor, muito rigor nas contas da Câmara e uma transparência total conseguimos minimizar estes efeitos da dívida. Até agora tem faltado rigor e transparência. Se formos reparar nas despesas que cada vereador recebe, achando que é um exagero que cinco vereadores estejam a tempo inteiro, todo o dinheiro mensal que recebem, deve ser exposto para que todos os nazarenos saibam quanto é, uma vez que é dinheiro do erário público.

Tinta Fresca – Quais são os principais problemas do concelho neste momento?
Fátima Duarte –
A dívida. Enquanto não se atacar, não se baixar efectivamente a dívida, porque este executivo quando entrou no primeiro mandato, encontrou a Câmara sem dúvida com uma dívida brutal. Na altura 39 milhões era o valor conhecido, mas depois apareceram 4 milhões de euros que estavam escondidos. Eu se fosse presidente de Câmara teria enviado esse processo para o tribunal, porque é algo que merece ser averiguado.

Em 31 de dezembro de 2014 a dívida era de 40,339,917,23 euros, houve uma diminuição da dívida, que se deve às receitas extraordinárias (impostos, venda de património e fundos comunitários), no valor de 11 milhões e novecentos mil euros. Com esta diferença a dívida atualmente a dívida devia de estar nos 28 milhões e 439 mil euros e não está, está em quase 33 milhões de euros. A nossa prioridade será atacar verdadeiramente, seriamente e com rigor a dívida, porque só assim se consegue baixar os impostos, baixar as taxas, as tarifas e atrair mais empresas e não sufocar tanto os empresários e comerciantes locais com despesas.

Depois o Mercado Municipal. O nosso mercado está obsoleto, tem amianto, necessita urgentemente de uma intervenção. De seguida, o ordenamento do trânsito também é uma prioridade. Atualmente o trânsito na Nazaré está um caos. Este verão foi caótico, com obras e com a transformação da avenida Vieira Guimarães numa ruazinha e que trouxe todo o trânsito para a Rua Sub-Vila e a subir a Rua da Paz, foi um caos. Tem que haver um reordenamento muito grande, com o arranjo da Avenida do Município, porque só por aí é que conseguimos fazer um fluxo de trânsito que não vá sufocar e congestionar aqui o centro.

Depois outro problema é o estacionamento. O estacionamento também é muito importante, mas temos que ter em conta que só temos dificuldade de estacionamento um a dois meses por ano, o resto do ano existe estacionamento suficiente. O PSD propõe, no atual parque de estacionamento subterrâneo que já temos, reforçar a estrutura do parque e criar mais dois pisos de estacionamento, e construir estacionamento periférico mas que tenha transporte para o centro da vila.

Outro problema e que tem que ter uma resolução prioritária é a rede de distribuição de água e de saneamento. No concelho ainda temos algumas zonas que não têm saneamento e em relação à rede de água, os problemas na distribuição e com ruturas são constantes.

Tinta FrescaA Nazaré vive muito da sazonalidade. Como pode o município ajudar a combater este problema?
Fátima Duarte – Uma forma que o município tem de ajudar neste sentido é com a realização de eventos e iniciativas que tragam pessoas à Nazaré durante o ano inteiro. As ondas tiveram esse papel, a pandemia veio colocar a nu a fragilidade de um concelho que vive do turismo.

Nós acreditamos que o concelho da Nazaré tem uma cultura muito rica. As pessoas adoram e é única. Se apostarmos em dinamizar essa cultura durante o ano, com festivais de teatro, folclore, espectáculos com os nossos artistas, com a nossa identidade que chama muitos turistas ao longo do ano, poderemos combater a sazonalidade, quer na vila, quer nas freguesias do concelho.

Tinta Fresca – A fixação de população no concelho também é um problema? Que medidas se podem adotar nesse sentido?
Fátima Duarte –
Uma das dificuldades que as pessoas têm em ficar, além da sazonalidade, é em arranjar casa. Para comprar casa na Nazaré, os preços são muito altos. Para alugar há muito pouco e com preços também bastante altos. As jovens famílias não conseguem ficar por esta questão. O PSD propõe a criação de “casas sociais”, por exemplo em Fanhais, Valado e Famalicão. Casas requalificadas ou construídas pelo município para alugar, com rendas acessíveis, a jovens famílias durante um período de tempo, até que essas famílias possam criar condições para comprar a sua própria habitação.

O município pode dinamizar o desenvolvimento económico, criando mais emprego que permita fixar as famílias no nosso concelho, um gabinete de atração e apoio ao investimento, um centro tecnológico e dar maior apoio à economia local, que é um grande empregador.

Tinta Fresca – Quais os principais projectos ou medidas que esta candidatura apresenta para o concelho?
Fátima Duarte
– No que se refere a Valado dos Frades, é muito importante requalificar a Praça 25 de Abril e criar espaços de lazer que levem mais pessoas à freguesia, criando por exemplo as rotas dos fontanários e locais históricos. Criar um espaço de lazer com piscina em frente ao Centro Social.

Em relação a Famalicão, queremos aproveitar as características selvagens da Serra da Pescaria e criar caminhos pedestres. Construir um espaço de apoio e alojamento a pequenos empresários de prestação de serviços, onde a preços acessíveis pudessem sediar-se e trabalhar.

Na Nazaré, faz falta dinamizar a nossa cultura criando formas de dar vida ao concelho durante períodos menos visitados. Por exemplo, na Pederneira gostaríamos de implementar uma Feira Medieval, que funcionaria como atração. Na ligação entre a vila e a Pederneira fala-se no elevador, é importante, mas também seria interessante colocar passadiços de madeira, com alguns decks a fazer de miradouro.

A nossa ladeira para a Pederneira está péssima, as nossas ruas estão péssimas. A Sub-Vila precisa de uma requalificação a Avenida do Município precisa de uma requalificação. O nosso paredão, a marginal tem buracos enormes, precisa de uma requalificação. Seriam no fundo operações de embelezamento da Nazaré, que é uma terra com características maravilhosas, que lhe voltem a dar aquele esplendor que teve em tempos e que atualmente já não tem.

Perfil da Candidata:

Nome: Maria de Fátima Soares Lourenço Duarte
Idade: 53 anos
Naturalidade: Nazaré
Formação académica: Licenciatura em Ciências Sociais
Atividade profissional: Empresária no ramo da hotelaria

      Mónica Alexandre

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