Edição: 253

Diretor: Mário Lopes

Data: 2021/12/1

Encontro vai revelar os Impactos da Inquisição na Região de Leiria

Leiria recebe Encontro Científico sobre 200 Anos da Extinção do Tribunal do Santo Ofício

Centro histórico de Leiria

O Encontro Científico “1821-2021 – Nos 200 Anos da Extinção do Tribunal do Santo ofício – Impactos da Inquisição na Região de Leiria” realiza-se no CDIL – Igreja da Misericórdia no próximo sábado, 6 de novembro, entre as 14:00 e as 18:00. A entrada é gratuita, por inscrição através do email cdil@cm-leiria.pt, ou do telefone  244839677.

Este evento, de grande qualidade e dimensão científica, conta com a presença de Maria de Fátima Reis – Cátedra de Estudos Sefarditas Alberto Benveniste -Centro de História da Faculdade de Letras de Lisboa – Academia Portuguesa da História, que apresentará o tema “…he preciso que a Nação veja hoje os cárceres da Inquisição”. Um olhar sobre os contextos de fundação e extinção do Tribunal do Santo Ofício em Portugal”.

Saul António Gomes da Universidade de Coimbra, Faculdade de Letras, Centro de história da Sociedade e da Cultura, irá falar sobre “Os Cristãos-Novos de Leiria e a Inquisição”.

José Vieira Leitão, também da Universidade de Coimbra, Faculdade de Letras, Centro de História da Sociedade e Cultura, traz-nos a temática “Bruxos e Bruxas da Região de Leiria”.

Ricardo Pessa de Oliveira, do Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes; Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, vai falar sobre “O Tribunal da Inquisição em Portugal: da Reforma Pombalina à Extinção, em 1821”.

Pelas 17h30 realiza-se um debate sobre os temas abordados.

Enquadramento histórico do evento pelo Professor Doutor Saul António Gomes

 “A extinção do Tribunal da Inquisição em Portugal, determinada por resolução das Cortes Constituintes, de 31 de março de 1821, e promulgada por decreto da Regência de 5 de abril desse ano, pôs fim a um longo período de vida histórica do Tribunal do Santo Ofício, erigido, em Lisboa, no distante ano de 1536.

Instituído a pretexto da defesa da pureza da Fé, os seus ministros e servidores atuaram, ao serviço da Igreja e das políticas do Estado, na extirpação das heresias e no sustento da ortodoxia da Religião Católica, deixando um lastro de perseguições, prisões, penas e condenações à morte das suas imensas vítimas, homens e mulheres, fossem elas cristãos-novos, mouriscos, protestantes, bruxas e feiticeiros, sodomitas, bígamos, falsos profetas e clérigos desviados da ortodoxia eclesiástica, entre tantos outros casos de vida.

Os seus modos de atuação privilegiaram a denúncia e o medo, as fobias antissemitas, o cárcere e a tortura, sequestros de bens e desterros, os autos-da-fé e o relaxamento à fogueira daqueles que os inquisidores sentenciaram como delinquentes e relapsos da Fé.

O leiriense e historiador António José Saraiva caracterizou a Inquisição como «Fábrica de cristãos-novos». Leiria e toda a sua região foram particularmente tocadas pela ação do Santo Ofício, aludindo as fontes históricas aos anos «das grandes prisões» de cristãos-novos, nesta cidade, multiplicando-se, nesses séculos, entre a população maioritária dominante, o número de agentes e de familiares do Santo Ofício, ao mesmo tempo que alguns dos bispos e outros eclesiásticos conventuais desta diocese, se cruzavam nos corredores dos tribunais da Inquisição no exercício do despacho deste tribunal.

O presente encontro científico propõe-se trazer a Leiria um forum de estudo e de reflexão em torno desse passado de extrema violência, precisamente na passagem dos 200 anos após a extinção da Inquisição, num momento em que, na Europa e no Mundo, entre memória e eclipses de utopias de cidadania, ressurgem as batalhas, contra totalitarismos e racismos, em torno dos valores identitários da Liberdade, da Democracia, da Justiça e da Tolerância.”

   Fonte: GRPG|CML

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