Edição: 253

Diretor: Mário Lopes

Data: 2021/12/1

Rui Pedrosa alerta ainda para os constrangimentos orçamentais que a instituição continua a viver

Politécnico de Leiria congratula-se com máximo de estudantes e estabilidade do corpo docente

Rui Pedrosa

«Um dos principais marcos alcançados [nos últimos quatro anos] foi a valorização das nossas pessoas, nomeadamente pelo investimento na estabilidade do corpo docente, e pela criação de uma estratégia única de abertura de concursos. Ao fim destes quatro anos foram e serão abertos, incluindo também o ano de 2022, aproximadamente 150 concursos de professor adjunto, coordenador e coordenador principal», afirmou o presidente do Politécnico de Leiria durante a Sessão Solene de Abertura do Ano Académico 2021/2022, que decorreu esta segunda-feira, dia 9 de novembro, no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria.

Rui Pedrosa enalteceu o ano académico histórico do Politécnico de Leiria, que pela primeira vez na sua história vai ultrapassar os 14 mil estudantes, não esquecendo os constrangimentos orçamentais que a instituição continua a enfrentar.

Na última sessão solene dos quatro anos de mandato enquanto presidente do Politécnico de Leiria, Rui Pedrosa referiu que, no âmbito do investimento realizado na estabilidade do corpo docente, foram também definidas estratégias promotoras de valorização de contratação de docentes a termo certo, bem como reforçado o corpo técnico de suporte, os dirigentes intermédios e os investigadores doutorados.

Álvaro Laborinho Lúcio

Perante uma plateia repleta de estudantes, docentes, investigadores, técnicos e personalidades do distrito, Rui Pedrosa enalteceu o crescimento «muito significativo» do número de estudantes nacionais e internacionais do Politécnico de Leiria, que conta este ano com 5.491 novos estudantes dos diferentes ciclos de estudos, indo superar a barreira dos 14 mil estudantes matriculados, com igual destaque para as mais de 52.500 pessoas que a instituição de ensino superior já formou.

Rui Pedrosa alertou ainda para o «subfinanciamento crónico» do Politécnico de Leiria, que é «inexplicável e insuportável, facto que se agravou nestes dois últimos anos, onde a despesa aumentou significativamente e a receita, particularmente nos Serviços de Ação Social (SAS), diminuiu muito».

«Este ano o Politécnico de Leiria, ao dia de hoje, tem mais 766 estudantes quando comparado com o ano anterior, sendo o sexto ano consecutivo de crescimento. Este número, que vai crescer ao longo do ano, só foi possível com o enorme esforço de todos os professores, investigadores, técnicos e administrativos. Curiosamente, este esforço para atrair e reter talento para a região resultará em mais constrangimentos financeiros, que serão agravados ao vivermos uma parte significativa do próximo ano em duodécimo», sublinhou o presidente.

«Existem instituições do mesmo tamanho que a nossa com mais de 10 milhões de orçamento de Estado quando comparadas com o Politécnico de Leiria. Não é possível continuarmos a viver sem critério e sem uma fórmula de financiamento ao ensino superior. Já transferimos, de forma extraordinária para os SAS, mais de 500 mil euros nos últimos dois anos, de modo a garantir salários. Reportamos mensalmente estes impactos, mas continuamos sem qualquer reposta e sem qualquer reforço orçamental», apontou.

Politécnico de Leiria assume «ousadia» para agarrar «oportunidades únicas» do PRR

Reforçando que «uma das grandes marcas identitárias do Politécnico de Leiria é a ousadia, a capacidade de executar, de antecipar e de agarrar as oportunidades», Rui Pedrosa destacou as «oportunidades únicas» oferecidas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). «Felizmente, somos sempre um projeto inacabado e que podemos e devemos melhorar todos os dias, sabendo estrategicamente para onde queremos ir e assim construir um futuro orientado. Neste contexto, no âmbito do PRR vamos ter algumas oportunidades únicas que teremos e vamos agarrar», nomeadamente as agendas mobilizadoras, o projeto estratégico financiado via PRR no âmbito “Impulso Jovem STEAM e Impulso Adulto”, e o financiamento para a requalificação e construção de novas residências de estudantes.

Pedro Lourtie

«Estes são apenas alguns dos desafios de curto prazo que estamos a desenhar e para os quais estamos a trabalhar arduamente», realçou o responsável, que fez um balanço de algumas conquistas conseguidas, resultado do «compromisso de todos, professores, investigadores, técnicos, estudantes, alumni e parceiros institucionais», começando pela valorização da qualidade e o reconhecimento do Politécnico de Leiria enquanto instituição de ensino superior pública de referência a nível nacional e, cada vez mais, a nível internacional.

A oferta, pela primeira vez em Portugal, de um doutoramento em associação acreditado, o crescimento e consolidação do Núcleo de Formação de Torres Vedras e a criação, este ano, do Núcleo de Formação de Pombal, e a melhoria transversal de laboratórios e espaços pedagógicos, através de receitas próprias, com investimento significativo em equipamentos, e com renovação de múltiplos espaços, foram algumas das conquistas mencionadas.

Na área da investigação e na partilha e valorização de conhecimento, Rui Pedrosa destacou os 170 projetos que estão hoje em execução, com um valor próximo de 50 milhões de euros de financiamento alocado ao Politécnico de Leiria, «fortemente ligado ao crescimento e afirmação dos 15 Centros de Investigação avaliados positivamente e financiados pela FCT».

«O Politécnico de Leiria é líder nacional nos projetos de copromoção com empresas, criámos a semana da empregabilidade, a feira de patentes, um hub de inovação em saúde, lideramos a nível nacional o projeto “1000 ideias”, cocriámos um parque de ciência e tecnologia do mar e uma incubadora de inovação social e vimos aprovados os dois concursos institucionais de emprego científico onde conseguimos, no seu global, 14 posições para investigadores doutorados e 10 posições para professores coordenadores», afirmou o presidente.

Rui Pedrosa não esqueceu também oreconhecimento internacional enquanto Healthy Campus com a classificação máxima, a aprovação do projeto de requalificação da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais no valor de 1,8 milhões de euros e a liderança da Universidade Europeia RUN-EU, que significa estar na linha da frente da transformação do ensino superior na Europa, entre outros.

Já o presidente do Conselho Geral do Politécnico de Leiria, Pedro Lourtie, salientou o crescimento do ensino superior português no último meio século. «No início da década de 70 tínhamos 5% dos jovens a entrar no ensino superior. Hoje são perto de 50%. Eram cerca de 20 o número de doutores formados em Portugal por ano. Hoje são 100 vezes mais. Com o 25 de Abril de 1974 verificou-se uma explosão na procura de conhecimento. De tal forma que andámos mais de 20 anos a procurar responder a essa procura», referiu.

Pedro Lourtie destacou também o papel assumido pelo ensino politécnico, que ao longo das últimas duas décadas verificou uma «progressiva maturidade», traduzida na «capacidade de conciliar formações profissionalizantes diversas, na abertura à sociedade e ao tecido socioeconómico, bem como na internacionalização e na produção de vários tipos de conhecimento».

«Esta maturidade justifica, hoje, que se reconheça a capacidade de conferir o grau de doutor e a utilização da designação de universidade politécnica, como fator de competitividade internacional, com o objetivo de sermos capazes de competir com os outros países», salientou.

A terminar, Pedro Lourtie focou o desafio da austeridade climática e a importância de toda a sociedade contribuir para a promoção da sustentabilidade ambiental, onde está certo que «o Politécnico não faltará à chamada, dentro das suas capacidades, com a participação de toda a comunidade académica e a colaboração dos seus parceiros nacionais e internacionais».

Por sua vez, Bruna Raquel Bastos, representante dos estudantes do Politécnico de Leiria, defendeu que esta é uma «instituição com excelentes referências de ensino». «Encontrei em Leiria uma instituição de ensino superior preocupada com os seus estudantes, com diversos programas e iniciativas que visam contribuir para o combate ao abandono e ao insucesso escolar, facilitam a integração social e académica de cada um de nós e que nos proporcionam a oportunidade de adquirir e desenvolver competências transversais, muito úteis ao nosso futuro profissional», destacou.

«Somos uma instituição de ensino de referência, e se assim o somos hoje, muito temos a agradecer o esforço e dedicação da nossa comunidade académica, que ao longo dos anos tem feito de tudo para que o Politécnico de Leiria e os seus estudantes possam ser reconhecidos pelo valor que têm, na formação, na investigação, na relação com as empresas ou com a sociedade», acrescentou a estudante.

Álvaro Laborinho Lúcio, juiz conselheiro jubilado do Supremo Tribunal de Justiça, foi o orador convidado da sessão solene, cuja oração de sapiência refletiu sobre “Educação, Cidadania e Desenvolvimento Humano”.

Politécnico de Leiria atribui títulos honoríficos a Carlos Salema, ao Centro Hospitalar de Leiria, ao ACES Pinhal Litoral e ao ACES Oeste Norte

Politécnico de Leiria já formou mais de 50 mil alunos

Na cerimónia foi entregue um título honorífico Professor Honoris Causa a Carlos Salema, pelos seus contributos para o aprofundamento, de forma determinante, da missão do Politécnico de Leiria ao nível da investigação e desenvolvimento científico.

O Politécnico de Leiria atribuiu ainda o Diploma de Instituição de Mérito Socioprofissional ao Centro Hospitalar de Leiria (CHL), pela cooperação que tem vindo a ser desenvolvida entre as duas organizações e pela atuação do CHL e de todos os profissionais que o compõem, na resposta que deu à sua comunidade, nomeadamente a comunidade académica do Politécnico de Leiria, e à sociedade em geral.

O Diploma de Instituição de Mérito Socioprofissional foi ainda entregue ao Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Pinhal Litoral e ao ACES Oeste Norte, pelas relações estabelecidas com estas instituições e o apoio dado ao Politécnico de Leiria durante o período de pandemia de Covid-19, e como reconhecimento a todos os profissionais de saúde.

A Sessão Solene de Abertura do Ano Académico 2021/2022 do Politécnico de Leiria contou ainda com a homenagem aos seus colaboradores com mais de 25 anos de serviço, e com a entrega de prémios, bolsas e distinções a atuais estudantes, diplomados, professores e investigadores do Politécnico de Leiria, nomeadamente: Prémios Politécnico de Leiria – Mérito Ensino Secundário; Prémio Ensino Magazine; Distinção Alumni Politécnico de Leiria; Prémios I&D+i Politécnico de Leiria.

    Fonte: Midlandcom

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