Edição: 264

Diretor: Mário Lopes

Data: 2022/11/26

Projeto internacional liderado pelo Politécnico de Leiria apresentou resultados

Projeto REiNOVA_Si apoiou 32 empresas agroalimentares na criação de produtos e processos para a Economia Circular

Catarina Louro

O projeto internacional REiNOVA_Si, liderado pelo Politécnico de Leiria, apoiou um total de 32 micro empresas e PME portuguesas e espanholas, do setor agroalimentar, no desenvolvimento de produtos e processos de produção inovadores adaptados aos princípios da Economia Circular. No âmbito do projeto foram concretizados diagnósticos aos ciclos produtivos das 32 empresas e apoiada a sua capacitação em Economia Circular, tendo sido desenvolvidos planos de ação destinados a 14 dessas empresas, para melhoria dos seus processos e/ou produtos, utilizando práticas mais circulares.

A sessão de encerramento e apresentação dos resultados do projeto, que iniciou  em  julho de 2019 e termina em abril de 2022, decorreu no dia 3 de março, na Biblioteca José Saramago, sita no campus 2 do Politécnico de Leiria.

«O REiNOVA_Si tinha como objetivo estimular a implementação de projetos inovadores para a adaptação dos processos de produção aos princípios da Economia Circular. O projeto pretendia ajudar as PME e micro empresas do setor agroalimentar a caminhar para modelos de negócio que garantam que todos os recursos são usados da forma mais eficiente possível», referiu Eduarda Fernandes, professora e investigadora do Politécnico de Leiria, presidente da Startup Leiria e representante do consórcio REiNOVA_Si.

A maioria das 32 empresas selecionadas pelo projeto desenvolve a sua atividade em subsetores como a fruta, carne, lacticínios, azeite, vinho ou apicultura, com algumas a trabalharem em produtos mais específicos como licores, coalho, derivados de cereais e aloé vera. A lista com as empresas apoiadas está disponível em https://reinovasi.eu/empresas-apoiadas/.

As regiões Centro-Castela e Leão e Alentejo-Centro-Extremadura foram as áreas de cooperação do REiNOVA_Si, que incluiu um total de 17 NUTS III, selecionadas por serem áreas circundantes às cinco “grandes zonas urbanas”, onde estavam localizados os parceiros do consórcio: Leiria, Castelo Branco, Évora, Valladolid e Badajoz.

Uma componente central do projeto consistiu no desenho de um novo modelo de consultoria na área da ecoinovação, adaptado às micro e PME do setor agroalimentar, com o intuito de acelerar a transição do setor para as práticas de Economia Circular.

Numa fase inicial, o projeto focou-se na elaboração de diagnósticos aos ciclos produtivos das 16 empresas portuguesas e das 16 empresas espanholas selecionadas, bem como na sua capacitação, tendo sido promovidas três ações de sensibilização em formato de webinars, com a presença de 250 participantes, e oito ações de capacitação em formato de workshops, com 150 participantes.

Nestas ações foram abordadas as diferentes metodologias em ecodesign e ecoinovação, estratégias empresariais de circularidade e histórias de sucesso na geração de valor e novos modelos empresariais baseados nas oportunidades oferecidas pela Economia Circular, tendo sido igualmente apresentadas algumas ferramentas, como o cálculo da pegada hídrica ou da pegada carbónica, que permitem valorizar os esforços das organizações em tornar os seus processos mais circulares.

Na fase seguinte, 14 das 32 empresas foram apoiadas na conceção e implementação de um plano de ação que visa  permitir tirar partido das oportunidades de melhoria em termos de circularidade identificadas. Os planos de ação desenvolvidos para cada uma das 14 empresas consistiram, por exemplo, tanto no estudo de um subproduto que não tinha sido utilizado até então, para avaliar as suas possibilidades de revalorização, como na conceção de um plano de otimização para reduzir o consumo de energia.

A maioria das 14 empresas beneficiárias (sete de Portugal e sete de Espanha) desenvolveu produtos ou serviços que podem ser comercializados no setor alimentar, na área da cosmética e para aproveitamento energético. Todos os setores de aplicação dos novos produtos evidenciam potencial de valorização dos resíduos/subprodutos, que podem resultar em benefícios económicos para as empresas.

«O período de execução do projeto foi particularmente complicado, fruto do surgimento da pandemia, sendo de enaltecer o empenho e dedicação de todos os parceiros e empresas para conseguirmos levar o projeto a bom porto e alcançarmos estes resultados», sublinhou Eduarda Fernandes.

O projeto foi cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), ao abrigo do Programa INTERREG V-A Espanha – Portugal (POCTEP) 2014-2020, envolvendo doze entidades de Portugal e Espanha, entre institutos politécnicos, centros de investigação, incubadoras de empresas, clusters e câmaras de comércio: Politécnico de Leiria; Startup Leiria; OPEN – Oportunidades Específicas de Negócio; Câmara de Comércio de Badajoz; Associação Empresarial Centro Tecnológico Nacional Agroalimentario Extremadura (CTAEX); Vitartis (Asociación de la Industria Alimentaria de Castilla y León); Itacyl (Instituto Tecnológico Agrario de Castilla y León); Câmara de Comércio de Valladolid; ADRAL – Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo; InovCluster – Associação do Cluster Agroindustrial do Centro; Instituto Politécnico de Castelo Branco – Escola Superior de Artes Aplicadas; e CATAA – Associação Centro de Apoio Tecnológico Agro-Alimentar de Castelo Branco.

Secretária de Estado da Valorização do Interior destaca contributo do REiNOVA_Si para a partilha de boas práticas no setor agroalimentar

Isabel Ferreira, secretária de Estado da Valorização do Interior

«Este projeto é uma prova viva da importância dos politécnicos na proximidade e na capacidade que têm de estar num território e em contacto com atores de todos os setores de atividade económica, pelo que não queria deixar de destacar o papel que o Politécnico de Leiria tem assumido neste âmbito», começou por referir a secretária de Estado da Valorização do Interior, salientando ainda o «contributo deste projeto para a partilha de boas práticas, com a realização de todas as sessões e reuniões, e a elaboração e disponibilização dos manuais de boas práticas».

Nas palavras de Isabel Ferreira, «o mundo encara hoje desafios muito importantes e complexos», sendo que, no setor agroalimentar, impõem-se «respostas pragmáticas à necessidade dos alimentos». «Temos de saber lidar com os desafios que estão hoje em cima da mesa. Olhando para este setor, a sua sustentabilidade e a inovação são, de facto, enormes desafios e, por isso, este projeto em particular dá um contributo muito interessante, e terá certamente oportunidades de continuidade, em diferentes programas», afirmou a secretária de Estado.

Já Teresa Jorge, representante da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), defendeu que o REiNOVA_Si é «absolutamente exemplar do ponto de vista do que pode e deve ser um projeto transfronteiriço». «É também exemplar porque é liderado por um parceiro português, e raramente os parceiros portugueses são líderes destes projetos.»

Teresa Jorge enalteceu igualmente a articulação feita entre as seis entidades da região Centro que participaram no consórcio. «Percebemos que conseguimos alcançar melhores resultados quando trabalhamos em cooperação. Juntar parceiros com competências complementares, como incubadoras, centros tecnológicos e instituições de ensino superior, e territorialmente distribuídas, é de enaltecer. Além disso, este projeto põe a trabalhar as entidades que estão mais no litoral, nas chamadas áreas mais dinâmicas, com entidades do ecossistema do interior. Juntando estas competências várias e territorialmente distribuídas, trabalharam também com os parceiros do Alentejo e Espanha», sublinhou a representante da CCDRC.

Por sua vez, o presidente do Politécnico de Leiria, Rui Pedrosa, encara o REiNOVA_Si como «um projeto muito importante, porque liga a Academia e mais do que uma instituição de ensino superior em Portugal, uma incubadora e aceleradores de empresas, associações de desenvolvimento regional e empresas na área da inovação alimentar, num tema que é particularmente caro, como é a Economia Circular no setor agroalimentar».

«Não queria passar esta intervenção sem deixar uma nota sobre o que está a acontecer na Ucrânia. Porque, efetivamente, este é um projeto que liga dois países numa relação transfronteiriça e temos que aumentar o investimento na Europa para reforçar os valores comuns e esta ideia que a liberdade não tem preço e só pode ser conseguida com mais e melhor investimento no conhecimento, no ensino superior, na inovação e na relação com as empresas e com o território, para estarmos mais longe deste tipo de situações», referiu Rui Pedrosa.

Em representação do Município de Leiria, a vereadora Catarina Louro afirmou ser «com enorme satisfação que Leiria recebe a sessão de encerramento deste projeto e está envolvida neste tipo de iniciativas, que nos dá uma projeção internacional cada vez maior». «Felicito todas as entidades envolvidas neste consórcio e o Politécnico de Leiria, porque de facto este dinamismo faz com que a região de Leiria, que naturalmente já é uma região empreendedora e competitiva, ganhe mais uma alavanca na sua projeção transnacional e em termos económicos.»

A sessão de encerramento do projeto contou ainda duas apresentações subordinadas aos temas “A Importância da Economia Circular e dos Fundos POCTEP para a Colaboração Transfronteiriça” e “Que agricultura e que agroindústria?”, asseguradas respetivamente por Teresa Jorge, da CCDRC, e Alfredo Sendim, presidente da direção da Cooperativa Herdade do Freixo do Meio.

     Fonte: Midlandcom

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