Edição: 258

Diretor: Mário Lopes

Data: 2022/5/19

Presidente do COMPETE discursou em Leiria na abertura do III Encontro de Internacionalização de Empresas

Exportações aumentam de 28% para 44% numa década mas continuam abaixo da média europeia

Nuno Mangas

«Ao nível das exportações, Portugal enfrenta atualmente um desafio de quantidade, pois precisamos claramente de trazer mais empresas para este “jogo” da exportação. Em relação às empresas que já estão neste “jogo”, é necessário incentivarmos aquelas que podem crescer ainda mais no seu volume de negócios para exportação», afirmou o presidente do COMPETE, na abertura do III Encontro de Internacionalização de Empresas, que decorreu dia 2 de maio, no Edifício da NERLEI – Associação Empresarial da Região de Leiria, onde Nuno Mangas defendeu que a relação entre as instituições/centros de saber e as empresas é «fundamental» para Portugal aumentar os seus níveis de exportação.

«Numa década, no que toca ao peso das exportações no PIB, o país aumentou de cerca de 28% para 44%. É uma evolução claramente positiva, no entanto, não podemos dar-nos por satisfeitos com os resultados alcançados. Em primeiro lugar, estamos abaixo da média dos países da União Europeia, sendo que o objetivo não deve ser alcançar a média, mas sim valores acima», referiu Nuno Mangas, salientando ainda que «apenas 10% das empresas nacionais exporta. Em cada 10 empresas, apenas uma exporta, o que significa que temos um campo de progresso muito significativo».

Além do desafio quantitativo, Portugal enfrenta ainda um desafio qualitativo, considerando que se verifica «muita exportação de valores e serviços com baixa intensidade de conhecimento e tecnologia». «Precisamos de mais produtos e serviços com maior conhecimento, mais diferenciação e mais tecnologia. Precisamos de dar maior valor e conteúdo aos produtos que exportamos», referiu Nuno Mangas, salientando a importância dos Encontros de Internacionalização de Empresas (PPIN), um projeto colaborativo que tem como objetivos reforçar a internacionalização do Ensino Superior Politécnico Português e dar continuidade à aproximação entre o mesmo e o meio empresarial, apoiando-o na sua internacionalização.

«Este projeto é importante para que consigamos inverter esta tendência. Exportamos muita coisa, mas muitas vezes com valor relativamente reduzido e de produtos que não são diferenciados», afirmou o presidente do COMPETE, sublinhando ainda que «projetos como estes são muito importantes para aproximar diferentes realidades e fazer com que as empresas possam ter apoio estruturado para concretizarem os seus processos de internacionalização», sendo necessário «continuar a incentivar esta ligação entre os centros de saber e as empresas».

«Se queremos produtos e serviços mais intensos em conhecimento e em tecnologia, há uma relação que tem de acontecer e que tem de ser cada vez maior, que é a relação entre os centros de saber/instituições de ensino superior e as empresas. Esta relação é muitíssimo relevante. Quanto melhor conseguirmos construir esta relação, melhores resultados teremos naquilo que será a competitividade do nosso país e a capacidade de as nossas empresas se internacionalizarem e serem fortemente exportadoras», defendeu Nuno Mangas, destacando ainda o desafio dos produtos importados.

«Por vezes, temos empresas que importam produtos que podiam ser adquiridos internamente, a outras empresas portuguesas», alertou o presidente do COMPETE, deixando um desejo em relação ao PPIN: «Espero realmente que este projeto tenha muito esta vertente de ajudar as nossas empresas a fazerem este caminho, e de as capacitar com instrumentos que lhes permitam criar redes internacionais e nacionais, para exportarem mais e exportarem produtos com maior valor acrescentado».

O PPIN pretende envolver o tecido económico das regiões com o objetivo de transmitir aos mercados-alvo uma imagem coletiva do tecido empresarial e do Ensino Superior Politécnico, mostrando aos potenciais mercados internacionais e entidades representativas locais as condições e infraestruturas, e a articulação com as empresas para o reconhecimento internacional através da inovação.

A organização do III Encontro de Internacionalização de Empresas esteve a cargo do Politécnico de Leiria que, entre os dias 2 e 3 de maio, reuniu o tecido empresarial para um conjunto de apresentações e debates em torno do tema da internacionalização das empresas.

A abertura do Encontro contou igualmente com a intervenção do presidente do Politécnico de Leiria, que começou por destacar os «tempos complexos vividos atualmente do ponto de vista global», cujos desafios só podem ser ultrapassados «com mais e melhor investimento no ensino superior, na ciência, na articulação entre as instituições de ensino superior e nos territórios». «É disso que se trata quando falamos de internacionalização no ensino superior, com impacto direto nas regiões e nos contextos nacionais e globais», referiu Rui Pedrosa.

«O projeto PPIN encaixa totalmente na visão do Politécnico de Leiria. Em primeiro lugar, porque somos cada vez mais uma instituição de ensino superior global, multicultural, aberta, sem muros e virada para o mundo, mas com foco no desenvolvimento regional. Em segundo lugar, porque acreditamos muito fortemente que o nosso país, em particular esta região, só vai ter a capacidade de ser mais competitiva e de acrescentar valor nas suas cadeias produtivas, se investir cada vez mais no conhecimento, na inovação e na investigação», destacou o presidente.

Por sua vez, a presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) apontou a internacionalização como «um dos fatores-chave do nosso desenvolvimento e crescimento». «Esta internacionalização faz-se não só ao nível da captação de mais estudantes e da formação e qualificação de mais jovens e mais adultos, mas também naquilo que é a nossa ligação às empresas e, sobretudo, na criação de valor», afirmou Maria José Fernandes.

De acordo com a presidente do CCISP, o objetivo do PPIN passa por «criar uma rede de internacionalização coesa, que sirva as necessidades das várias regiões, nomeadamente aquelas onde cada uma das instituições pertencentes ao projeto está inserida». «O que se pretende sobretudo com este projeto é criar valor e colocar as empresas a trabalhar com as instituições politécnicas. Precisamos de ter mais instituições relacionadas, de captar mais estudantes e de ajudar outros países que necessitam de nós», referiu Maria José Fernandes, enaltecendo o trabalho do Politécnico de Leiria não só ao nível da «capacidade que tem tido em associar empresas, instituições, famílias, estudantes, internacionalização e investigação», mas também «o valor que tem conseguido criar para esta região».

Além das apresentações e debates com distintos convidados, o programa do III Encontro de Internacionalização de Empresas contou ainda com um jantar-conferência, que decorreu ontem à noite na NERLEI, com as presenças de Francisco André, secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, e Ruaidhri Neavyn, consultor do Ensino Superior da Irlanda, bem como visitas às empresas DRT Group, em Leiria, e MATCERÂMICA – Fabrico de Loiça, na Batalha.

Mais informações sobre o III Encontro de Internacionalização de Empresas podem ser consultadas em https://bit.ly/3MytGjl.

      Fonte: Midlandcom

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