Edição: 258

Diretor: Mário Lopes

Data: 2022/5/19

Após ter integrado nas últimas eleições a lista do “Nós Cidadãos”em Alcobaça

Expulsão de Maximino Serra gera onda de solidariedade com o militante fundador do PS

Maximino Serra

Maximino Serra, militante n.º 2620 do PS, foi expulso do partido após ter integrado a lista do “Nós Cidadãos” à Câmara Municipal de Alcobaça, nas eleições de 26 de setembro de 2021. Militante do PS desde 1973, Maximino Serra, revelou ao Tinta Fresca a sua “deceção” quando recebeu por carta a notificação da sua expulsão do partido. O “revolucionário” e ajudante de campo do General Humberto Delgado diz-se “surpreendido” com a decisão do partido e mostrou-se agradecido “pela onda de apoio e solidariedade” que tem recebido de muitos amigos e militantes do partido, como Manuel Alegre, Daniel Adrião, Miguel Coelho e Ana Margarida Martinho, presidente da Concelhia de Alcobaça do PS, entre outros.

Maximino Serra recorda que o processo de tomada de decisão de integrar uma lista de uma plataforma de cidadãos, surgiu depois de a lista proposta por Rui Alexandre, ex-presidente da Concelhia de Alcobaça do PS, ter perdido as eleições internas, e dos elementos dessa lista “se sentirem excluídos pelos vencedores” e “não terem sido sequer convidados a integrar as listas às eleições autárquicas”.

O militante socialista, que aos 23 anos foi apoiante do General Humberto Delgado na oposição à ditadura do Estado Novo, confirmou que a candidatura onde se apresentou “como último elemento suplente” da lista encabeçada por Rui Alexandre, “não era uma candidatura contra o partido, mas sim contra as pessoas que organizaram a outra lista e que se impunham aos restantes elementos da Secção de Alcobaça”.

Maximino Serra, que se considera um “revolucionário”, recorda a sua participação na fundação do PS, referindo que quando recebeu a notificação ficou “decepcionado”, porque “não sou um militante qualquer, fiz de tudo para engrandecer o PS e de, um momento para o outro, sou expulso de um partido que ajudei a organizar e tanto contribuí para o seu desenvolvimento”.

No entanto, admite que toda a sua “deceção” perante esta decisão do partido é minimizada “pelo ambiente de solidariedade e apoio” que lhe tem “sido demonstrado por muitos colegas militantes”, como por exemplo Manuel Alegre, Daniel Adrião, Miguel Coelho, entre outros.

Em declarações ao Tinta Fresca, Rui Alexandre, cabeça de lista do “Nós Cidadãos” à Câmara Municipal de Alcobaça e ex-presidente da Concelhia de Alcobaça do PS, referiu que quando soube do ocorrido ficou “perturbado”, uma vez que se trata do “último “Samurai Político” atual vivo, antifascista e resistente ao Estado Novo, com um passado histórico que merecia ser reconhecido e homenageado pelo Presidente da República”, afirmou.

Rui Alexandre recordou que foram a “humildade, sabedoria, honestidade, amizade e humanidade com um espírito de liberdade e igualdade sempre patente” em Maximino Serra que “me despertaram para a política e me levaram, na década de 80, a entrar para o PS Alcobaça”.

O ex-presidente da Concelhia do PS em Alcobaça salientou que este “é um assunto interno de um partido” onde já não milita, mas “esta situação é o culminar de 4 anos de perseguição política feita ao PS Alcobaça na altura que fui presidente da Concelhia, pela Comissão de Jurisdição Distrital, pelo Presidente da Federação de Leiria e por alguns membros do PS local em atividade atual em Alcobaça, que tudo fizeram para que o Maximino Serra e outros militantes fossem expulsos do PS.”

Segundo Rui Alexandre “os atuais dirigentes locais do PS, salvo duas ou três exceções, são os grandes responsáveis por esta situação” que já atingiu proporções de indignação a nível nacional e também já pela família Socialista Europeia.

O Tinta Fresca ouviu também a atual presidente da Concelhia de Alcobaça do partido socialista, Ana Margarida Martinho, que referiu ao nosso jornal “o processo de expulsão do camarada Maximino Serra não passou pela Concelhia de Alcobaça”, não tendo “qualquer conhecimento acerca do assunto”.

A líder alcobacense do PS disse lamentar profundamente o sucedido, revelando ser  “contra qualquer medida que ofenda o pluralismo de expressão. Num Estado de direito democrático ninguém pode ser privado de qualquer direito por estar inscrito em algum partido político.”

Por sua vez, Walter Chicharro, presidente da Federação do PS de Leiria adiantou também que o processo não passou pela direção da Federação Distrital de Leiria do PS.

A decisão de Maximino Serra foi considerada pela Comissão Nacional de Jurisdição do Partido Socialista uma “quebra dos laços mais basilares que ligam o partido aos seus militantes”, o que motivou a sua expulsão. Além de Maximino Serra, foram também expulsos da seção de Alcobaça, mais de uma dezena de outros militantes.

     Mónica Alexandre

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Joaquim Sousa

Em cascais á aqueles que saem do PS para arrecadar tacho de Carreiras e agora voltam para ser cabeças de Lista por cascais á Camara...

joao manuel alves maTEUS

Surpreendente este despreza pela história do P.S. e por homens que acreditam que a vida só vale a pena se vivida com dignidade