Edição: 259

Diretor: Mário Lopes

Data: 2022/6/27

Iniciativa reuniu várias entidades regionais da área de Ação Social

Centro Hospitalar de Leiria dinamiza tertúlia de reflexão com o tema “Vamos falar de Serviço Social”

Tertúlia de reflexão “Vamos falar de Serviço Social”

O auditório do Hospital de Santo André (HSA), unidade do Centro Hospitalar de Leiria (CHL), foi o palco de uma tertúlia de reflexão com o tema “Vamos falar de Serviço Social”, organizada pelo Serviço Social do CHL, no dia 19 de maio. A sessão de partilha teve como finalidade destacar o percurso do Serviço Social, com espaço para debater os principais desafios do presente e apresentar linhas estratégicas para o futuro, reunindo vários representantes de entidades regionais da área da Ação Social, que diariamente trabalham em parceria com o CHL.

Cidália Faria, diretora do Serviço Social do CHL, deu as boas-vindas aos presentes e introduziu o tema da tertúlia, com um breve enquadramento sobre a missão do Serviço Social. «Se inicialmente o Serviço Social era encarado com a atividade de fazer o bem, hoje o Serviço Social depara-se com desafios que exigem uma resposta profissional reforçada numa ação coletiva sobre uma prática que não se encontra autodeterminada. O Serviço Social vê-se confrontado e desafiado a compreender e intervir numa sociedade de transformações configuradas nas novas expressões da questão social.»

«A pandemia por Covid-19 e a recente guerra da Ucrânia, com a vaga de imigrantes a ela associada, tiveram um impacto súbito e profundo sobre a vida de todos nós. Se por um lado nos permitiu conhecer fragilidades até então desconhecidas, por outro possibilitou a criação de um conjunto de boas práticas e um reforço da cooperação interinstitucional», destacou Cidália Faria.

Depois de enaltecer a importância que a consolidação da rede de entidades parceiras influi no trabalho das assistentes sociais do CHL, a diretora do Serviço Social foi a moderadora de uma partilha de testemunhos de várias profissionais. Ana João Carvalho, médica do Serviço de Cuidados Paliativos do CHL, falou sobre a excelência do trabalho que é desenvolvido pelas assistentes sociais, que estão presentes em diversas áreas do Serviço, e que contribuem para tratar do doente como um todo, “olhando” com foco para o contexto social e comunitário do doente. «São uma peça importante no nosso internamento, nomeadamente na realização das conferências familiares e nas nossas reuniões internas multidisciplinares», salientou Ana João Carvalho.

A enfermeira-chefe no Serviço de Medicina Interna do CHL, Helena Azevedo, sublinhou a grande proximidade à questão social, que ao longo dos anos tem melhorado, e «a resposta que conseguimos dar ao doente é mais eficaz. É mais rápido identificar os problemas e procurar uma solução. Além do foco clínico, há mais a preocupação de sabermos quem é o doente, com quem está, com quem veio…».

Fátima Oliveira, chefe de Setor do Núcleo de Intervenção Social da Unidade de Desenvolvimento Social do Centro Distrital de Leiria, abordou o estreitamento de relações que se efetivou no período de pandemia, em que foi possível melhorar procedimentos, eliminar outros menos eficazes, «e fomos todos obrigados a procurar soluções mais imediatas para várias situações de cariz social, ou encontrar recursos alternativos, quando foi preciso libertar camas nos hospitais. Entre 2020 e 2022 conseguimos integrar 140 idosos em vários tipos de resposta na nossa rede.»

A vereadora do Desenvolvimento Social e Saúde da Câmara Municipal de Leiria, Ana Valentim, destacou em particular os desafios que a autarquia enfrenta atualmente, com a transferência para os municípios de competências ao nível da Ação Social e da Saúde. «No que respeita a Ação Social, não haverá grandes alterações no terreno. Vamos manter os nossos protocolos de cooperação, a nossa equipa de 15 técnicos e a rede de parceiros.» Quanto ao setor da Saúde, a vereadora salientou que é um processo mais complexo, mas reforçou a importância do trabalho sempre em parceria com várias entidades.

Catarina Silva, vereadora da Coesão e Inovação Social da Câmara Municipal de Pombal, também falou da transferência de competências para os municípios, revelando que na área social «está tudo a funcionar, e há mais proximidade com as pessoas, com profissionais credenciados no terreno. A rede de contactos é fundamental, porque os problemas sociais são cada vez mais complexos e não os conseguimos resolver sozinhos».

A diretora geral da Inpulsar, Lisete Cordeiro, foi a última a intervir na tertúlia, com a apresentação dos projetos que a instituição realiza em 10 anos de atividade. Lisete Cordeiro destacou os principais valores que regem a atuação da Inpulsar: a intervenção de proximidade, a abordagem colaborativa, o recurso a práticas artísticas como ferramenta de inclusão social, e educação/mediação de pares, e a defesa e a promoção dos direitos.

O presidente do Conselho de Administração, Licínio de Carvalho, proferiu algumas palavras para encerrar esta tertúlia. «A importância do Serviço Social na comunidade e o papel que tem na prestação de cuidados e na integração da equipa de prestação de cuidados é muito vasto. A pandemia foi, de facto, um campo de experiência incrível, em que nos articulávamos diariamente com as estruturas de ação social da Segurança Social, porque tivemos uma grande necessidade de aliviar o nosso internamento. Acho que conseguimos trabalhar em rede, dar uma boa resposta e estamos muito agradecidos ao trabalho que as instituições extra CHL deram na gestão da pandemia. Estes dois últimos anos vieram pôr em evidência a importância estratégica do Serviço Social.»

«O Serviço Social vai ter um futuro assegurado, porque vamos continuar a ter vários desafios. Entre 2019 e 2021 crescemos bastante ao nível de referenciações na rede nacional de Cuidados Continuados, e a tendência é para continuar a aumentar à medida que a rede vai sendo dilatada», reforçou Licínio de Carvalho. «O papel do Serviço Social é extremamente importante porque acaba por ser um pouco o embaixador do Centro Hospitalar de Leiria: chega às nossas casas e às casas das famílias, chega às instituições, chega às residências e aos domicílios de todas as pessoas que, de alguma forma, passam ou passaram pelo Centro Hospitalar», rematou o presidente do Conselho de Administração.

      Fonte: Midlandcom

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