Edição: 259

Diretor: Mário Lopes

Data: 2022/6/27

Na sessão sobre “O poder das Artes no processo de cura

Centro Hospitalar de Leiria mostra no Hospital de Alcobaça projetos artísticos dentro e fora de portas

Joana Correia

O Centro Hospitalar de Leiria (CHL) comemorou o Dia do Hospital de Alcobaça Bernardino Lopes de Oliveira (HABLO), no dia 23 de maio, no Salão Nobre do hospital, com uma sessão de aniversário dedicada ao tema “O poder das Artes no processo de cura”, com apresentação de projetos internos do CHL e projetos de intervenção artística na comunidade de Alcobaça.

Joana Correia, diretora do Serviço de Psicologia Clínica do CHL, falou sobre a “Intervenção terapêutica pela Arte”, no âmbito do trabalho que é desenvolvido no Hospital de Dia de Psiquiatria, a funcionar desde 2017 na unidade do CHL nos Andrinos, em Leiria. A psicóloga clínica destacou a dinâmica do Serviço, a multidisciplinaridade da equipa de profissionais, fazendo a caracterização do tipo de terapêutica concretizada pela via das Artes, com a ilustração de muitos bons exemplos de trabalhos artísticos realizados pelos utentes.

A  Helena Brites, da Sociedade Artística Musical de Pousos – SAMP, mostrou todos os projetos que dinamizam dentro do CHL. A musicoterapeuta destacou que todos os projetos decorreram de um trabalho prévio com os profissionais de saúde, e passou a elencá-los: “100 limites ao som”, iniciado em 2005, dirigido aos doentes mentais crónicos, que trabalha com a música, com a dança, com o teatro; em 2006, “ConSentir o Som”, neste momento inativo, mas que se destinava aos doentes agudos de Psiquiatria, com uma sessão semanal de música; o “Allegro Pediátrico” em 2007, com sessões semanais de música no Serviço de Pediatria; o “Dói Menor”, sessões semanais que decorrem no Laboratório de Musicoterapia na Unidade de Dor, para pessoas com dor crónica, e para continuar a possibilitar a arte na vidas destas pessoas, após o fim das sessões definidas, foi depois criado o programa “Cantares de Amigo”, que se realiza na SAMP.

Já em 2019 surge o “Aqui Contigo”, que se realiza no HABLO, na Unidade de Internamento de Cuidados Paliativos, que visa acompanhar as pessoas em fim de vida; e, por fim, a criação do UPA, Unidos pela Arte, em 2020, no contexto da pandemia, direcionado para os profissionais de saúde, na partilha das Artes, pelo teatro, pela música e pela dança. A musicoterapeuta salientou ainda os Encontros com Arte, realizados em parceria com profissionais de saúde entre 2013 e 2020, com sete encontros internacionais de Saúde com Arte, com experiências artísticas no contexto terapêutico e da saúde.

Individualidades presentes nas celebrações dos 132 anos do Hospital de Alcobaça Bernardino Lopes de Oliveira

Para dar a conhecer projetos de intervenção artística na comunidade de Alcobaça, a vice-presidente da Câmara Municipal de Alcobaça, Inês Silva, e Joana Fragoso, animadora sociocultural, apresentaram dois projetos: o “Teatro para Todos”, desenvolvido em parceria com o CEERIA – Centro de Educação Especial, Reabilitação e Integração de Alcobaça, com algumas instituições para seniores em Alcobaça, em que os utentes reúnem uma vez por semana para a realização de peças de teatro, baseadas nas próprias experiências, e no final do ano apresentam as mesmas no cineteatro de Alcobaça, criando-se uma ligação da comunidade com estas instituições envolvidas; e o programa “Queremos estar consigo”, que envolve as instituições de terceira idade de Alcobaça e o CEERIA, que começou no âmbito da pandemia no combate à solidão, com a dinamização cultural e social online, através de iniciativas de atividade física, música, teatro, contos inclusivos e visitas virtuais a alguns locais do país.

Da Academia de Música de Alcobaça intervieram Susana Martins, diretora executiva, e Dalila Vicente, diretora de Projetos para a Comunidade, que apresentaram a instituição e a sua missão nas vertentes da Educação e da Cultura. Através de alguns vídeos, deram a conhecer o projeto “Sons que Educam”, que visa estimular os alunos do ensino básico e secundário, com algum tipo de comprometimento físico e/ou cognitivo, nos domínios cognitivo e motor, através da expressão musical e da expressão corporal; e o projeto “Hoje há Baile”, focado no bem-estar dos utentes, maiores de 50 anos que tenham gosto pelo convívio, de IPSS, Misericórdias ou outras, através da estimulação cognitiva, motora e emocional conseguida pela utilização de música “ao vivo”.

Após a homenagem pelo trabalho, empenho e dedicação dos colaboradores aposentados nos últimos anos do HABLO, Licínio de Carvalho, presidente do Conselho de Administração do CHL, proferiu o seu discurso. «A celebração do Dia do Hospital é também uma oportunidade para revisitar os projetos realizados no último ano e os investimentos principais realizados e em curso», e acrescentou que no HABLO «entre os projetos realizados, em curso e em previsão, estima-se em 900 mil euros o montante envolvido».

«No último ano reabilitou-se, finalmente, o Serviço de Imagiologia, construíram-se vestiários novos para os profissionais, recuperou-se o posto de admissão de doentes no Serviço de Urgência e adquiriu-se, entre outros equipamentos, um intensificador de imagem para o Bloco Operatório», referiu o presidente do Conselho de Administração. «Estão em curso, a remodelação e repavimentação do acesso à Urgência e, praticamente concluída, a substituição da Unidade de Tratamento de Ar do Bloco Operatório. Em projeto de investimento consta a substituição da sala de Rx e a reestruturação e união dos edifícios principais do hospital.»

«Contamos com todos, com os nossos profissionais que têm dado mostras de empenhamento pessoal e profissional à altura dos desafios, das dificuldades e das responsabilidades que temos enfrentado e que, provavelmente, vamos continuar a ter que enfrentar no futuro próximo», rematou Licínio de Carvalho.

Inês Silva, vice-presidente da Câmara Municipal de Alcobaça, encerrou a sessão comemorativa, destacando a importância do tema escolhido. «Hoje provou-se aqui que as Artes servem para muitas coisas e que são muito importantes. Nos exemplos que foram dados foi muito pertinente assistir às boas práticas que acontecem aqui no nosso território. Os exemplos mostram que as Artes também ajudam à Inclusão, que minimizam a dor de quem está doente, de quem sofre, contribuem para que as comunidades se fortaleçam…»

«Fico muito feliz de perceber que a Saúde também está muito sensível ao tema, que tem pensado muito na forma como o poder das Artes ajudam o outro, a estar mais feliz, a estar mais incluído, e a contribuir para o seu bem-estar. Parabéns ao hospital e continuemos a ser todos felizes e que consigamos também transmitir essa felicidade ao próximo e a quem está ao nosso cuidado», terminou Inês Silva.

     Fonte: Midlandcom

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