Edição: 259

Diretor: Mário Lopes

Data: 2022/6/27

Viagem pela Coleção Pereira de Sampaio

Exposição Chitas de Alcobaça inaugurada em França

Chitas de Alcobaça em exposição

Foi inaugurada no dia 2 de junho, no Museu de Toile-de-Jouy, localizado na comuna francesa de Jouy-en-Josas, pertencente à região de Ilha-de-França, a exposição Chitas de Alcobaça: viagem pela Coleção Pereira de Sampaio.

A exposição é organizada pela ADEPA – Associação de Defesa e Valorização do Património de Alcobaça e é composta por parte do acervo de Maria do Céu Pereira de Sampaio, ilustre alcobacense recentemente falecida e mãe do historiador e ex-diretor do Mosteiro de Alcobaça, Dr. Jorge Pereira de Sampaio.

Ciente do enorme valor patrimonial desta coleção, a ADEPA submeteu a exposição com sucesso à comissão da iniciativa Temporada Cruzada Portugal França 2022, uma iniciativa de programação bilateral que decorre nos dois países até ao final de outubro de 2022. Esta iniciativa tem como objetivo o reforço da amizade entre ambas as nações que partilham grandes comunidades residentes. Foi de resto no âmbito deste programa que se realizou no passado dia 21 de maio na Biblioteca Municipal o colóquio “Francesas em Portugal: Itinerários múltiplos.”

Em representação do Município de Alcobaça, a vice-presidente Inês Silva explica que “a presença da chita neste museu não podia ser mais apropriada, tendo em conta que Toile de Jouy é o nome dos tecidos pintados ou estampados a partir de 1760 na fábrica de Jouy-en-Josas. Trata-se portanto de um têxtil com uma forte identificação com a cultura deste território francês o que ecoa perfeitamente com a importância histórica da chita de Alcobaça. Gostaria desde já de expressar o meu profundo agradecimento pelo convite endereçado pela ADEPA para estar presente em representação do Município e de sublinhar a postura colaborativa e construtiva que o Município procura ter na valorização do património cultural e artístico do concelho de Alcobaça.”

Mais informação sobre a exposição

Sobre a Chita de Alcobaça

A história do pano de algodão estampado e das colchas de Chita de Alcobaça, nos seus diversos aspetos, leva-nos à época dos Descobrimentos, à criação da Companhia das Índias e à introdução da arte de estampar em Portugal.

A designação de colchas de Chita de Alcobaça, que entrou no imaginário coletivo, determina um tipo característico de chita decorativa. Contudo a tradição referente ao fabrico de tecidos estampados em Alcobaça continua a ser um dos maiores enigmas da indústria portuguesa.

Sabemos que, até à data, não há conhecimento da existência de estamparia em Alcobaça, embora, nos finais do século XVIII, se tenha assistido a um desenvolvimento de fábricas de estamparia em Portugal, com padrões de gosto oriental, mas que as Invasões Francesas paralisaram quase por completo. Só em meados do século XIX voltam a reativar-se, época em que se conhece uma vasta lista de fábricas com condições para estampar chita de qualidade. Por ausência de documentação, ignoram-se as fábricas que podiam ter fabricado a chita conhecida por “de Alcobaça” e a razão desta designação.

As colchas de Chita de Alcobaça têm um valor histórico e ao mesmo tempo etnológico, porquanto refletem e simbolizam atitudes, viveres e costumes de grupos humanos do passado. São um elo cultural com o país no seu todo e com a região de Alcobaça em particular.

Os motivos aplicados na decoração da chita clássica que mais a caracteriza são as flores, os frutos, as plantas, as árvores, os animais, os pássaros e toda a fauna e a flora da India e Pérsia estilizada em orlas ou em arabescos. Os desenhos obedeciam a 5 regras fundamentais: a repetição, a alternância, o estar no lugar certo, o desenvolvimento e a síntese. Têm o desenho disposto verticalmente de modo a permitir a utilização do tecido para decoração ou para a coberta da cama.

A impressão, causada pela força das cores e pelos desenhos cheios de fantasia, faz parte de uma arte particular destinada a entrar no imaginário coletivo dum povo.

Texto de Maria Augusta Trindade Ferreira

    Fonte: GAP|CMA

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