Edição: 259

Diretor: Mário Lopes

Data: 2022/6/27

Casa senhorial do século XVIII

Chamusca inaugura a Casa do Moscadim, um novo projeto museológico e patrimonial

Escada interior da Casa Senhorial

Chamusca inaugura esta quarta-feira, dia 22 de junho, pelas 11h, a Casa do Moscadim, um novo projeto museológico e patrimonial, que pretende ser uma referência em restauro, conservação e musealização. O projeto é da responsabilidade da empresa de gestão e promoção de bens culturais Patrimonium.

O evento contará com a presença de Paulo Queimado, presidente da Câmara Municipal da Chamusca e de António Maria de Mello, presidente da Associação Portuguesa de Casas Antigas, entre outras individualidades.

Depois da inauguração oficial será realizada uma visita guiada à Casa, efetuada por Joel Moedas-Miguel, fundador da Patrimonium, à qual se seguirá a assinatura de um protocolo com a Câmara Municipal da Chamusca, no que diz respeito ao apoio no lançamento da Casa do Moscadim como projeto patrimonial e museológico, através da divulgação, comunicação, promoção do projeto e apoio técnico.

A Casa poderá ser visitada gratuitamente durante a tarde, sendo necessário, para isso, fazer a inscrição prévia através do endereço de e-mail casadomoscadim@patrimoniumcultura.pt. A partir do dia 25 de junho, todos os últimos sábados de cada mês, existirá uma visita guiada e os bilhetes poderão ser adquiridos em www.patrimonium.pt.

O programa de inauguração termina com um Concerto de Música de Salão no Tempo de D. Maria I, pelas 18h30 (inscrições através do email casadomoscadim@patrimoniumcultura.pt).

Sala de Jantar da Casa do Moscadim

A Casa do Moscadim, localizada na artéria principal da Vila da Chamusca, é uma casa senhorial do século XVIII. Considerada única na vila, e uma das mais importantes da região, a Casa distingue-se pela sua riqueza histórica e patrimonial, nomeadamente pela relevante coleção de azulejos que se encontra no seu interior.

A decoração azulejar, oriunda da Real Fábrica do Rato, ou da Bica do Sapato, de gosto D. Maria I é rara de ser encontrada em outras casas da região. A par da Casa do Patudos e da Casa-Estúdio Carlos Relvas, a Casa do Moscadim será uma das mais importantes atrações patrimoniais da região.

Os painéis que singularizaram esta nobre residência são únicos no seu género no panorama nacional, estas, uma masculina e outra feminina, vestidos à moda dos anos 90 do século XVIII encontram-se nos dois lances da escadaria nobre, encantando pela sua peculiar beleza.

A figura masculina representa um Muscadin (Moscadim em português), figura típica do pós-revolução francesa, que no contexto da época se distinguia das demais pela sua forma de vestir elegante e pelo uso da fragância musk, originando esta designação. Dada a importância desta representação azulejar, a casa tomou o seu nome, chamando-se assim Casa do Moscadim.

Também singular, entre as habitações da região, é a presença da pintura do mural de gosto Pillement.

Refira-se que esta Casa pertenceu a várias figuras da alta sociedade local que estavam ao serviço da Casa das Rainhas, tendo sido adquirida e remodelada pelo latifundiário Manuel Mendes da Cunha, sobrinho de Rafael José da Cunha, um dos maiores latifundiários do Ribatejo, proprietário da Quinta da Broa na Golegã.

Mais tarde, Manuel Mendes da Cunha ofereceu-a à sua filha, por altura do casamento com o médico Dr. Carlos Pina Machado, cujo nome passou a estar associado a esta residência. No entanto, é no início do século XIX que a Casa se torna verdadeiramente central na história local, nacional e internacional. Na Terceira invasão francesa, o Marechal William Beresford (1768-1854), Marechal do Exército luso-britânico, instalou-se na Casa do Moscadim, fazendo dela o quartel-general do Reino de Portugal. Entre o final de 1810 e o início de 1811 saem desta casa todas as ordens militares que vêm a assegurar a vitória final das forças luso-britânicas sobre os franceses.

Tal como revelam as queixas portuguesas da época, Beresford não comandava apenas as tropas, mas governava Portugal com o beneplácito régio do Príncipe Regente D. João, podendo assim afirmar que durante vários meses os destinos de Portugal e dos portugueses foram dirigidos a partir da Casa do Moscadim.

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