Edição: 262

Diretor: Mário Lopes

Data: 2022/9/29

Pedido de patente da investigação foi aprovado pelo INPI

Macroalga da costa de Peniche permite retardar envelhecimento da pele com ação anti-enzimática

Fucus sp. recolhida na costa de Peniche (Foto: Filipa R. Pinto)

Os extratos enriquecidos em florotaninos e outros componentes obtidos a partir de uma macroalga pertencente ao género Fucus, recolhida na costa de Peniche, apresentam um marcado efeito inibidor sobre as enzimas colagenase e elastase, responsáveis pela degradação da matriz da pele e diretamente relacionadas com o processo de envelhecimento cutâneo, aponta uma investigação levada a cabo por uma equipa do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente do Politécnico de Leiria. A investigação originou um pedido de patente, que foi agora aprovada pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial.

A investigação teve como objetivo valorizar os recursos marinhos nacionais e avaliar o potencial dermatológico de diferentes ingredientes da macroalga Fucus sp. com os resultados obtidos a demonstrarem o elevado potencial destes componentes para serem incorporados em formulações dermatológicas.

O estudo iniciou-se com a recolha da macroalga na costa de Peniche, seguindo-se um processo de preparação da mesma (lavagem, congelação, liofilização, trituração) nos laboratórios do MARE – Politécnico de Leiria. Os componentes bioativos presentes na alga foram posteriormente extraídos com diferentes solventes permitidos na indústria cosmética, de acordo com os referenciais normativos nacionais e europeus em vigor. O processo de extração utilizado permitiu a separação de diferentes classes de compostos, dando origem aos respetivos extratos enriquecidos.

Extração da macroalga em laboratório (Foto: Filipa R. Pinto)

«Seguiu-se a avaliação do potencial biológico desses extratos recorrendo a uma série de ensaios in vitro que permitiram avaliar o seu efeito inibidor sobre as enzimas colagenase e elastase envolvidas no processo de envelhecimento cutâneo. O extrato enriquecido em compostos fenólicos revelou-se muito promissor na inibição destas enzimas, exibindo ainda uma elevada capacidade antioxidante, fotoprotetora e anti-inflamatória em linhas celulares da pele», explica Alice Martins, uma das investigadoras envolvidas no estudo.

O objetivo passa agora por avaliar a aplicação da macroalga num produto dermatológico que permita retardar o envelhecimento da pele. «O próximo passo envolverá a otimização de formulações para aplicação tópica, bem como a realização de uma série de ensaios in vivo em voluntários humanos, de modo a avaliar a eficácia e segurança do produto final. Ambas as etapas serão efetuadas com a colaboração de investigadores da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa», refere a investigadora.

Esta inovação foi também submetida a um pedido de patente europeia, estando ainda em processo de avaliação. Além de Alice Martins, pertencem à equipa os investigadores do MARE – Politécnico de Leiria, Rui Pedrosa, Celso Alves, Joana Silva, Susete Pintéus e Rafaela Freitas.

     Fonte: Midlandcom

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