Edição: 264

Diretor: Mário Lopes

Data: 2022/11/27

Gabriel Mithá Ribeiro garante que ministro José Luís Carneiro faltou à verdade

Chega/Leiria critica declarações do ministro sobre “evolução muito positiva no dispositivo nacional de proteção civil”

Gabriel Mithá Ribeiro

O deputado do Chega por Leiria contestou, no dia 18 de agosto, as declarações do ministro da Administração Interna sobre o que este considerou “evolução muito positiva no dispositivo nacional de proteção civil” desde 2017.

Segundo Gabriel Mithá Ribeiro, “tornou-se um hábito os membros do governo apregoarem falsidades onde quer que seja e a propósito de tudo, manifestando uma arrogância inqualificável e uma predisposição para a mentira, própria de quem se julga dono do poder, da democracia e da razão, mas connosco essa atitude não passará.”

“Desta vez foi o ministro da Administração Interna, que com o maior desplante, veio exatamente ao distrito de Leiria, no passado domingo na Batalha, fazer afirmações falsas relativamente à forma como têm decorrido o combate aos incêndios, afirmando que “todos os especialistas reconhecem que, desde 2017, houve uma evolução muito positiva em três domínios: no conhecimento; na coordenação e na cooperação entre todos os atores que integram o dispositivo nacional de proteção civil; e nos meios,…há hoje mais meios humanos, materiais e mais recursos financeiros”, relata.

Segundo Gabriel Mithá Ribeiro, “não só estas afirmações são falsas, como representam uma afronta, não só aos intervenientes no combate aos incêndios do passado mês de Julho, que acompanhámos “in loco”, como às populações que viram os seus bens destruídos. A opinião dos especialistas, no terreno, onde o ministro Dr. José Luís Carneiro certamente não esteve, mas nós estivemos, é exatamente inversa aquela que agora veio anunciar. Estamos a falar de bombeiros, centros distritais de operações de socorro, proteção civil, GNR e autarcas, de uma forma generalizada.”

Em resultado do que o Chega verificou, nos concelhos de Leiria, Pombal, Ansião e Alvaiázere, no terreno e das várias abordagens com os verdadeiros especialistas, resultou uma exposição feita pelo seu Grupo Parlamentar ao próprio ministro Dr. José Luís Carneiro, colocando várias questões relacionadas com o combate aos incêndios, que até ao momento não obtiveram resposta e pela qual o Partido continua a aguardar. Agora com curiosidade acrescida, face a estas declarações.

Exposição do Grupo Parlamentar do Chega

Na sequência dos dramáticos incêndios ocorridos recentemente que fustigaram intensamente o território do distrito de Leiria, em visita aos locais afetados, no exato dia da própria tragédia e após, no chamado “rescaldo”, tivemos oportunidade de contactar os responsáveis de vários níveis hierárquicos das operações de socorro, nomeadamente, Proteção Civil, CODIS, Bombeiros, GNR, autarcas, mas também empresários e outros cidadãos diretamente afetados pelos fogos. Dessas visitas resultaram a necessidade de refletir e questionar sobre factos, observados “in loco” e transmitidos pelas entidades e população.

A opinião generalizada, é a de que nada foi aprendido com a tragédia de Pedrógão em 2017, sem melhorias a assinalar relativamente a medidas de prevenção ou combate.

Anunciada a onda de calor que se fez sentir, e que se perspetiva vir a repetir-se com maior frequência, é caso para questionar as razões deste alheamento e descuido do governo após 5 anos.

É generalizada a constatação da falta de meios aéreos, cuja intervenção no ataque inicial, é fundamental para minimizar a sua propagação, sobretudo em locais de difícil alcance por via terrestre.

Constatámos que por exemplo em Pombal / Ansião, só ao terceiro dia houve a presença de meios aéreos, perante o desespero e impotência das autoridades presentes, autarcas e população, sem soluções nem meios ao seu alcance.

Continua sem funcionar e dar resposta às necessidades, o sistema de comunicações SIRESP, sabendo-se que em vários locais, poucos rádios funcionavam, privilegiando-se o telemóvel como via de transmissão entre os operacionais.

Felizmente, sem perda de vidas humanas a lamentar, decorrentes deste episódio resultaram habitações destruídas, pavilhões de empresas dizimados, animais e culturas definitivamente perdidas, para além dos muitos milhares de hectares de floresta queimada, perfazendo prejuízos incalculáveis para o Estado e para as populações que compete ao Estado proteger.

Questões colocadas ao ministro da Administração Interna, Dr. José Luís Carneiro após  contactos com as entidades intervenientes e populações

  1. Sabendo-se, como aliás afirmou também o Sr. primeiro-ministro, que a causa destes incêndios tem mão humana, porque se espera, para aumentar substancialmente a moldura penal para incendiários, que aliás, têm sido detetados às dezenas pelas autoridades?
  2. Que garantias existem de que em eventuais e próximos incêndios, teremos meios aéreos disponíveis, que impeçam a sua propagação descontrolada?
  3. Para quando a garantia de que o sistema SIRESP, que custou vários milhões de euros ao Estado, é de facto uma solução sem reservas?
  4. Para quando o reconhecimento, investimento e a efetiva concretização do Estatuto Social do Bombeiro, sabendo-se que são sempre e em todas as circunstâncias, os bombeiros, a primeira linha de socorro às populações?
  5. Para quando vai o Estado dar o exemplo, em matéria de limpeza de terrenos, ou no cumprimento das faixas de proteção das vias de comunicação?
  6. Para quando um efetivo “Ordenamento Florestal”, sistematicamente anunciado e nunca concretizado?
  7. Por que se espera para envolver as Forças Armadas, na fiscalização das florestas e no momento do rescaldo, libertando os bombeiros para outras ações?

 

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