Edição: 264

Diretor: Mário Lopes

Data: 2022/11/30

Patente na Sala Berlengas da ESTM até dia 30 de novembro

Exposição em Peniche dá a conhecer algas e microalgas criadas no Centro de Ciências do Mar e do Ambiente

Laboratórios de criação de algas e microalgas (Foto: Emanuel Brás)

Produzida pelo Politécnico de Leiria, a exposição “AZUL MARE – Arte e Ciência” pretende ser um percurso de conhecimento das algas e suas propriedades e, simultaneamente, um percurso meditativo sobre as condições de produção das primeiras imagens fotográficas realizadas pela técnica da cianotipia*. Reúne fotografias realizadas nos laboratórios de criação de algas e microalgas do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente do Politécnico de Leiria.

As fotografias são da autoria de Emanuel Brás, docente e investigador da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha (ESAD.CR), cianotipias foram elaboradas por estudantes da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM), em colaboração com o Instituto Português da Juventude de Leiria, os textos são de Teresa Mouga, investigadora do MARE, e um algário criado a partir de algas recolhidas ou reunidas pelo investigador Marco Lemos, investigador do MARE do Politécnico de Leiria e docente na ESTM.

A exposição está patente na Biblioteca e Sala Berlengas da ESTM do Politécnico de Leiria, em Peniche, até dia 30 de novembro. Os curadores da exposição são Samuel Rama, docente da ESAD.CR, e Teresa Mouga, investigadora do MARE do Politécnico de Leiria e docente na ESTM.

«Quisemos glosar o herbário de Anna Atkins, porque foi no contexto das artes, um dos raros momentos de atenção e curiosidade para com as algas. Ao realizar o herbário em cianotipia, Anna Atkins tornou-se na primeira mulher a criar imagens fotográficas não só de algas, mas também do seu próprio texto manuscrito, indicando os propósitos do herbário organizado em livro, os nomes das várias espécies em latim e até dedicatórias», justifica Samuel Rama.

«Quer estejamos em terra ou no mar, qualquer alga requer a presença do elemento água, mesmo que seja por um período relativamente curto, como costuma acontecer com algumas espécies na terra. Mas é no mar com a sua água salgada com diferentes salinidades, temperaturas, correntes, profundidades e ecossistemas que ocorre a maior variedade de algas com diferentes escalas, formas e propriedades», destaca Samuel Rama.

E acrescenta: «Dependendo da espécie, ao longo da exposição podemos verificar nos textos de Teresa Mouga, as seguintes propriedades: antioxidantes, antimicrobianas, anti-helmínticas, antibacterianas, anti tumorais, anti-inflamatórias, algicidas, antifúngicas anticoagulantes, anti-protozoárias, antivirais, tonificantes, alimentares, ricas em vitaminas e sais minerais, e propriedades gelificantes, espessantes e estabilizantes.»

Esta exposição retrata não só as algas, mas também o mar, com as suas múltiplas características, elementos e propriedades. «É urgente uma perspetiva cultural e artística sobre os mares, por forma a densificar o conhecimento e sabedoria coletivos, ativos fundamentais na refundação da comunidade humana unida pelo cuidado do planeta Terra», defende Samuel Rama.

* Cianotipia foi um processo fotográfico inventado em 1842 por um matemático, astrónomo, químico e inventor, Sir John Herschel. Consiste numa emulsão sensível à luz que contém sais de ferro que reagem aos raios ultravioleta, este processo permitia de uma forma relativamente simples fixar numa superfície as sombras numa cor Ciano também conhecida como cor água.

      Fonte: Midlandcom

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