Edição: 265

Diretor: Mário Lopes

Data: 2022/12/4

Opinião

O coração e a alma

Nuno Catita

A Vila da Benedita está a assistir ao maior investimento alguma vez feito no seu território, com a construção da Área de Localização Empresarial. Uma infraestrutura reclamada há dezenas de anos pelo coração empreendedor dos empresários locais, cujo crescimento sustentado tem sido limitado pelo espaço físico.

A conclusão da obra está prevista para o final de 2023, daí a ansiedade que vai existindo relativamente à forma de aquisição de lotes, entre outros aspetos.  É interessante assistirmos à resiliência do setor empresarial. As incertezas económicas são uma realidade, agrava-se o custo do financiamento para as empresas, a inflação é galopante, mas a vontade continua a ser determinante para que se possa encarar o futuro com todo o otimismo. Mais investimento significa mais postos de trabalho. Com mais oferta de emprego abrem-se as portas para o crescimento da população, significando aumentar a necessidade de construção de habitação e o natural desenvolvimento comercial da freguesia. Este será um momento histórico, só equiparado, em termos de importância local, com a criação, em 1965, do Instituto Nossa Senhora da Encarnação.

Não será nunca demais recordar o motor que levou ao aparecimento do Externato Cooperativo da Benedita: a força e a crença da população, que queria para os seus filhos uma maior e melhor educação que aquela que lhe fora oferecida pelo Estado e que se resumia à 4ª classe, para quem não podia ir estudar para fora. Com a sabedoria que a vida proporcionou aos beneditenses, criou-se a primeira cooperativa de ensino do país, que primou sempre pela qualidade, tornando-se um pilar estruturante desta região.

É por estes quase 60 anos de serviço público, substituindo o Estado na educação de dezenas de milhares de alunos, dos quais muitos têm hoje uma carreira profissional de sucesso, que não podemos deixar de acompanhar a “guerra” ideológica que tem sido feita pelos mais diversos governos a este tipo de instituições de ensino, deixando-as debilitadas e até condenadas a fechar,  apenas porque não são entendidas com Escola Pública. Por isso, por questões de “poupança” de dinheiros públicos, o que é uma argumentação contraditória porque o  custo por aluno é bem mais baixo,  vai-se tentando prejudicar o bom funcionamento de instituições que têm uma génese de “ensino público”. Há por isso que olhar para o Externato Cooperativo da Benedita com a preocupação de salvaguardar o real valor desta instituição, sem se aceitar decisões que vêm da esfera da “má política”. Todos os anos a preocupação é enorme. O Ministério da Educação vai cortar turmas? Vai condicionar a área de influência da escola? Vai diminuir os valores do contrato de associação? Em cada questão, uma preocupação para um Instituto que há anos tem custos maiores que a contrapartida que recebe do Estado, para cumprir o seu  serviço público de educação.

No final da avenida, bem no centro da Benedita, nasce a esperança de crescimento e investimento do empreendedorismo que foi, é e será sustentado pelo que se aprendeu cá em cima, no início da avenida.

Somos quem somos, e, naturalmente, iremos compreender que pouco nos vale ter um coração forte, se permitirmos que nos arranquem a alma.

     Nuno Catita

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