Edição: 282

Diretor: Mário Lopes

Data: 2024/5/30

Saliência rochosa é uma das imagens de marca do local

CDU da Nazaré alerta para risco de destruição do Bico da Memória durante a consolidação das arribas

Bico da Memória

A CDU da Nazaré considera que a consolidação das arribas do Sítio da Nazaré corre o risco de se tornar uma via para a destruição do património local, no caso, o Bico da Memória, uma saliência rochosa que é uma das imagens de marca do local.

A coligação PCP-PEV critica a apresentação da obra com a “pompa” habitual, sempre nas costas da população e da oposição local” e o regozijo dos eleitos do PS, desde os representantes locais aos eleitos pelo círculo eleitoral de Leiria na Assembleia da República, considerando que “o projeto de consolidação das arribas do promontório está a gerar uma (mais do que esperada) indignação generalizada por parte das populações e das instituições com intervenção e responsabilidades nas diferentes dimensões desta matéria.”

A CDU acusa os políticos da maioria socialista de agirem “desprovidos de qualquer sentido crítico” e questiona “como explicarão agora estes responsáveis políticos à população local que esta intervenção estava a ser planeada nas suas costas” e como “aceitaram como bom um projeto sem discussão, sem informação, sem alternativas, sem maquetas, sem estudos geomorfológicos, arqueológicos, paisagísticos” ou, se existem, nunca foram apresentados e discutidos com ninguém no plano local.”

A coligação, que conta com um vereador eleito, acusa a maioria de, “mais uma vez, tudo o que nos têm para apresentar é a mesma receita de sempre – a via de sentido único e as dicotomias habituais – ou isto, ou o caos e a desordem! Ou vão pelo caminho que queremos, ou não há caminho! A população está farta de ser governada por decreto e deixada à margem dos processos sociopolíticos que interferem diariamente com as suas vidas.”

Neste caso, a CDU entende que “a indignação é transversal e vai desde a população que sente aquele local como seu, de culto, de memória, de contemplação, até aos especialistas e académicos das várias áreas cujo interesse e investigação confluem para aquele lugar – o Bico da Memória.”

A coligação garante que as forças políticas que levantaram o problema nas sedes próprias – onde a CDU se destacou na dianteira da denúncia do processo – a população local, as instituições, designadamente a proprietária do espaço (Confraria Nª Senhora da Nazaré), os vários especialistas e investigadores, representantes de entidades públicas, não são irresponsáveis e que ninguém quer colocar a segurança pública em segundo plano.

Pelo contrário, “o que querem efetivamente é garantir essa principal prioridade harmonizando-a com a defesa do património, por entenderem que é possível atingir estes dois desideratos com reflexão pública, informação necessária e apresentação de soluções alternativas à única solução apresentada. É simplesmente isto que se pretende, e pensamos que será verdadeiramente possível proteger as pessoas e salvar um dos pontos mais icónicos, simbólicos e identitários de todo o território nacional.”

Aliás, a CDU recorda que esta é uma das primeiras imagens de marca que projetaram a Nazaré e Portugal no mundo, assegurando que continuará o seu trabalho “de proposta e denúncia, continuando a colocar à vista de todos o facto de este PS estar esgotado e sem respostas, a governar de costas para a população e a aprofundar as clivagens sociais e o clima de tensão na comunidade local.”

O Grupo de Trabalho da CDU na Nazaré assegura que “outro rumo e outro modelo de governação é possível”, prevendo que “este estado de coisas não é definitivo nem durará para sempre.” A CDU apela à mobilização e organização popular para travar o procedimento anunciado no Bico da Memória.

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