Edição: 281

Diretor: Mário Lopes

Data: 2024/4/22

Método é pioneiro em Portugal

Centro Hospitalar do Oeste é o 1º a administrar Imunoglobulina Humana Subcutânea Facilitada

Equipa da Unidade de Imunoalergologia do Centro Hospitalar do Oeste

No dia 20 de abril, a Unidade de Imunoalergologia do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), efetuou, pela primeira vez em Portugal, a administração de Imunoglobulina Humana Subcutânea Facilitada, tendo o procedimento decorrido no Hospital de Dia Polivalente da Unidade de Caldas da Rainha.

Este tratamento, essencial à vida dos doentes com défices do sistema imunitário (imunodeficiências por défice de produção de anticorpos), repõe as defesas que estes doentes não conseguem produzir para combater as infeções. O CHO tornou-se, assim, no primeiro Centro Hospitalar do país a disponibilizar este tratamento por via subcutânea facilitada, modalidade há muitos anos aguardada pelos doentes e seus cuidadores.

A Unidade de Imunoalergologia do CHO, coordenada pela Dr.ª Susana Carvalho, tem em seguimento doentes com Imunodeficiências Primárias, patologias recentemente renomeadas de Erros Imunitários Congénitos, doenças que se caracterizam por défices do sistema imunitário que levam a infeções repetidas, bem como outros fenómenos de imunodesregulação, tais como a autoimunidade, e doenças oncológicas. Trata-se de um grupo de mais de 450 doenças diferentes que fazem parte do âmbito da especialidade de Imunoalergologia.

Esta é uma área que o Dr. Ruben Duarte Ferreira, especialista em Imunoalergologia do CHO, se tem vindo a dedicar há vários anos, desempenhando atualmente as funções de secretário do Grupo de Interesse de Imunodeficiências Primárias da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica. A terapêutica com imunoglobulina é fundamental para a sobrevivência destes doentes, reduzindo o risco de infeções fatais.

Este tratamento pode ser feito por via endovenosa ou subcutânea. A modalidade endovenosa implica infusões em Hospital de Dia com duração de várias horas, com periodicidade por vezes bimensal, com impacto importante na vida dos doentes e condicionando absentismo laboral e escolar.

A formulação subcutânea permite a administração pelo próprio doente no domicílio, mas, até agora, a imunoglobulina subcutânea só estava disponível em Portugal na modalidade convencional, levando os doentes a necessitarem de infusões semanais ou bissemanais. Esta nova modalidade terapêutica, denominada de Imunoglobulina Subcutânea Facilitada, vem revolucionar o modo de administração, dando mais liberdade e autonomia aos doentes.

Nesta modalidade, os doentes passam a poder efetuar o tratamento comodamente em suas casas apenas uma vez por mês. Assim, enquanto completam outras tarefas ou passam tempo em família, os doentes garantem ao mesmo tempo a manutenção do tratamento. Esta inovação é devida à administração de uma enzima, a hialuronidase humana recombinante, que permite a criação de um espaço debaixo da pele para receber maiores volumes de imunoglobulina.

As primeiras administrações ocorrem em meio hospitalar, sendo efetuado o ensino da técnica de administração ao doente pela equipa médica e de enfermagem, passando o doente a fazer o mesmo no domicílio depois de se comprovar ter adquirido autonomia para o procedimento.

O tratamento foi supervisionado pelo Dr. Ruben Duarte Ferreira, tendo sido administrado pela equipa de enfermagem ligada à Unidade de Imunoalergologia, na Unidade de Caldas da Rainha, da qual fazem parte, entre outros elementos, as enfermeiras Tânia Mendes, Liliana Marques, Ana Rita Antunes, Fernanda Lucas, Teresa Almeida e Sónia Penas, sob a coordenação da enfermeira gestora Fernanda Rodrigues.

A administração decorreu com sucesso, para grande satisfação da primeira doente a ser tratada e de todos os profissionais envolvidos. Este procedimento foi o culminar de um processo no qual estiveram empenhados desde o início os Serviços Farmacêuticos do CHO, que após a aprovação pela Comissão de Farmácia e Terapêutica, desenvolveram todos os esforços para disponibilizar este medicamento indispensável da forma mais rápida possível.

Está previsto que este tratamento seja progressivamente alargado a outros doentes com patologias deste foro durante os próximos meses. O Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Oeste congratula-se com a concretização deste tratamento pioneiro em Portugal que irá melhorar a qualidade de vida dos doentes e agradece o empenho de todos os profissionais envolvidos.

O Centro Hospitalar do Oeste integra os hospitais de Caldas da Rainha, Peniche e Torres Vedras, tendo uma área de influência constituída pelas populações dos concelhos de Caldas da Rainha, Óbidos, Peniche, Bombarral, Torres Vedras, Cadaval e Lourinhã e de parte dos concelhos de Alcobaça (freguesias de Alfeizerão, Benedita e São Martinho do Porto) e de Mafra (com exceção das freguesias de Malveira, Milharado, Santo Estêvão das Galés e Venda do Pinheiro), abrangendo 292.5346 habitantes.

Fonte: GC|CHO

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